10/12/2021
O cigarro eletrônico começou a ser usado nos Estados Unidos (EUA) e na Europa entre 2006 e 2007 e, desde então, sua disseminação é crescente e novos produtos são lançados sucessivamente no mercado. Com uma variedade ampla de sabores e modelos, o v**e – como ficou conhecido nos últimos anos com formato de “mod-pods”, pequeno, semelhante ao dispositivo USB – tornou-se a preferência entre adolescentes e jovens que desejam largar o cigarro.
Falar de tabagismo sempre é um divisor de opiniões. No entanto, essa perspectiva vem mudando quando o assunto é o v**e. Seus fabricantes afirmam que o acessório eletrônico está livre das mais de 4.720 substâncias nocivas à saúde, presentes no cigarro comum. Além disso, o vaporizador não solta fumaça desagradável, não espalha bitucas e nem provoca mau hálito. No entanto, em comparação com os demais ci****os eletrônicos, os “pods” utilizados pelo Juul têm um potencial aditivo muito superior, causando uma sensação fisiológica semelhante àquela experimentada por fumantes de ci****os convencionais. Esse produto utiliza nicotina tratada com ácido benzóico (resultando nos sais de nicotina, sua forma natural na folha de tabaco) e para entregar ao usuário concentrações até 10 vezes maiores de nicotina do que os outros ci****os eletrônicos, que usam a nicotina de base livre (freebase) em suas formulações. Outros fabricantes, possivelmente inspirados pelo sucesso comercial do Juul, também começaram a adotar os sais de nicotina em seus produtos. É interessante lembrar que a indústria do tabaco tem um histórico de manipulação dos níveis de nicotina nos ci****os, com técnicas que iam desde a adição de amônia nos ci****os para aumentar a nicotina de base livre, até a utilização de variedades de plantas modificadas que produziam altas concentrações de nicotina. SILVA, Andre Luiz Oliveira da; MOREIRA, Josino Costa. Por que os ci****os eletrônicos são uma ameaça à saúde pública?. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, 2019. Gostou, comenta e compartilha com os amigos.