24/07/2026
Hoje publicamos um importante estudo sobre a realidade da alopecia areata no Brasil.
O artigo avaliou dados de vida real de 341 pacientes adultos acompanhados por 44 dermatologistas brasileiros e demonstrou que a carga da alopecia areata ainda é subestimada em nosso país.
Os pacientes com perda de pelo menos 50% dos cabelos apresentaram maior frequência de doença crônica ou progressiva, perda de sobrancelhas, cílios e pelos corporais, menor repilação e maior necessidade de acompanhamento médico.
Outro resultado importante foi a redução da proporção de pacientes trabalhando em período integral à medida que aumentava a extensão da perda capilar. Esse achado reforça que a alopecia areata não é apenas uma questão estética: trata-se de uma doença autoimune que pode afetar profundamente a qualidade de vida e a participação social e profissional dos pacientes.
O estudo também mostrou que, mesmo nos casos graves, o tratamento no Brasil ainda permanece fortemente baseado em corticosteroides e imunomoduladores tradicionais. Embora os inibidores de JAK apresentem o melhor nível de evidência para o tratamento da alopecia areata grave, o acesso a essas terapias ainda é limitado, especialmente no sistema público de saúde.
Nossos resultados reforçam uma mensagem fundamental:
não basta reconhecer a gravidade da alopecia areata. É necessário garantir acesso a tratamentos eficazes, seguros e sustentáveis no longo prazo.
Agradeço a todos os pesquisadores envolvidos, aos dermatologistas participantes e, especialmente, aos pacientes cujas informações contribuíram para ampliar o conhecimento sobre a alopecia areata no Brasil.
📄 Real-world Burden of Disease and Clinical Characteristics of Alopecia Areata Among Adults in Brazil: Results from a Cross-sectional Survey
✍️Leonardo Spagnol Abraham, Cha-Silva AS, De Gaspari CN, Pachito DV, Anderson P, Quinones E, Russnak A, Kurosky SK, Doche I
🔗 DOI: 10.1007/s13555-026-01848-1