09/01/2026
Durante toda minha trajetória profissional, meu trabalho esteve completamente voltado para as crianças. Sempre foi ali que eu atuei, observando o desenvolvimento, as dificuldades, as potencialidades e tudo o que precisava ser cuidado desde cedo.
Por aqui, conteúdos sempre voltados para elas, alertando e auxiliando os pais.
A cada post percebia olhares curiosos, homens e mulheres que também se identificavam com cada conteúdo e demonstravam uma carência de informação, direcionamento e acolhimento profissional.
Aos poucos adultos passaram a me procurar, indicações surgiram… Vinham carregando histórias longas, cheias de tentativas, adaptações e silêncios. Relatavam dificuldades de foco, organização, memória, ansiedade, cansaço mental e uma sensação constante de estar se esforçando mais do que os outros para dar conta da rotina, para se adaptar ao mundo.
Vistos como adultos funcionais mas com uma eterna batalha interna para se manter de pé e sobreviver sem ao menos entender de onde vinha este turbilhão de emoções.
Muitas vezes silenciados, ridicularizados, chegam fragilizados, perdidos…
Muitos haviam sido crianças que foram negligenciadas, não porque ninguém se importasse, mas porque faltava informação, olhar técnico e direcionamento. Cresceram aprendendo a compensar, a se cobrar e acreditar que o problema era quem eles eram.
Foi impossível não me solidarizar com essas histórias. Então o que era algo pontual, hoje se tornou uma nova demanda que só agrega essa jornada que tanto amo na neuropsicopedagogia.
E é por isso que agora minhas avaliações neuropsicopedagógicas também acolhem adultos.
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