25/10/2023
Como professora da SEEDF, filiada ao SINPRO, esperei ser contemplada com a nota do sindicato, mas não foi oq aconteceu, por isso resolvi escrever sobre. Pra mim o texto da nota é: Raso, mto raso, a nota sim: pobre.
Mano Brown diz em Negro Drama que a mãe diz ao filho que por ele ser preto, ele tem que ser dez vezes melhor e ele indaga: dez vezes melhor como se estamos pelo menos cem vezes atrasados????
A fala da professora reproduz a mesma lógica: se vc é preto, feio e pobre só lhe resta estudar. Sim, de fato ela não está errada qnd reproduz quase que um mantra social que reproduz a lógica meritocráticas do “só depende de vc” e qnd esse é o único lugar que esperam da gente, o do enquadramento.
Erra a professora qnd acha que “estudar” é sinônimo de docilizar os corpos, enquadrar comportamentos e seguir scripts. Na vdd está equivocada a visão da professora sobre educação e o racismo está no fato de achar que um preto, feio (aqui pautada num padrão de beleza eurocentrico, então rotula) e pobre tem que seguir a cartilha da educação tecnicista, ou seja, que lhe faça ser “alguém na vida!”.
Mas os jovens são freireanos, as vezes, sem terem lido Paulo Freire, eles buscam uma educação libertadora em que possam exercer a cidadania; os jovens pretos são frutos do movimento negro e de uma geração que discute o racismo e já sabem que podem ser e estar onde quiserem, na escola pública ou em qualquer lugar.
Por fim, o sindicato perdeu a oportunidade de falar sobre educação, condições de trabalho, saúde mental, racismo estrutural, racismo institucional, enfim… racismo!
Professora Carli Sena