11/05/2020
“Em aeroportos e outros espaços públicos, pessoas com telefones celulares equipados com fones de ouvido ficam andando para lá e para cá, falando sozinhas e em voz alta, como esquizofrênicos paranóicos, cegas ao ambiente ao seu redor. A introspecção é uma atitude em extinção. Defrontadas com momentos de solidão, em seus carros, na rua ou nos caixas de supermercados, mais e mais pessoas deixam de se entregar a seus pensamentos para, em vez disso, verificarem as mensagens deixadas no celular em busca de algum fiapo de evidência de que alguém, em algum lugar, possa desejá-las ou precisar delas.” (Zygmunt Bauman - Identidade. Ed. Zahar. Pág. 45).
Pelo excerto acima já me dispenso de qualquer comentário. A obra é fabulosa, nos faz pensar que à medida que nos deparamos com as incertezas e inseguranças da modernidade líquida, nossas identidades sociais, culturais, profissionais, religiosas e se***is sofrem um processo de transformação continuo, que vai do perene ao transitório, com todas as angústias que ávida no tempo presente nos impõe! Penso que a leitura deste livro deveria ser feita em doses homeopáticas para se aproveitar todo o tesão e frenesi que as palavras de Bauman pode nos ensinar!