18/09/2026
Vamos desenhar?
Parece brincadeira, mas, às vezes, é preciso desenhar.
Uma mãe chega à terapia procurando ajuda porque o filho é gay. O trabalho da terapeuta não é investigar a infância dele para descobrir “o que aconteceu”.
Não é procurar um pai ausente, um excesso de mãe, um trauma escondido ou qualquer explicação conveniente para a orientação sexual.
A homossexualidade não é doença e não há nada ali para ser curado.
O que pode ser investigado é o sofrimento da mãe: o medo, a vergonha, as expectativas que ela criou para o filho, o conflito com a religião e a dificuldade de aceitar uma realidade que ela não escolheu.
A dor dela pode ser real. Mas a dor dela não transforma a existência do filho em um problema terapêutico.
Existe uma mistura perigosa entre prática terapêutica, religião, aconselhamento espiritual e crenças pessoais. Quando essa mistura acontece, o preconceito ganha linguagem terapêutica e começa a parecer cuidado.
Não é.
A dor da mãe merece ser investigada.
A homossexualidade do filho, não.
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