30/12/2017
LabSar - Laboratório do Semiárido
Lima, ambos Engenheiros Agronomos com Doutorado em Economia Rural. Para tanto conta com o trabalho voluntário de uma Bibliotecária.
O Laboratório do Semiárido (LabSar) foi criado no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal em maio de 2014 pelos Professores José de Jesus Sousa Lemos e Patrícia Verônica P.S. O LabSar visa desenvolver trabalhos de pesquisa, fazer extensão, fomento e educação visando encontrar alternativas de convivência da população do Nordeste, sobretudo aquela que sobrevive sob o clima Semiárido que
30/12/2017
19/12/2017
Confraternização de Natal do L@bSar.
O L@bSar deseja à todos um ótimo natal e um próspero ano novo.🌵
José Lemos*
Uma das sabedorias e generosidades da mãe Natureza para conosco que vivemos deste lado do planeta está associada à safra de caju que começa em agosto, atinge o seu pico em outubro, e declina até a chegada das chuvas, no final de dezembro. Portanto, a safra de caju acontece no período de estiagem. Isto, para quem mora deste lado do País, tem uma enorme relevância social. Por causa da estiagem e, devido às secas cíclicas, os agricultores do semiárido encontram guarida numa atividade única, que lhes consegue gerar ocupação e renda, depois de passada a quadra chuvosa (janeiro a junho deste lado do Brasil) em que as lavouras anuais, se conseguiram vingar, já foram colhidas.
Ainda prevalece por aqui o “cultivo”, em signif**ativa maioria, por geração espontânea, em que a difusão da semente do cajueiro é colocada sobre o solo pela ação dos agentes físicos e biológicos que a natureza providencia. Não são, no geral, cultivos, quando se fala de um ponto de vista agronômico, em que o ser humano interfere na natureza semeando ou plantando mudas, acompanha o desenvolvimento da cultura, lhe provendo todos os tratos culturais para obter boas colheitas de castanha (o fruto) e do pedúnculo (pseudo-fruto), que é a parte colorida e vistosa do caju. Os cajueiros maranhenses, de forma generalizada, são “cultivados” assim.
Isso acontece também porque a espécie que prevalece por aqui é a que chamamos de “cajueiro gigante”, cuja primeira colheita apenas acontecerá oito a dez anos depois da brotação da semente. Uma árvore bonita, mas com baixa produtividade, além de ter um custo elevado para a colheita dos frutos em grandes alturas.
O principal produto comercial do cajueiro é a castanha. Por esta razão, algo como 80%, dos pseudofrutos (pedúnculos hipertrofiados), é desperdiçado, até porque no ato da coleta caem sobre o solo, machucam e perdem qualidade para o consumo in natura, ou para serem transformados em sucos, doces e outras delicias do caju.
Em 2002 a EMBRAPA lançou o cultivar BRS226 que é conhecido com cajueiro “anão precoce”. É assim identif**ado devido ao seu pequeno porte na fase adulta. Raramente ultrapassa 2,5 metros de altura, permitindo que os frutos possam ser colhidos com as mãos. O clone é recomendado para o mercado de amêndoa, mas seus pedúnculos, ou falsos frutos, vêm agradando também às indústrias de sucos. Segundo a EMBRAPA: “Essa variedade se mostra mais resistente às pragas e doenças, que ocorrem em cajueiros nos grotões e chapadas do semiárido nordestino”.
Atualmente os maiores produtores de caju são os semiáridos do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. As áreas dos pomares com cajus nestes estados representam, respectivamente: 63%; 15,5%; e 14,1%, do que existe no Brasil. No Maranhão estão apenas 1,9% dessas áreas. O Leste do Maranhão, onde está o nosso semiárido, que tem dificuldades de cultivar lavouras devido à intermitência das chuvas, possui enorme potencial para alavancar cultivos de cajueiros em escala comercial, tanto em nível familiar como de pequenas e médias empresas.
Naquela área que padece de pobreza generalizada, poderão brotar dos solos fracos, arenosos, de irregular pluviometria, elevada temperatura e baixa umidade, arbustos de cajueiros, cujas inflorescências, a partir de maio, atrairão abelhas e nos meses de agosto brotarão as belezas coloridas, de gostoso aroma e sabores dos cajus.
Agora que o Maranhão foi reconhecido como tendo áreas semiáridas, as nossas energias devem se voltar para tentar criar condições de vida digna para as populações dos municípios já incorporados. Em Araioses, a principal atividade das áreas rurais é a degradante coleta de caranguejo uçá que, além de está contribuindo para devastação da espécie, os catadores são explorados por um único atravessador de Fortaleza. Os catadores recebem entre R$0,50 a R$0,75 por animal e aqui em Fortaleza os preços variam de R$5,00 a R$20,00 a unidade. Os caranguejos são alguns dos animais mais maltratados, desde a coleta até a morte terrível em caldeirões com agua em fervura.
Araioses no Semiárido pode se transformar num celeiro produtor de cajus. Atividade que pode se espraiar para Timon, Tutoia e ocupar todo o Leste Maranhense...
Temos potencial para nos juntar ao Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí e nos transformar em grandes produtores de castanha e de pedúnculo. Com acesso, de forma diferenciada, aos recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) que beneficia as áreas sob o semiárido, podem brotar projetos de plantio de pomares de cajueiros que terão grande relevância econômica, social e ambiental para aquela área.
A atual produção de caju, ainda que de forma precária, é realidades no leste maranhense... Mas pode se transformar em atividade de elevada rentabilidade, envolvendo agricultores de diferentes portes, gerando renda, riqueza e mudando aquela paisagem desnuda de cobertura vegetal, que f**ará esverdeada com os arbustos de cajueiros. De quebra, o Semiárido maranhense também pode se transformar em grande produtor de mel de abelhas “Tiuba” que “gostam muito de visitar as flores de cajueiros”, como nos ensinam os meliponicultores que ali existem em quantidade até razoável, apesar da dificuldade de floradas causada pelo clima semiárido.
Caju no Semiárido Maranhense pode ser um belo mote para o futuro imediato.
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*Texto publicado em 16/12/2017.
25/11/2017
Parabéns ao Professor Lemos, coordenador do LabSar por contribuir nessa conquista.
"Maranhão no Semiárido: um sonho finalmente conquistado..."
24/11/2017
"O Semiárido nunca foi tão grande no Brasil. A região, conhecida pelo clima quente, ganhou mais 73 municípios na quinta-feira (23) e agora compreende 1.262 cidades. O número foi redefinido na XXII Reunião do Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que desta vez foi realizada em Fortaleza e também definiu a programação orçamentária do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Serão R$ 23,8 bilhões em 2018, com a possibilidade inédita de apoio ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). "
Sudene inclui 24 municípios da Paraíba na zona do semiárido Decisão considerou o percentual diário de déficit hídrico e índices pluviométrico e de aridez.
20/11/2017
Fida vai liberar R$ 16 milhões para projetos do Viva o Semiárido Recursos são para prosseguir com as atividades produtivas de famílias rurais.
16/11/2017
Encerramento do curso de Agroinformática oferecido pelo L@bSar, com orientação do mestrando em Economia Rural Esteban Ramírez. 🌵👏📋📊📈
14/11/2017
“Cada dia a gente ouve a voz do rio mais baixo” Mas a gente vai continuar lutando pra um dia ver o rio voltar a falar alto, ouvir mais forte o barulho das suas águas
14/11/2017
Criação de búfalos no semiárido dá certo mesmo em cenário adverso A teimosia de um fazendeiro transformou parte do semiárido do RN. Búfalas se multiplicaram e dão o leite que sustenta uma fábrica de queijos.
Maranhão de Contrastes
José Lemos*
Era meado de 2013, a Direção do Conselho Regional de Economia do Maranhão (CORECON-MA) que havia me condecorado com o honroso titulo de “Economista Emérito” me convidou para escrever um dos sete Capítulos do Livro que receberia o título de “Ensaios sobre a Economia Maranhense”, publicado em agosto de 2014.
Os colegas do CORECON conheciam as três edições do meu livro “Mapa da Exclusão Social no Brasil: Radiografia de Um País Assimetricamente Pobre” e também haviam acompanhado o trabalho que eu executei, com muita dedicação, como Secretário de Estado em duas pastas do então Governador José Reinaldo (2002-2006), e queriam que eu registrasse no capitulo do livro parte daquelas experiências.
Escrevi um Capítulo denso a que designei de “Maranhão: Um Estado (ainda) Rico em Recursos Naturais com População Empobrecida”. No título do trabalho eu tentava sintetizar os contrastes que a nossa terra apresenta.
Possuímos ao menos cinco rios perenes: Tocantins, Parnaíba, Itapecuru, Mearim e Munim. Todos esses eles têm afluentes, sob as formas de rios menores ou riachos, que os irrigam, formando um “sistema venoso” que privilegia uma parte do nosso estado com uma relativa fartura de água. Isto sem falar na pluviometria privilegiada que prevalece no Litoral e na parte ocidental do estado, fronteiriça com a Amazônia.
Os nossos solos não são dos melhores, em termos de fertilidade natural, mas há uma predominância de áreas planas, que facilitariam procedimentos agrícolas mais elaborados, não fosse a nossa grande indigência tecnológica.
Em 1995 eu publiquei dois trabalhos na Universidade da Califórnia na minha última estadia por ali como Visiting Scholar (1994/1995). Num desses trabalhos sob título: “Desertif**ation of Drylands in Northeast of Brazil” (Desertif**ação nas terras secas do Nordeste do Brasil) eu elaborei um instrumento matemático que me ajudou a mapear todos os municípios dos nove estados do Nordeste com base em indicadores de desertif**ação reconhecidos por entidades internacionais que cuidam do tema.
Naquele documento f**ava demonstrada a “vocação” que boa parte dos municípios do Leste Maranhense já tinha para fazer parte das ASD (áreas suscetíveis à desertif**ação). Os indicadores de degradação dos recursos naturais dos municípios daquele lado do Maranhão, em muitos casos, já eram semelhantes, (até piores) àqueles que encontramos em municípios das ASD daqui do Ceará e do Rio Grande Norte, que são os dois estados com maiores inserções geográf**as no Semiárido Brasileiro.
Em 2001 eu publiquei na Revista Econômica do Nordeste (REN) um artigo cujo título é : “Níveis de Degradação no Nordeste Brasileiro”, em que, com base nos dados do Censo Agropecuário de 1996, eu retomei partes do trabalho (a mesma metodologia) que eu havia desenhado na Universidade da Califórnia com dados de 1980 e 1985.
Neste, que é um dos meus trabalhos mais citados, f**a confirmada a “vocação” que os municípios maranhenses do Leste têm para serem ASD. Neles, os recursos naturais desaparecem a uma taxa de aceleração alucinante.
Mais recentemente colegas da Universidade Estadual do Maranhão escreveram um documento seminal sob titulo: “PAE-MA: Programa de Ação Estadual de Combate à Desertif**ação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Estado do Maranhão” publicado em 2012, em convênio da Secretaria de Meio Ambiente e Ministério do Meio Ambiente.
Todos esses documentos tem em comum mostrar a forte degradação dos recursos naturais do Maranhão a olhos vistos, sem que qualquer iniciativa mais arrojada seja tomada para que haja reversão dessa tendência que, pelo andar da carruagem, inexoravelmente irá jogar todo o Leste do Estado em áreas desérticas. Por baixo, ali residem ao menos 1,3 milhões dos quase sete milhões da população maranhense. A grande maioria desse contingente em estado caótico de pobreza absoluta. Aquela em que faltam os ativos essenciais à sobrevivência com um mínimo de dignidade.
Por isso é que estamos numa luta quase quixotesca, que já dura doze (12) anos, de tentar sensibilizar as autoridades maranhenses no sentido de fazerem gestões junto à SUDENE e ao Ministério da Integração Nacional para reconhecerem esse estado de coisas. Os técnicos que decidem acerca do que é, e do que não é semiárido, o fazem fundados em estatísticas defasadas. Demonstrei em trabalho acadêmico, que transferi para o Governo do Maranhão, que a nossa indigência é tão grande que sequer temos condições de prová-la, tal é a nossa também pobreza tecnológica. Os técnicos da SUDENE que decidem sobre os municípios que estão ou não nas ASD (áridas, semiáridas e sub-umidas secas) o fazem com base em estatísticas desatualizadas, ou atualizadas com base no que dispõem. Onde não se consegue aferir, não chega até eles. A máxima “O que os olhos não veem o coração não sente”, é muito verdadeira. Cabe aos que tem poder de decisão, voz no parlamento, jogar luzes sobre a nossa realidade semiárida. Talvez o documento que elaboramos possa ajudar. Tomara que consiga.
*Professor Titular e Coordenador do Laboratório do Semiárido (LabSar) na Universidade Federal do Ceará. Publicado em 07/10/2017 no O Imparcial de São Luis, Maranhão
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19/11/2017