03/08/2020
Hoje é dia de mais uma cientista inspiradora, mas muito menos conhecida do que merece.
Nascia, em 02 de agosto de 1894, Bertha Maria Júlia Lutz, filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista brasileiro Adolfo Lutz.
Bertha foi uma pessoa de mente inquieta e criativa. Muito mais que uma grande cientista, foi ativista feminista e pela educação, política.
Bertha formou-se em Ciências Naturais na França. Mas foi no Brasil que consagrou-se como cientista, estudando anfíbios anuros (sapos, rãs, pererecas) em parceria com seu pai, pois enfrentou muita resistência para ser levada a sério por seus pares. E mesmo trabalhando em parceria com seu pai, até hoje muitas de suas contribuições são atribuídas à ele, mesmo havendo registros históricos que mostrem o contrário.
Trabalhou no Museu Nacional (MNRJ) por 45 anos, após ser admitida em concurso público para Secretária, em 1919. Na sua trajetória no museu foi promovida à chefe do departamento de Botânica, cargo o qual ocupou até sua aposentadoria, em 1964.
Formou-se também em Direito, aqui no Brasil, e seguiu firme com sua atuação política e de ativista feminista. Ela foi a criadora da Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (que depois ficaria conhecida por Federação Brasileira pelo Progresso Feminino), liderando a campanha pelo voto feminino no Brasil. Organizou o I Congresso Feminista do Brasil e representou as mulheres brasileiras na Assembleia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos Estados Unidos. Em 1936 tomou posse como deputada federal, cargo no qual executou propostas de mudança na mudanças na legislação trabalhista com foco nos direitos da mulher (equidade salarial, direito à licença maternidade, fim do trabalho infantil).
Em 1945 fez parte da delegação do Brasil durante a Conferência de São Francisco, seria redigido o texto definitivo da Carta das Nações Unidas. Bertha teve papel muito importante durante toda a conferência, mas vale destacar que graças à sua persistência que as menções sobre igualdade de gênero foram incluídas no texto do documento.
Essas são apenas uma parte bem pequena de toda a contribuição dessa mulher incrível para toda a sociedade, não só brasileira, mas mundial. E poucas de nós ouvimos falar dessa mulher inspiradora ao longo de nossas vidas.
E você? Já conhecia a Bertha Lutz? O que acha de espalhar a história dela por aí?
Ilustração: Laura Rocha Prado ()