09/05/2022
O físico Richard Feynman, vencedor do Nobel, dizia que muita gente acha que realmente sabe
algo, mas na verdade sabe apenas o nome desse algo -
-e
quando precisa explicar o assunto para alguém que o
desconhece completamente, percebe que não consegue
traduzir os conceitos em palavras simples.
Feynman ensinou no Brasil durante quase um ano. E
descobriu coisas estranhas sobre o nosso método de
ensino. Vocês podem ler seu relato no ensaio"O
americano, outra vez!", no livro "Só pode ser brincadeira,
Sr. Feynman".
Ele conta casos incríveis, de como os alunos não sabiam
nada - e também não se aventuravam a resolver
problemas por tentativa e erro. Ficavam paralisados, nunca faziam perguntas. Eram pessoas inteligentes, mas
assumiam uma forma estranha de pensar.
Feynman resumiu o problema dizendo que vivemos num
sistema pedagógico automultiplicador sem nenhum
sentido.
Há um exemplo esclarecedor no ensaio: um estudioso de
língua grega, que ama o grego e sabe que no seu país
raros jovens estudam grego, viaja para outro país, onde
todo mundo estuda grego. Ele vai assistir à prova de um
aluno que está para se formar e pergunta ao aluno: "Quais
eram as ideias de Sócrates sobre a relação entre o
Verdadeiro e o Belo?". Mas o estudante não sabe a
resposta. Então ele faz uma nova pergunta: "O que
Sócrates diz para Platão no diálogo 'O Banquete'?". Bom.
aí o aluno repete o diálogo do "Banquete" palavra por
palavra, e em grego.
Só há um problema: o que Sócrates discute no "Banquete" é exatamente a relação entre o Verdadeiro e o Belo.
O estudioso descobre, então, que os alunos sabiam repetir tudo o que Sócrates havia dito, mas não conheciam o sentido das ideias do filósofo, não sabiam a respeito do que estavam falando. Eram só repetidores de sons. Nunca traduziram o que leram em um significado que fosse real para suas vidas.
Isso é um sistema pedagógico automultiplicador. Para
Feynman, isso é o Brasil: muita gente sabe repetir
definições; mas poucos sabem realmente alguma coisa.
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