24/08/2026
Para fechar a cobertura do Rio Innovation Week, o tema que mais ficou comigo veio de Bia Nunes, presidenta da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas. Ela disse algo que carrego desde então: inovação também nasce da ancestralidade. Os povos quilombolas desenvolvem tecnologias desde os primórdios, do conhecimento da terra, do cuidado com as águas, da preservação da biodiversidade, da medicina popular, da organização comunitária e da transmissão de saberes entre gerações. Rigoberta Menchú, líder indígena guatemalteca e vencedora do Nobel da Paz, também esteve no evento, e boa parte da programação conectou terra, ancestralidade e memória entre passado e futuro.
O painel Tecnologias Humanas e Ancestrais, com Adriana Schneider, Rodrigo Borges e Ubiraci Pataxó, trouxe a liderança pataxó pra conversa, com a escuta como base de tudo e a relação comigo mesma, com o outro e com a comunidade. É o que os Inner Development Goals, os IDGs, propõem como investimento de liderança no mundo corporativo, desenvolver habilidades internas para ser, estar, colaborar, se relacionar e agir. Ficou comigo uma frase ouvida ali: a sabedoria da aldeia é universal, a da universidade nem sempre.
Isso me levou ao futuro do trabalho, outro eixo forte do evento. A futurista Michelle Schneider trouxe um diagnóstico que reforça o trabalho da SHEQ. Os empregos não serão substituídos em massa pela IA. O trabalho vai precisar ser reorganizado, e é dessa reorganização que vem o ganho real de produtividade. Ela comparou o momento atual ao da chegada da eletricidade, no fim do século 19, quando o ganho concreto só apareceu décadas depois, com o fluxo de trabalho redesenhado por inteiro.
Tecnologia nenhuma pode ignorar quem veio antes, os saberes que sustentaram a vida por séculos antes de qualquer algoritmo existir. É esse cuidado que orienta as tecnologias que desenvolvemos, pensadas para ajudar de verdade, corroborando com o tema do evento, a simbiose. Tecnologia e ancestralidade podem, e precisam, caminhar juntas.
Sua empresa já pensa o futuro do trabalho com esse olhar mais humano, que valoriza os saberes que vieram antes de nós? Ou a tecnologia ainda é tratada como se tivesse nascido ontem?