31/12/2015
O ano de 2015 foi, no mínimo, um choque de realidade, no Brasil e no mundo. Algo como um despertar de um conto de fadas ou, mais adequado, de uma desmitificação de noções propositadamente impressas na mente das pessoas, há séculos.
Os brasileiros, pouco familiarizados com leituras sobre a efetiva história de suas origens e as conseqüências da gradativa automatização comportamental caracterizada como o "jeitinho brasileiro", obrigaram-se a perceber o resultado catastrófico disso tudo, enfim. De acordo com o saber comum, viram o copo entornar. Como tudo que aos poucos se acumula, um dia derrama pelo excesso.
Corrupção foi, é e será, por ainda muito tempo, a causa de nossa bancarrota econômica, financeira e moral. Nossa, porque os autores dos incontáveis atos de corrupção para desvio do dinheiro público direto para bolsos aos quais não pertence, são eleitos pelos próprios conterrâneos. Por isso, a bancarrota é essencialmente moral.
A recuperação dependerá da política educacional que necessariamente precisa ser implantada: de qualidade e seriedade suficiente a capacitar todos os brasileiros a observar os fatos e os comportamentos, analisando-os com critérios de honradez para deles poder eliminar a podridão de valores e princípios. Quem tiver essa capacidade não elegerá quem não representar a decência, a honra, a moral, os bons costumes, porque estará apto a separar o joio do trigo.
Só então se poderá dizer que somos uma nação digna.
Mas, claro, para isso acontecer será preciso ao menos meio século - tempo mínimo necessário à implantação de novos valores e capacidades generalizadas, para expurgar essa cultura antiga do "jeitinho", para fazer valer seu direito-dever de se fazer representar por um alguém igual, tão digno quanto o representado.
Não adianta rezar!
É preciso coragem para lutar todo dia por isso. Quem teve a bênção de uma educação de qualidade e uma vida de mais facilidades tem a obrigação de clarear mentes e caminhos.Ou tentar, sempre.
E no mundo, afinal, qual foi o choque?
A percepção da capacidade humana à maldade. A propagação do fanatismo dito religioso pelo qual grupos (muitos e grandes) se julgam autorizados a matar indiscriminadamente, a impor sua "justiça" aos que qualificam de "infiéis".
Enfim, é claro que não se pode esquecer de que um dos maiores males da humanidade é concentrado em mãos de quem detém o poder, especialmente o econômico, em nome do que pouco ou nada mais lhes importa. Mas esse nasceu com o homem, praticamente quando se pôde manter ereto, quando percebeu que, se plantasse, o solo lhe responderia com comida, mantendo-o no mesmo lugar, em vez de migrar atrás de alimento. Dessa forma, muito sinteticamente, nasceu a propriedade, o valor econômico, a moeda e, entre outras coisas, o poder.
É preciso, portanto, que todos leiam muito, que se instruam, para poder entender e, entendendo, analisar fatos, pessoas e comportamentos para execrar o execrável. Sem isso, o homem permanecerá submetido, injustiçado, roubado, explorado, infeliz. Ninguém há de ter nascido para isso.
Que 2016 seja um ano em que mais homens de bem acordem para a realidade e não desistam nunca sequer da utopia de que tudo é possível "quando a alma não é pequena."