Redação Dicas 67

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Redação para concursos, Enem e vestibular; regras e outras informações sobre como escrever livros; dicas diversas de português; edição e revisão de textos.

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28/04/2016

CAPÍTULO 2

DEFEITOS DE UMA REDAÇÃO

(1) Ambiguidade
(2) Anfibologia
(3) Arcaísmo
(4) Arenga
(5) Asafia
(6) Asfixiose
(7) Astenia
(8) Atelectasia
(9) Audaciose
(10) Autismo
(11) Avernose
(12) Axiomose
(13) Batologia
(14) Barbarismo
(15) Blesose
(16) Cacoépia
(17) Cacoete
(18) Cacofatomania
(19) Cacofonia
(20) Cacografia
(21) Cacologia
(22) Caducidade
(23) Calão
(24) Calinose
(25) Cavilação
(26) Colisão
(27) Dimanação
(28) Dislalia
(29) Dislexia
(30) Dislogia
(31) Dissimulose
(32) Eco
(33) Enálage
(34) Eruditismo
(35) Esdruxulose
(36) Estrangeirismo
(37) Matutice
(38) Neologismo
(39) Obscuridade
(40) Perífrase
(41) Perissologia
(42) Plebeísmo
(43) Pleonasmo vicioso
(44) Preciosismo
(45) Prolixidade
(46) Silabada
(47) Solecismo
(48) Tautologia

Todas as pessoas têm qualidades e defeitos, mas não é necessário escrever todos os textos com desvios gramaticais – qualidades misturadas com defeitos.
Para evitar cair em gafes, clichês, jargões inexpressivos, matutices, senso comum, prolixidade, falta de coesão e coerência e outros defeitos literários é preciso analisar os vícios de linguagem falada e escrita e evitar, se possível, todos.
Quem fala mal não escreve bem, pois a influência negativa da fala atinge a escrita. Na hora de escrever, muitas pessoas escrevem como falam e quem fala errado escreve fora das normas, às vezes, até sem perceber.
Conseguindo parte dessa vitória é possível criar belos textos e interessantes discursos. A seguir, apresenta-se uma lista de quarenta e oito vícios de linguagem para serem evitados. Lembre-se de que você precisa conhecer os vícios para evitá-los. Analise-os com atenção:
1. Ambiguidade. É a frase que deixa o sentido duplo, dando margem para duas ou mais interpretações. Exemplos: “O guarda deteve o suspeito em sua casa”. Na casa de quem? Do guarda ou do suspeito? Melhor: “O guarda foi à casa do suspeito e lá o deteve”.
“Deputado fala da reunião no canal 2”. O deputado fala no canal 2 ou acerca de uma reunião que aconteceu no canal 2? A oração não está explícita.
“Eu vi João maltratando Pedro e me escondi na casa dele”. Eu me escondi na casa de quem, se os dois, João e Pedro, estão sendo referidos na terceira pessoa do singular?
A dúvida domina a frase e o sentido pretendido pelo autor parece não ser alcançado. Duplicidade é a interpretação de uma palavra ou expressão que deixa espaço para dois ou mais sentidos.
Os escritos objetivos, como redação – de concursos, notícias e textos científicos – devem evitar a duplicidade de sentido, ambiguidade ou anfibologia, e preferir a função referencial, denotativa. Na verdade, a linguagem precisa ser adequada ao objetivo do texto e cada redação tem sua finalidade.
Várias são as causas da ambiguidade, dentre elas destacam-se: primeira, falta de sinais de pontuação. Exemplo: “O prefeito pretende transformar os espaços públicos como praças, ruas, avenidas, travessas em pontos turísticos urbanos”.
A falta de uma vírgula depois de públicos abre vaga para dupla interpretação. Analise o duplo sentido: 1) O prefeito pretende transformar os espaços públicos, como praças, ruas..., em pontos turísticos urbanos. 2) O prefeito pretende transformar os espaços públicos como praças, ruas, avenidas, travessas em pontos turísticos urbanos.
Essa última construção dá a ideia de que o prefeito pretende transformar os espaços públicos em praças, ruas e avenidas. Para ficar mais claro o sentido original da expressão é necessário que se coloque também dois pontos após a palavra como, assim: O prefeito pretende transformar os espaços públicos, como: praças, ruas, avenidas, travessas em pontos turísticos urbanos.
F**a melhor ainda se usarmos uma conjunção aditiva em lugar da vírgula após avenidas, assim: O prefeito pretende transformar os espaços públicos, como: praças, ruas, avenidas e travessas em pontos turísticos urbanos.
Segundo, adjunto adverbial mal colocado. Exemplo: Timóteo e sua mulher, Sônia, que morreu há um ano, na varanda de sua residência, fizeram um grande discurso diante da multidão. A frase, na verdade, quer dizer que Timóteo e Sônia fizeram um grande discurso na varanda de sua residência diante da multidão.
Mas a construção fraca dá a entender que Sônia morreu na varanda de sua residência. Se faltar a vírgula depois da palavra ano, a interpretação se torna ainda mais confusa.
O adjunto adverbial na varanda de sua residência foi colocado numa posição duvidosa capaz de comprometer a interpretação e, em consequência, provocar ambiguidade.
Sugestão de clareza: Timóteo e Sônia, sua mulher (essa morrera há um ano), fizeram um grande discurso na varanda de sua residência diante da multidão.
Terceiro, ordem inadequada das palavras na frase. Exemplo: Eu vi Pedro batendo no João e me refugiei na casa dele. Na casa de quem?
A frase lança dúvida de interpretação. Seria melhor construir assim: Eu vi Pedro batendo no João e me refugiei na casa do primeiro. Ou, se preferir, escreva dessa forma: Eu vi Pedro batendo no João e me refugiei na casa desse último.
Quarto, sequência de duas palavras que confundam o sentido. Exemplo: Getúlio esqueceu o número do Fax porque o jogara no fogo. Getúlio esqueceu o número do Fax ou o Fax (aparelho)?
Getúlio pode ter jogado o Fax no fogo e ainda se lembrar do número, ou pode esquecer o número e continuar tendo o aparelho. A sequência número do Fax deixa dúvida para aplicação do esquecimento, pois não ficou claro se Getúlio esqueceu o número ou o Fax (aparelho). Revisando: Getúlio esqueceu o número do Fax porque jogara a anotação no fogo.
Quinto, omissão de palavra na frase. Exemplo: Festa de aniversário do navio foi bonita. A intenção é afirmar que a festa de aniversário realizada no navio foi bonita. Mas a construção frasal põe em confronto os sentidos das palavras ligadas erroneamente por falta dos termos realizada no em lugar da contração do, antes de navio, que deveria ser substituída.
O aniversário não foi definido de quem e a incorreta sintaxe o ligou ao navio que nunca tem seu aniversário comemorado. Corrigindo: Festa de aniversário do fulano, realizada no navio, foi bonita.
Outro exemplo: Prefeito fala do encontro na Rádio Pindorama. Onde aconteceu o encontro? Que encontro? Na Rádio ou em outro lugar? Onde o prefeito estava quando falou do encontro?
A construção não abre espaço para o leitor interpretar o texto com segurança. Sugestão 1: O prefeito, enquanto falava no Programa... da Rádio Pindorama, citou o encontro.... Ou dessa outra forma: O prefeito, enquanto dava entrevista à Rádio Pindorama, falou do encontro....
Sugestão 2: Prefeito de Campanha (MG) fala em seu gabinete acerca do encontro com o prefeito de Pindorama na Rádio da cidade.
Sexto, má colocação do pronome relativo que no meio da frase. Exemplo: Jânio não trouxe o documento do menino que o queimou. Jânio queimou o quê? Ou quem? Jânio queimou o documento ou o menino? Ou o menino queimou o documento?
Esse tipo de construção deve ser evitado, para que a clareza seja evidente. Sugestão de aperfeiçoamento: Jânio não trouxe o documento do menino, porque o próprio menino o havia queimado.
Sétimo, referência indefinida das palavras. Ex.: O Tuca e eu passamos por baixo da cerca de arame, mas a marca de sangue ficou. A maneira como estão unidas as palavras não deixa abertura para se entender de quem foi a marca de sangue.
Melhorando 1: O Tuca e eu passamos por baixo da cerca de arame e a marca do sangue dele ficou. Melhorando 2: O Tuca e eu passamos por baixo da cerca de arame, mas a marca do meu sangue ficou.
Melhorando 3: O Tuca e eu passamos por baixo da cerca de arame, mas a marca do nosso sangue ficou. Outras frases ambíguas: Peguei o livro do Juca que, pela aparência, parecia novo. Dúvida: Quem parecia novo: o livro ou o Juca?
Melhorando 1: Peguei o livro aparentemente novo do Juca. A construção deixa claro que o livro parece novo. Melhorando 2: Peguei o livro do Juca, um homem que parecia novo. A frase define que o Juca parecia novo. Fui a casa e ao quintal e lá estava uma cascavel. A cascavel estava na casa ou no quintal? Consertando 1: Fui a casa e vi uma cascavel no quintal. Consertando 2: Fui a casa e vi uma cascavel na sala.
O deputado federal, o senador é homem público e tem poder no voto. Sabe-se que deputado e senador têm poder no voto, mas a frase quer dizer o quê? Quem tem poder no voto?
Note-se que não há conectivo entre o deputado e o senador, e que o verbo de ligação é está indicando terceira pessoa do singular.
Melhoremos 1: Deputado federal e senador têm poder no voto. Melhoremos 2: Deputado federal e senador, ambos têm poder no voto. Melhoremos 3: Deputado federal e senador são homens de grande poder no voto.
A vaca da Joana, o bezerro do marido dela, pisou no meu pé e quebrou dois dos meus dedos. Observe que o verbo pisar está conjugado em terceira pessoa do singular indicando que um só animal pisou no pé do autor do texto, mas o período menciona dois animais e não define qual dos dois cometeu o crime.
Clareando: A vaca era mansa, mas o bezerro do marido da Joana pisou no meu pé e quebrou dois dos meus dedos.
2. Anfibologia. Do latim amphibologia com o sentido de ao redor de, de ambos os lados, de todos os lados. Sinônimo de ambiguidade, item anterior.
3. Arcaísmo. É a utilização de palavras que já caíram em desuso e de algumas que têm nova semântica e o comunicador ainda não tomou conhecimento. Ex.: “Vosmecê me permite um aparte?” Hoje seria: Você (senhor, senhora, V. Exa.) me permite um aparte?
“Sá Chiquinha era sinhá da Nívea”. Atualizando: A senhora Chiquinha era patroa da Nívea. “Pulquério deu-lhe um pinicão que arrancou pedaço de carne”. K.Y.R.
Pinicão é uma palavra antiga falada no interior de Goiás com o sentido de beliscão, de beliscar, de apertar a pele com as pontas dos dedos ou com as unhas e torcer deixando a parte tocada roxa e machucada ou, às vezes, sangrando e dolorida.
“O vendero tá carero”. K.Y.R.. É o mesmo caso de regionalismo citado. O sentido é o seguinte: “O comerciante está vendendo seus produtos com os preços muito altos”. “Eu lé ia quando ele lé vinha com uma trocha na cabeça”. K.Y.R. Bonito, hein?
4. Arenga. Substantivo feminino, texto ou discurso enfadonho, irritante, ofensivo. Qualquer mensagem escrita ou falada que aborreça, cause intriga, provoque tristeza, desperte ira. Ex.: Vocês, analfabetos, não têm chance na vida, porque não se esforçaram para estudar e, por isso, não merecem ajuda de ninguém.
5. Asafia. Substantivo feminino, maneira errada e viciosa de articular as palavras de modo a misturar e se chocar umas com as outras impedindo a interpretação correta. Ex.: “Alexandre e Tito foram guerreiros poderosos e comeram no mesmo prato”.
Veja: Alexandre, grego, século IV a.C.; Tito, romano, século I d.C. Como esses dois comeram no mesmo prato? Se a frase quer dizer apenas que ambos foram guerreiros vitoriosos, na verdade, não parece isso! A asafia (= tatibitate) toma conta do espaço e não dá chance para a boa interpretação.
6. Asfixiose. Substantivo feminino. Texto ou discurso com excesso de palavras e falta de boa pontuação ou de pausas adequadas para manter o controle da respiração do leitor. Isso provoca asfixia vocabular, ou seja, ameaça de parada respiratória por não observar os sinais de pontuação. Ex.: Leia respeitando a forma como está escrito, respire somente onde tiver sinal:

A cidade de Minaçu é uma das melhores para nela se morar no Estado de Goiás em todas as estações do ano com exceção do verão porque é muito quente e mesmo assim depois de se acostumarem as pessoas vivem bem e com vitória nesse canto do Norte do Estado.

São cinquenta palavras sem nenhum sinal de pontuação. Falar ou ler uma mensagem desse tamanho sem sinais de pontuação é realmente asfixiante. A fala ou a leitura requer pausas naturais, com os sinais de pontuação bem colocados. A própria natureza humana pede pausas na fala e na leitura.
7. Astenia. Do grego asthenéia, fraqueza, falta de vigor. Substantivo feminino, discurso ou texto apresentado de modo fraco, sem vigor, sem o devido dinamismo prejudicando a motivação na leitura, a compreensão e a interpretação. A palavra é empregada também com outros sentidos.
8. Atelectasia. Do grego athelés, imperfeito + ektasis, dilatação e significa distensão incompleta dos pulmões durante o discurso ou a leitura, originando dúvida em relação à mensagem. Nesse caso, quem escreve precisa pensar nisso e evitar o erro.
9. Audaciose. Do latim audacia, que significa atrevimento + -ose, ação e quer dizer ação desmedida no falar ou no escrever. É a prática do discurso atrevido, desrespeitador, irreverente. Falta ética e etiqueta social nessa prática na fala e na escrita. Em alguns casos estão ausentes as questões morais e legais correndo o risco de compromisso jurídico.
10. Autismo. Do grego autós, por si mesmo + ismo, doutrina, crença, modo de pensar, ideologia e significa na fala ou na escrita discurso desligado, sem emoção e sem significado psicológico para com os outros. Discurso no mundo da lua, da indiferença em relação às outras pessoas. Isso lembra Pilatos (30 d.C.) que disse: “O que escrevi, escrevi[2]”.
11. Avernose. Do latim avernus, lago dos infernos + -ose, ação e significa discurso ou texto agoureiro, amaldiçoador, cheio de palavras ruins, impregnadas de maldade, ódio, castigo, maldição, imprecações maldosas. Ex.: “Raios te partam”. “...Me aqueça nesse inverno e que tudo o mais vá pro inferno” (Roberto Carlos, numa canção).
12. Axiomose. Do grego axioma, não há necessidade de explicar + -ose, ação e significa ação arbitrária de omitir certas explicações importantes por considerar que todo mundo já sabe e ninguém quer ouvir explicação desnecessária. Ex.: “Como todos já sabem o que significa sui generis no latim, passemos para frente”. Ao contrário, poucas pessoas sabem o sentido de sui generis.
13. Batologia. Vício de linguagem baseado no rei de Cirene (da África antiga) que tinha o mau costume de repetir sempre as mesmas palavras cansando e desmotivando os ouvintes.
Vem do grego battología (=batologuía), repetição inútil das mesmas palavras + logía, estudo e significa, literalmente, estudo da repetição inútil de palavras.
O melhor discurso ou texto não é o que repete, repete, repete e repete, mas o que sempre traz palavras novas e cheias de boas informações. Quanto menos repetição melhor para a qualidade.
14. Barbarismo. É falar ou escrever palavras ou frases de modo considerado correto, porém, fora da norma culta ou da linguagem padrão determinada pela gramática.
Exemplo de texto: “Eu li uma pesquiza no jornal que abalou as estrutura de meu coração” (K.Y. R.). A palavra pesquiza está grafada erradamente, pois deveria ser escrita com s, pesquisa.
A estrutura deveria concordar com o artigo as antecedente. E a preposição de teria de ser a contração do, pois meu coração é definido. “O iminente professor é catedrático de primeira categoria” K.Y.R.
Essa é uma frase só com aparência de pós-moderna. O correto para escrita e pronúncia é eminente, iniciando com e. Iminente (com i) quer dizer muito próximo no tempo, já no momento de ser realizado, que deverá acontecer em breve, em curto prazo. Eminente, porém, significa excedente, nobre, elevado, extraordinário, importante.
15. Blesose. Do grego blaisós, literalmente que tem as patas viradas para fora, daí subentendida a distorção + -ose, ação e quer dizer discurso ou texto com palavras confusas, mensagem com mistura de palavras, gagueira, trocadilho contrário à boa e segura hermenêutica.
16. Cacoépia. Do grego kakoépeia, pronúncia viciosa ou contrária às regras da Ortofonia ou prosódia. O prefixo orto, de Ortofonia, quer dizer correto, e fonia, de som.
O defeito da cacoépia está ligado diretamente à fala, pois o prefixo caco vem do grego kakos e significa mau, mas foi aplicado com relação à pronúncia errada das palavras.
A palavra cacoépia é substantivo feminino e diz respeito a uma linguagem defeituosa, de nível não erudito, de senso comum, coloquial e contrário às regras gramaticais.
17. Cacoete(coê). Do grego kakoethes e significa “hábito próprio de uma pessoa ou de um grupo; sestro, mania”, Aurélio. Muitas pessoas falam ou escrevem usando cacoetes na pronúncia ou na grafia, no estilo, dificultando a interpretação. Na redação científica deve-se evitar isso.
18. Cacofatomania. Defeito de procurar cacofonia na fala de pessoas que se comunicam bem.
19. Cacofonia (na fala). Do grego kakos, mau + phonê, som e significa som mau, som ruim. É a produção de som desagradável resultante da união das palavras na frase, falando ou lendo.
Exemplos: “Paguei mil reais por cada máquina”. Seria melhor escolher a seguinte construção: “Paguei mil reais por máquina”; ou “Paguei mil reais por peça”; ou ainda: “Paguei mil reais por unidade”. Omitindo a palavra cada se resolve o problema.
“Dirigir com apenas uma mão dá multa”. Resolva a dúvida: “Dirigir com uma só mão, dá multa” e elimine a criação da palavra mamão.
“A pedra acertou na boca dela”. Seria melhor: “A pedra acertou na boca da fulana...”. Ou, numa colocação mais longa: “Dona Justa estava lá e acertaram uma pedra em sua boca”.
“Naquele tempo ela tinha dinheiro”. Resolvendo: “Naquele tempo ela possuía dinheiro”. Possuir quase sempre é sinônimo de ter, solucionando o problema da latinha.
Outros exemplos: Ele marca gol, nunca agora, nunca ganhou, nunca gado, conforme já disse, dá-me já isto, vara de tocar gado, vou-me já porque já está pingando (chovendo). Essas expressões são desprovidas de conhecimento, de zelo e de qualidade comunicativa. Ver cacoépia.
20. Cacografia. Do grego kakos, mau + grafia, escrita e quer dizer escrita má, escrita ruim ou escrita errada na redação.
A diferença entre cacofonia e cacografia é porque a primeira acontece na fala e a segunda, na escrita. Muitas palavras prefixais iniciadas com caco têm sentido de mau, má, ruim, esquisito(a).
21. Cacologia. Do grego kakós, mau, feio, defeituoso, horrível, esquisito + logia, estudo e significa estudo das expressões feias, mal faladas, emitidas de forma errada.
A cacologia representa um universo de defeitos na fala e na escrita como se fosse uma síndrome literária e retórica, pois abrange todas as áreas da comunicação, da expressão, da redação.
22. Caducidade. Do latim “caducus”, que cai; é a qualidade do discurso escrito ou falado com utilização de palavras caídas em desuso, ultrapassadas. Uma redação com palavras arcaicas revela despreparo do redator.
23. Calão. Do cigano caló e quer dizer conjunto de expressões grosseiras, obscenas e vergonhosas no meio dos discursos ou textos sérios e dirigidos a pessoas de boa classe social.
Muitos oradores e escritores têm traumas de infância e, por isso, praticam o mau costume de descarregar esses traumas nos discursos, nos textos, como tentativa de se livrar da situação em que se acham presos.
É um problema de ordem psicológica, cujos sintomas se manifestam como pedido de socorro da alma angustiada e insatisfeita. É uma maneira que a alma encontra para externar sua infelicidade, gritar, pedir ajuda.
24. Calinose. Do antropônimo calino, tolo, bobo, que só abre a boca para dizer disparates + -ose, ação e significa costume de falar ou escrever asneiras, palavras indecentes, feias, inconvenientes.
25. Cavilação. Do latim cavilattio, zombaria e quer dizer discurso ou texto impregnado de crítica pejorativa. Não é figura de linguagem e, sim, vício, pois se manifesta de modo pernicioso, nocivo, agressivo.
26. Colisão. É a sucessão inconveniente ou desagradável de consonância na entonação das palavras. Exemplos: “O rato roeu a roupa de Rômulo, rei de Roma”. São seis palavras iniciadas com “r” numa frase curta, o que dificulta a compreensão do sentido e atrai atenção para poesia na prosa. Esse erro pode ser chamado de desvio semântico.
Um texto ou discurso com esse tipo de expressão descaracteriza o comunicador. “Você se separou de sua sala sozinho”. Veja o atropelo de som: cê, se, se, sua, sa, so, numa oração pequena. Quando for corrigir sua redação elimine isso!
27. Dimanação. Do latim di(s), dificuldade + manare, correr gota a gota e significa discurso lento demais que prejudica a compreensão e a interpretação e cansa o leitor ou ouvinte.
28. Dislalia. Do grego di(s)-, dificuldade + lalia, fala, conversa, e significa dificuldade na fala devido a lesão no aparelho fonador. É um tipo de defeito de linguagem provocado por problema de saúde. Na redação, você, às vezes, comete erro tipo de erro misturando palavras e trocando classes gramaticais de forma indevida.
29. Dislexia. Do grego di(s)-, dificuldade + léxis, palavra e quer dizer dificuldade na pronúncia das palavras provocada por alteração circulatória nos centros cerebrais. É um caso típico de defeito de comunicação falada devido a problemas de saúde.
30. Dislogia. Do grego di(s)-, dificuldade + logos, palavra e significa dificuldade de pronúncia causada por problemas psicológicos. É provocada por insanidade mental.
31. Dissimulose. Do latim dissimulare, ocultar astutamente + -ose, ação e significa prática de oratória ou escrita que omite as melhores verdades e publica somente as inferiores. É o mesmo que deixar o “pulo do gato” como reserva maquiavélica contra alguém dentre os ouvintes ou leitores.
32. Eco. É a concorrência indevida de palavras com a mesma terminação formando rima no texto em prosa. Ex.: “A flor tem odor de frescor fora do calor”. “Você esqueceu que foi o meu pé que doeu, não foi o seu, Eliseu”, K.Y.R.. Eco é o mesmo que colisão.
33. Enálage. Do grego enallage, troca morfológica de categoria de palavras com esse mesmo sentido. É, por exemplo, confundir verbo com substantivo, substantivo com verbo, adjetivo com substantivo, verbo com adjetivo, preposição com conjunção e vice-versa e ainda outras confusões.
Pode-se trocar classes morfológicas, sim, desde que se faça isso sem criar problemas. Ex.: As palavras-chave do texto são justiça e verdade. O termo chave é substantivo, mas foi usado corretamente como adjetivo (qualidade, característica) e, nesse caso aplicado, é invariável.
34. Eruditismo. Excesso de polidez técnica, científica e etimológica. Quando é praticado no meio popular perde o sentido e não atinge o alvo. As massas populares não alcançam estrangeirismo nem poliglotismo nem textos científicos avançados.
Por outro lado, se tal tendência ou trabalho for desenvolvido no meio acadêmico, universitário, empresarial da alta indústria, sim, produzirá os devidos frutos e alcançará o objetivo preestabelecido. Ex.: “Seu estilo de falar e escrever é sui generis”. K.Y.R. Em que nível está esta frase? Erudito!
Sim, é verdade, cada um tem estilo próprio, mas, primeiro: ninguém tem um estilo simples (sem nenhum tipo de influência externa), puritano, exclusivo, criado por si mesmo e preservado originalmente.
Eruditismo não é o mesmo que ser erudito. Enquanto aquele é vício, esse é qualidade intelectual, grande conhecimento com boa capacidade de expressão, de comunicação. “Fulano é um erudito”, certamente significa que tal pessoa sabe muito, expressa bem e de forma compreensível e útil.
35. Esdruxulose. Do italiano sdrúcciolo, esquisito, extravagante + grego -ose, ação (palavra híbrida: italiano + grego) e significa expressão extravagante pelas palavras acompanhadas de atitudes exibicionistas na escrita ou na fala. Ex.: Disse certa mulher: “Estou com meus beiços sujos de tanto comer lábios de porco”.
36. Estrangeirismo. É a tendência para usar muitas palavras de outros idiomas como forma de mostrar amor à cultura estrangeira (principalmente quando se trata de Nação de Primeiro Mundo) ou exibir conhecimento cultural, prejudicando, assim, a simplicidade da fala, da escrita, da leitura.
O estrangeirismo pode ser classificado em vários tipos, como: afrismo, de africano; anglicismo, de inglês; castelhanismo, de espanhol; galicismo ou francesismo, usando palavras ou estilos franceses; germanismo, de alemão; hebraísmo, de hebraico, helenismo, de grego; italianismo, de italiano; latinismo, de latim; lusismo, de português de Portugal; nipismo, do Japão e muitos outros.
Algumas pessoas praticam o estrangeirismo causando dupla interpretação: primeira, aquela que a própria pessoa que fala ou escreve pensa ou determina; segunda, a interpretação que os ouvintes ou leitores dão aos termos estrangeiros que, quase sempre, acabam ficando no ar...!
A comunicação não está no que se fala ou escreve, mas, ao contrário, no que o receptor entende. O comunicador xenófilo alcança um número muito reduzido de receptores, principalmente entre as classes sociais médio-baixa e baixa.
37. Matutice. Do latim matta e significa terreno onde nascem árvores silvestres, selva, mata virgem. A palavra é transformada em matuto (habitante da mata) e seguida do sufixo -ice que quer dizer qualidade ou estado.
Assim, matutice significa, literalmente, situação das pessoas que nasceram e/ou moram na mata, ou seja, na zona rural, caracterizada pela falta de repertório para falar e escrever, ou por apresentar palavras típicas do ambiente rural no meio da sociedade urbana. Ver Arcaísmo e Barbarismo.
38. Neologismo. É a criação de palavra nova para se referir a algo conhecido. Quando se refere a alguma coisa nova, não se trata de neologismo vicioso, mas de criação morfológica. Exemplo de palavra que foi vício e hoje é termo atual: “Aproveitem o preço! É uma oferta imperdível”.
A palavra imperdível parece ter sido criada como atração de marketing, sem levar em conta, na época, sua inexistência. Os dicionários, porém, já mencionam essa palavra.
“Eu sou indormível” (Eliel Carvalho Macêdo). A criança de dez anos quis dizer: Eu estou com dificuldade para dormir, mas acabou criando uma palavra nova para o repertório dos brasileiros.
“Enorme carreata seguiu o presidenciável”. A palavra presidenciável foi criada no Brasil com relação a candidato a presidente da República.
É termo para o momento da política, mas a palavra não existia. Hoje, sim, já faz parte do vocabulário oficial da língua portuguesa.
Esse tipo de neologismo (quando foi criado) se baseava em algum termo correto, mas não se propunha a dar explicação técnico-etimológica; portanto, não devia ser considerado válido para a linguagem culta a ser usada na boa redação da época.
Exemplo de criação correta por composição. Holoteísmo, do grego hólos, todo, inteiro, completo, + Theós, Deus, o Todo-Poderoso + ismo, sufixo que significa doutrina, modo de crer e de pensar. No sentido prático: doutrina baseada exclusiva e totalmente em Deus e Sua Palavra. Esta palavra foi organizada com esse sentido em 2000, por Raimundo Macêdo Pinto.
39. Obscuridade. É a indevida colocação das palavras deixando o sentido duvidoso, às vezes, por pontuação defeituosa, palavras sem harmonia entre si, termos mal aplicados dificultando, assim, a interpretação. Ex.: “Não sei! Na verdade, ontem eu fui lá, mas vou tentar descobrir tudo amanhã”. Falou, falou e nada falou; ou escreveu, escreveu e nada escreveu, pois tudo ficou obscuro.
Determine o sentido correto da frase abaixo: “Irás voltarás não morrerás”. Parece que a frase está dizendo que alguém vai a algum lugar, não morrerá e voltará. Mas, se colocarmos pontuação podemos mudar totalmente o sentido.
Veja: “Irás. Voltarás? Não! Morrerás!” Analise, ainda, outra opção: “Irás, voltarás, não morrerás”. O escritor pode ter a intenção de exprimir um conceito, mas por fraqueza de pontuação e distribuição das palavras acaba transmitindo outro que pode mudar o resultado. Isso é péssimo em redação!
Veja esse outro exemplo: “Eu te garanto agora: tua vitória acontecerá”. A mesma frase com outra pontuação pode mudar a mensagem: “Eu te garanto: agora tua vitória acontecerá”. Compare as duas frases e tente descobrir a diferença.
40. Perífrase. Do latim periphrase e significa uso de frases rebuscadas e locuções especiais em substituição às formas simples e corretas, frases ao redor, circunlóquio. É o costume de falar ou escrever utilizando palavras escolhidas para dar um tom mais nobre, mesmo que a pessoa não seja especialista em nada.
Pelo que parece, a intenção dos perifrásticos é mostrar alto conhecimento linguístico, mesmo que não o possua. As pessoas não especializadas que se dão ao luxo de usar perífrase caem em muitas gafes, pagam desagradáveis micos e passam muita vergonha. Ver preciosismo e eruditismo.
41. Perissologia. Do grego peri, movimento em torno, em volta de, acerca de, ao redor de + logia, de logos, palavra. Portanto, perissologia é o vício de linguagem que consiste em repetir várias vezes a mesma mensagem com palavras diferentes, para expressar pensamentos já enunciados. É o mesmo que Pleonasmo vicioso. É uma forma de mensagem chata, cansativa.
42. Plebeísmo. A palavra plebeísmo vem de plebeu (pessoas mais pobres) + ismo, doutrina, ideologia, maneira de crer, de pensar, linha de raciocínio filosófico, político ou religioso. Portanto, significa doutrina ou ideologia do povo, da plebe.
Esse termo foi criado em 1844, segundo Cunha (1991, p. 613), em oposição à palavra nobre usada naquela época. Por isso, tem uma conotação pejorativa além de povo, mas povo pobre, ao contrário dos ricos. É o desvio criativo da linguagem padrão.
É o mesmo que gíria. Existem dois tipos de plebeísmo: o cultural e o individual. O cultural é coletivo, imitativo, não original, de acordo com as normas de um grupo, povo, turma, tribo, gangue.
Porém, o plebeísmo individual é mais limitado, particular, cada indivíduo tem suas próprias manhas, suas gírias. Certo cantor brasileiro criou a palavra sexonhei sem dar nenhuma explicação técnico-científica ao termo e, assim mesmo, divulgou o novo vocábulo através de uma canção. Esse neologismo, no entanto, ainda não faz parte da língua oficial.
43. Pleonasmo vicioso. É a repetição desnecessária de termos ou conceitos revelando falta de conhecimento da norma culta ou da linguagem padrão. Existe pleonasmo como figura e como vício de linguagem.
Como figura, ele dá um tom de beleza ao texto; como vício, evidentemente, é a revelação de uma linguagem pobre e machucada. Ex.: “A brisa matinal da manhã”, “entrar para dentro”, “sair para fora”, “criar novos empregos”.
Matinal quer dizer da manhã, por isso dispensa a locução redundante. Seria o mesmo que dizer: “A brisa da manhã da manhã”. Legal? “Ele teve uma hemorragia de sangue”. A palavra hemorragia significa escoamento de sangue fora das veias.
Quem diz hemorragia não precisa acrescentar de sangue. A redundância representa essa realidade: “Ele teve um escoamento de sangue de sangue”. Lindo? Você pode escolher: “Ele teve um escoamento de sangue”, ou “Ele teve uma hemorragia”, e não há necessidade de repetir os termos e o sentido.
“Entrei para dentro e encontrei pessoas saindo para fora”, K.Y.R. Ninguém entra para fora nem sai para dentro, por isso a forma é pleonástica viciosa.
Outros exemplos típicos de pleonasmos viciosos ou jargões inconvenientes:
Vários parágrafos. Veja: a razão é porque, a seu critério pessoal, a última versão definitiva, abertura inaugural, abrir com chave de ouro, acabamento final, acho que na minha opinião, acrescentar mais um, adiar para depois, adiar para o dia..., amanhecer o dia.
Anexo junto à carta, aprofundar para o fundo, ataque fulminante, avançada tecnologia, avançar para frente, certeza absoluta, chuva fria, começar no começo, comparecer em pessoa, concluir no fim, confortável mansão.
Continua a permanecer, conviver junto, coroar-se de êxito, criação nova, derrota triste, desagradável tragédia, descer para baixo, detalhes minuciosos, diário por dia.
Dividir em duas metades iguais, elo de ligação, em duas metades iguais, embora que, empréstimo temporário, encarar de frente, encher totalmente, enquanto que, entrar para dentro, erro gritante, escolha opcional.
Espantoso acidente, estrepitosa vaia, estrondoso sucesso, exceder em muito, expressamente proibido, fato real, fazer o bem a favor de..., fazer o mal contra..., festa alegre, ganhar grátis.
Grande fortuna, grandeza enorme, gritar bem alto, há anos atrás, incalculável riqueza, inflação galopante, inserir no contexto, juntamente com, líder carismático, literalmente tomado, luto triste, luz no fim do túnel, manter o mesmo.
Mensal por mês, mínimos detalhes, misturar juntos, mormaço quente, multidão de pessoas, nem este e nem aquele, no entanto que, nos dias 8, 9, 10 inclusive, noturno da noite, o mais absoluto, outra alternativa.
Panorama geral, pavoroso incêndio, pensar com a mente, pequeno átomo, perfeita sintonia, planejar antecipadamente, possivelmente poderá ocorrer, prata da casa, prefeito municipal (há prefeito estadual?), propriedade característica.
Quantia exata, quase que, repetir de novo, repetir outra vez, retornar de novo, retroceder para trás, sair fora, sair para fora, se caso ele, seguir para frente, sintomas indicativos, subir para cima, sucesso famoso, superávit positivo.
Surpresa inesperada, todos foram unânimes, toque de caixa, torno a dizer mais uma vez, totalmente cheio, tristeza triste, um certo, um maior, um melhor, um menor.
Universal do mundo, vazio sem nada, vereador da cidade, vespertino da tarde, visivelmente claro, vitória alegre, vitória esmagadora, voltar para trás, volto a repetir e outras expressões inconvenientes, magras, chulas, sem vida e capazes de mostrar incompetência na redação, no discurso.
Um sinônimo de pleonasmo vicioso é redundância que vem do latim redundare, e quer dizer sobejar, transbordar, além do necessário, exceder, desde o século XVI, segundo Cunha (1991).
Veja: O sentido prático do termo é que a pessoa fala ou escreve repetindo palavras e conceitos para enfatizar demais deixando o texto transbordando, cheio de termos desnecessários, dispensáveis e característicos de quem tem pouco conhecimento linguístico, que não sabe escrever nem falar corretamente.
44. Preciosismo. É o mau costume de falar ou escrever com esnobismo, exagerando nas palavras, comprometendo a clareza e a boa interpretação.
45. Prolixidade. Eis um defeito grave, escrever demais, a mais, em excesso. Os principais problemas nessa área são dois: usar palavras desnecessárias e termos repetitivos, supérfluos e sem novidade.
Esse defeito aparece quando o redator diz o dito, faz o feito, repete o que já foi confirmado e assim por diante.
46. Silabada. “Adão é o prototipo de todos os homens” K.Y.R. O termo prototipo foi usado de modo equivocado, pois sua forma correta é protótipo e significa primeiro tipo, primeiro exemplar, modelo.
“Eu registrei minha rúbrica no cartório”, K.Y.R. A palavra rúbrica está errada, deveria ser escrita e pronunciada rubrica, com a tônica no bri, e seu significado é, além de outros, “firma ou assinatura abreviada reconhecida como autêntica”, Aurélio.
47. Solecismo. É o desvio sintático fugindo à norma culta e caindo no generalizado erro nu de português. Ex.: “Fazem dois meses que ele não aparece”. A norma culta adota a grafia: “Faz dois meses...”. Portanto, há um desvio de regra gramatical.
“Fazem muitos anos que não vejo-o”. O verbo fazer no sentido de existir deve ser usado na forma faz e a palavra não antes do verbo requer a próclise, pronome antes do verbo: não o vejo.
“Não espere-me, porque eu não irei”. Segundo a regra de colocação pronominal, qualquer termo negativo atrai o pronome átono para antes do verbo: “Não me espere...”.
“Não deixe-me cair da fé” K.Y.R.. A palavra não, por ser negativa, requer próclise, ou seja, pronome átono antes do verbo. Portanto, há um desvio de sintaxe quanto à colocação pronominal. Correto: “Não me deixe cair da fé”.
“Assisti o filme que você recomendou”. O verbo assistir requer a colocação da preposição a depois dele, assim: “Assisti ao filme...”. Portanto, o exemplo contém um desvio na sintaxe de regência. Assistir o... é dar assistência a.
“Eles acabam de saírem”. Domingos Paschoal Cegalla diz que o infinitivo regido das preposições a ou de formando locução com os verbos acabar, começar, continuar, entrar, estar, fazer, tornar e outros análogos, o verbo deve ser usado no impessoal.
A frase correta, segundo o gramático, é: “Eles acabam de sair”. “Eles sabem o que têm para fazerem” K.Y.R. Deveria ser: “Eles sabem o que têm para fazer”. A preposição antes do verbo leva-o para o infinitivo impessoal, fazer.
“Haviam vários livros sobre a mesa”. Ao invés disso, deve ser: “Havia vários livros...”. “Eu vi ela não fazem muitos anos”. Corrija: Eu a vi não faz muitos anos. Pois viela é um beco sem saída.
Quanto ao verbo fazem, não deve ser flexionado, pois quando se refere a existir permanece no singular: faz.
Algumas figuras de linguagem são usadas para embelezar o texto, dar-lhe tom poético. Porém, às vezes, explica-se a mesma figura como vício de linguagem. Ex.: pleonasmo. Há o pleonasmo como figura e como vício, dependendo da maneira como é utilizado. Exemplo de pleonasmo como figura: “É rir meu riso e derramar meu pranto” (Vinícius de Moraes).
Pleonasmo como vício de linguagem: “Eu subi para cima e não suportei o frio gelado; tive que descer para baixo, onde o calor é quente” K.Y.R. A ausência dos itens da qualidade de um bom texto representa defeito ou fraqueza de redação.
Ninguém é capaz de redigir ou falar bem sem observar as regras básicas para a produção de texto ou de discurso especial (fala, diálogo, expressão, resposta, pedido, comentário, aviso...).
48. Tautologia. “Vício de linguagem que consiste em dizer sempre a mesma coisa, por formas diferentes”, Dicionário Globo. Ver Pleonasmo vicioso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CUNHA, Antonio Geraldo da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2ª ed. 4ª impres. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1991.
MÍINI HOUAISS Dicionário da língua portuguesa. Instituto Antônio Houaiss de lexicografia. São Paulo: Editora Moderna, 2010.
ERNANI E NICOLA. Redação para o 2º grau. 2ª Edição. São Paulo: Editora Scipione. 1996.
FERNANDES, Prof. Fernando Sérgio. Psicólogo. Aulas do curso de redação avançada. Porangatu – GO: Escola Gercina Teixeira. 2003.
GRANATIC, Branca, Técnicas básicas de redação, 7ª Edição. São Paulo: Editora Scipione.
LIMA, Rocha, e Raimundo Barbadinho Neto. Manual de redação, 4ª Edição, 2ª Tiragem. Rio de Janeiro: FAE, Ministério da Educação, 1988.
MARTOS, Cloder Rivas e Roberto Melo Mesquita. Técnicas de redação e criatividade. 4ª Edição. São Paulo: Editora Saraiva, 1986.
OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de, MiniManual compacto de redação e estilo, 1ª Edição. São Paulo: Editora Rideel, 1999.
SACCONI, Luiz Antonio, Gramática essencial ilustrada, 25ª Edição. São Paulo: Atual Editora, 1996.
SACCONI, Luiz Antonio, Nossa gramática teoria e prática, 25ª Edição. São Paulo: Atual Editora, 2000.

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