12/09/2016
NOTA DE REPÚDIO À GESTÃO DA EEFM DR. CÉSAR CALS ALUSIVA À OCUPAÇÃO PROMOVIDA POR ESTUDANTES DA REFERIDA INSTITUIÇÃO DE ENSINO
Nós alunos da EEFM Dr. César Cals estivemos durante o período de 06 de maio a 03 de agosto de 2016 em ocupação dos espaços da referida instituição de ensino na busca de avanços e melhorias para o conjunto estudantil, tanto da nossa escola quanto do estado do Ceará. Essas reinvindicações surgem durante o contexto da greve dos professores da rede estadual de ensino e ganha força com a luta dos estudantes do meio secundarista.
Nesse período viu-se a adesão de diversas escolas, chegando a 66 de ocupações tanto na capital quanto no interior. É perceptível o desmonte nos últimos anos causados pelos governos Cid Gomes e Camilo Santana, que tampouco valorizaram a educação básica, e culminou nessa onda revolucionária entre o meio secundarista. A Educação cearense encontra-se em estado de precarização, corte de professores e funcionários e falta de recursos adversos no cotidiano do estudante. As pautas eram comuns tanto à realidade da escola como à das demais do restante do estado. Optamos pela ocupação porque entendemos que é preciso reivindicar alguns de vários direitos que nos é oferecido na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases e em leis afins. Porém, sabemos que alguns desses direitos são negligenciados e é por eles que estamos lutando.
Nossas pautas eram bastante diversif**adas e necessárias para o cotidiano do estudante, assim sendo: mais investimentos na merenda escolar; melhorias na estrutura da escola; pela entrega do material escolar anualmente, por exemplo, os livros didáticos; pelo retorno das atividades nos laboratórios; manutenção do projeto Diretor de Turma; representação estudantil na mesa de negociação de pautas da greve; por mais acessibilidade na escola; pela permanência do PIBID; discussão de gênero e sexualidade na escola; pela revitalização do grêmio estudantil.
Desde o retorno às aulas a gestão vêm se utilizando de manobras entre estudantes e professores com utilização de instrumentos para criminalizar a ocupação e consequentemente os estudantes nela envolvidos. Isso é algo bastante irresponsável de uma gestão escolar que tampouco se abriu ao diálogo e vêm distorcendo os acontecimentos ocorridos.
A gestão, na figura do diretor Prof. Eliseu Paiva vêm articulando a disseminação de diversas narrativas mentirosas do que de fato ocorreu na ocupação, atitude bastante infeliz de um representante da gestão da APEOC (Zonal Aldeota), onde tal sindicato tem como missão promover a consciência de classe, a prática democrática, a valorização social, política e econômica da escola pública e dos trabalhadores da educação – e tal gestor, como representante desse sindicato acaba rompendo com princípios norteadores e sua missão.
Além disso, vê-se a instauração de um abaixo-assinado articulando o conjunto de representantes de turma para exigir a não participação do Levante Popular da Juventude e ex-alunos do mesmo – e isso culmina em especulações de possíveis expulsões dos envolvidos.
A ocupação teve como intuito buscar um conjunto de melhorias para a nossa escola, jamais o contrário e entristece-nos a forma como vêm sendo tratada a mesma no imaginário coletivo de professores, estudantes e servidores. Acreditamos que devemos caminhar juntos por mais avanços para a EEFM Dr. César Cals e jamais tratar os ocupantes como criminosos, aliás, estamos sonhamos e lutamos por um lugar melhor de se estudar, aprender, conviver e crescer – e esse foi dos princípios bases dessas ocupações.
Nós, ocupantes, não somos inimigos da escola, ao contrário, estivemos dando cara à tapa por mais melhorias e sofrendo para além da repreensão interna, mas também externamente da polícia truculenta e militarizada. Queremos se abrir ao diálogo e expor os fatos devidamente ocorridos e nossos rostos são bastantes conhecidos pelos corredores dessa instituição de ensino – nos procurem, somos humanos e estamos abertos ao diálogo; só não toleraremos qualquer medida retrógrada e difamatória ao nosso respeito. Isso é assédio, é criminoso e recorreremos à ações legais referentes à isso!
Para finalizar, reafirmamos a vitória dos estudantes secundaristas: No dia (31/08) foi assinado o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) pela SEDUC (Secretaria de Educação do Estado do Ceará), na qual a mesma se responsabiliza por garantir que o governador Camilo Santana cumpra as pautas de reinvindicações exigidas pelos ocupantes durante o período de greve.
Assinam a nota:
Estudantes da EEFM Dr. César Cals