12/11/2025
2h30min no acolhimento, e ao retirar a máscara para beber água meu rosto estava marcado. Lembrei da época da pandemia, em que a máscara permanecia no meu rosto pelo menos 6h ininterruptas, descansava 30min para almoço, e depois voltava para o rosto por mais 5h30, ou mais. Naquela época tive uma lesão por pressão no nariz. Hoje, coleciono as marcas na alma de várias histórias que toquei e que me tocaram também.
As marcas da máscara no rosto lembram as marcas da alma causadas pelas longas jornadas, pelas vezes que me vi impotente diante de casos sem solução, pelo salário que nem sempre foi digno, pelos assédios que já sofri na profissão, pela desvalorização da sociedade quando encontra "só a enfermeira" para atendimento, pelas vezes em que colocaram preço no meu trabalho como autônoma, e por várias situações que o pessoal da enfermagem está cansado de passar.
Essas marcas me lembram que é necessário se empoderar daquilo que nos compete e trabalhar com excelência pra fazer valer a pena, e também lutar por valorização para que, se não eu, as próximas gerações da minha categoria possa ter condições de vida digna além do trabalho. 30h e piso salarial são apenas o começo de uma longa jornada que a enfermagem ainda precisa trilhar.