A cultura brasileira, a minha, a sua cultura, bem como a de toda a América Latina é formada por uma estrutura triangular característica do período de colonização resultado da mescla de tradições ameríndias, europeias e africanas. Porém, histórica e erroneamente o negro é visto como inferior e caracterizado de maneira negativa. A comunidade afro-descendente, ainda hoje, sofre com o preconceito, o descaso e a falta de oportunidades, fenômeno social esse que teve origem no contexto vivido desde a época da colonização. No Brasil, ainda persiste um imaginário étnico-racial que valoriza as raízes européias de sua cultura fazendo presente à desigualdade social e racial, bem como a desvalorização da estética, corporeidade e musicalidade africana. A identidade cultural brasileira começa a ser construída após abolição (1889-1930) com a adoção da política de imigração adotada pelo Estado, com o intuito de apagar os sinais da miscigenação. Tais interesses foram disseminados por representantes e intelectuais da época os quais propagavam que com o decorrer do tempo a população brasileira iria embranquecer por meio do apagamento de uma memória social. Este apagamento ocorreu apoiado em políticas de Estado adotadas na formação da chamada “identidade cultural heterogênea” que encontra no sincretismo e no multiculturalismo elementos operantes do mito da democracia racial. O mito é expressão de negação e justificação da realidade negada. O mito é uma máscara capaz de subverter a realidade e adequá-la às necessidades “temporárias” de determinados grupos: a distorção colonial como contrapartida da inclusão de mestiços nos núcleos das grandes famílias. Entretanto, as memórias africanas transformadas em solo brasileiro, insistem, persistem e resistem: o congado, a capoeira, o jongo, etc... Infelizmente a educação não tem sido local deste movimento. E nesse contexto nasce o Projeto Capoeira é Vida. O PCV iniciou suas atividades em 2008, fundado pelo Professor Thiago Wilson Silva (Chocolate). O objetivo do projeto é levar a arte, cultura, nossa Brasilidade, humanizar e integrar a sociedade trabalhando com jovens em situação de vulnerabilidade social. O PCV teve seu inicio, num levante Griô, no colégio Estadual Deputado José de Assis. Durante 3 anos trabalhamos com capoeira apenas, sem espaço ideal para desenvolver o projeto e sem recurso do governo ou de empresa alguma apenas trabalho voluntário. No ano de 2012 contamos com outras modalidades: Jiu-jitsu, Muay thai, Judô e Street Dance. Neste ano de 2013 contamos com aulas de: Dança de salão, Origami e Curso de Línguas (Espanhol, Inglês e Mandarim). Todos também voluntários. Alguns dos educadores dessas novas modalidades são alunos do próprio projeto que agora vão dividir o que aprenderam. E ainda teremos acompanhamento psicológico, assistência odontológica e um laboratório de informática. O FATO É QUE O PROJETO QUE ATENDE 200 CRIANÇAS EM CONDIÇÕES DE VULNERABILIDADE SOCIAL NÃO TEM SEDE E ACABOU DE SER COAGIDO A SAIR DA ESCOLA IAIA CÂMARA, ESPAÇO QUE FOI RECENTEMENTE OCUPADO. ACOMPANHEM A TRAJETÓRIA NA PÁGINA DO LABORATÓRIO http://lpeqi.quimica.ufg.br/. AMANHÃ TEREMOS UMA GRANDE MOBILIZAÇÃO EM PROL DESTA INICIATIVA. CONTO COM A PRESENÇA DE TODOS......