18/08/2026
Quem decide, no papel, quais mortes não contam?
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Ao mesmo tempo, expande a fronteira do petróleo e assina metas climáticas. Os danos estão em dossiês, laudos e prontuários. Estão inscritos nos corpos de pessoas e outros seres em câncer, malformações, rios contaminados, territórios inundados, comunidades removidas.
Então por que quase nada disso é percebido como crime?
A resposta está na linguagem. No Congresso, projeto por projeto, discurso por discurso, vai se construindo o que chamamos de regimes de permissividade: a quantificação do quanto se pode tolerar de danos, e qualificação desses danos como meros efeitos colaterais de atividades produtivas. Veneno vira "defensivo", destruição vira "desenvolvimento", quem resiste vira "entrave", e as vítimas simplesmente somem do texto - ou se são criminalizadas. O sistema penal opera não apenas hipercriminalizando aquelas e aqueles que estão na base dos sistemas de opressões, mas principalmente normatizando a tolerância ao seu sofrimento.
É disso que trata nossa nova pesquisa. **Partimos das criminologias crítica e verde para investigar como o poder de criminalizar convive com o poder de tornar determinados danos sociais e ambientais juridicamente toleráveis.** Vamos vasculhar projetos de lei e discursos parlamentares sobre agrotóxicos, combustíveis fósseis e transição energética, na Câmara e no Senado, para mapear as "técnicas de normatização da tolerância ao sofrimento alheio" - as fórmulas que fazem um dano conhecido virar rotina aceitável.
Duas bolsas de iniciação científica, R$ 700/mês, de setembro a agosto. Uma delas é reservada às ações afirmativas. Inscrições até 24/08.
Não precisa ter experiência em pesquisa. Precisa ter estômago para ler o que o Legislativo escreve — e curiosidade para entender como isso funciona.
📎 Edital completo no link da bio
PIBIC UFSC