Caligeo - Centro Acadêmico Livre de Geografia UFSC

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Centro Acadêmico Livre de Geografia.

28/09/2020

REUNIÃO DO CALIGEO

Passado esse primeiro mês da implementação do Ensino Remoto Excepcional é preciso que façamos um novo momento de debate, agora sobre ponto diferentes, sobre as primeiras experiências com esse novo ensino.

Previsto no calendário que rege o ERE, a partir dessa segunda (28/09) vai começar esse momento de avaliação dentro da UFSC como um todo, é importante que os estudantes da geografia façam esse debate e levante seus questionamentos principais para levar para as outras instancias da universidade essas reivindicações.

Nesse post do DCE existe alguns pontos para ajudar nos debates sobre o ERE: https://www.instagram.com/p/CFrzFBXguzv/?igshid=1edh0ri0zr7ox

Quando? Quarta-feira, 30/09
Horas? 17h
Onde? Discord (mandaremos o link no grupo no dia da reunião)

https://www.instagram.com/p/CFsuwuTnD-2/?igshid=18wz1q3hgufgd

25/08/2020

Uma conquista estudantil importante para esse período de Ensino Remoto foi a criação de uma matéria "fantasma" - nomeada ZZD2020 - que tem como objetivo manter o vínculos dos estudantes com a universidade sem que estejam cursando alguma disciplina do curso ou precisem trancar sua matrícula.

Com a ZZD2020, aquelas e aqueles que não terão possibilidade de acompanhar o ensino remoto ainda podem receber auxílios e bolsas da UFSC, ou seja, o estudante está trancando seu semestre sem que seu vínculo com a universidade seja quebrado.

O momento em que será possível se matricular nessa matéria é o mesmo em que vai ocorrer os reajustes de matrícula, no período dos dias 26 e 27 de agosto. Qualquer dúvida sobre esse assunto ou outras sobre a retomada das atividades entre em contato com alguém do CALIGEO!

Photos from Caligeo - Centro Acadêmico Livre de Geografia UFSC's post 07/07/2020

Fala, Geografia!

Após 22 dias recebendo resposta do formulário tivemos reunião do CALIGEO nesta segunda, onde fizemos uma análise inicial dos dados obtidos através das respostas. Uma coisa que nos chamou atenção é quantidade diminuta de estudantes que responderam o formulário (76 até agora), o que acaba dificultando uma análise mais profunda das condições reais dos estudantes do curso. Apesar de já podermos ter um norte (ou sul, hehe) de como prosseguir, nos preocupa o alcance que esse formulário teve, visto que somos cerca de 400 estudantes de Geografia na UFSC.

O Centro Acadêmico e a coordenação têm trabalhado em conjunto para entrar em contato com os estudantes que necessitam de auxílio nesse período e queremos continuar fazendo isso a partir do que for detectado nas respostas do formulário.

O CALIGEO reforça a importância de que toda e todos respondam o formalurário e que busquem entrar em contato com o Centro Acadêmico se souberem de algum colega que não tenha acesso a internet para que possamos entrar em contato com eles por outros meios. A seguir está o link deste formulário para que caso você ainda não tenha respondido, que responda no decorrer desta semana, que estipulamos como prazo final para coletar as informações.

https://forms.gle/UquZdhmMmhndyn238

Leia também a nota no CALIGEO sobre o ensino remoto e o post do DCE sobre as discussões do movimento estudantil da UFSC sobre o mesmo tema.

https://www.instagram.com/p/CBdZ9n8A96r/

https://www.instagram.com/p/CBizwiQgjxc/

22/06/2020

Nota da gestão Território Transversal para o curso de Geografia

A gestão Território Transversal ganhou a disputa nas eleições do Centro Acadêmico Livre de Geografia (CALIGEO) em junho de 2019. Hoje, junho de 2020, essa trajetória se encerra em meio a uma pandemia, momento em que não vemos a possibilidades de promover novas eleições de Centro Acadêmico.

Esse foi um ano atípico na UFSC, no Brasil e no mundo. No contexto nacional, vimos a escalada dos ataques do governo Bolsonaro, principalmente nos âmbitos da educação, ciência e cultura, enfraquecendo e desarticulando políticas para esses setores. O ensino superior foi diretamente afetado pelo congelamento do orçamento para a educação e, a partir do segundo semestre de 2019, a UFSC viveu um momento crítico que culminou em uma greve estudantil histórica. Nesse contexto, é importante lembrar que a então recém gestão do CALIGEO foi quem puxou a discussão inicial a respeito do programa “FUTURE-SE”, fomentando o debate a respeito do projeto lançado pelo Governo, o que contribuiu para “engrossar o caldo” para a deflagração da greve. Durante a paralização, apesar de todas as dificuldades, a gestão, com a participação direta dos alunos, manteve o curso mobilizado durante esse delicado momento para os estudantes UFSC.

A proposta da Chapa Território Transversal veio no sentido de implementar uma gestão focada nas necessidades do curso, com atenção especial às demandas dos alunos. Para tal propósito, conformamos um grupo que construiu uma série de propostas e pensou em atuações mais concretas, pois sentíamos a necessidade de trazer o CALIGEO de volta para a realidade da geografia, buscando enxergar suas problemáticas em termos de aula, professores, currículo, dentre outras questões que debatemos durante o processo eleitoral. Nesse sentido, buscamos promover atividades de integração, além de estimular o diálogo com os estudantes de forma aberta, horizontal e acolhedora no intuito de se tentar construir uma gestão mais representativa em que os alunos estivesse mobilizados. Porém, diante do contexto atual, reconhecemos que nossa proposta inicial não dá conta da complexidade do momento.

Identificamos ainda que ao longo de um ano tão conturbado, houve um esvaziamento da gestão Território Transversal dentro do CALIGEO: poucas pessoas que estavam na chapa seguiram construindo as pautas do CA e participando das reuniões. Procuramos manter a periodicidade das reuniões semanais e, na medida do possível, tentamos construir as demandas que foram surgindo, auxiliando e dando respaldo às iniciativas estudantis que apareceram. Entretanto, pouca concretude conseguimos dar às propostas que havíamos pensado durante a formação da chapa. Com poucas pessoas da gestão assumindo tarefas do CALIGEO, acabamos ficando sobrecarregados e perdidos em meio a nossa atuação enquanto gestão, o que se agravou diante do surgimento de demandas complexas as quais não imaginávamos.

Reconhecemos que mais poderia ter sido feito, sobretudo se tivéssemos contado com o apoio daqueles que se dispuseram a contribuir inicialmente. Assim, agradecemos a todos os estudantes que seguiram participando do CALIGEO e ajudaram de alguma forma a construir em conjunto com a gestão. Passado um ano, a Gestão Território Transversal conclui seu ciclo. Contudo, encontra-se enfraquecida.

Assim como a greve estudantil, a atual pandemia é mais um desses momentos em que um contexto maior se impõe. Diante dessa conjuntura, algumas questões de extrema importância para o curso precisarão ser discutidas e aprofundadas, como as demandas a respeito do Ensino Remoto e os debates sobre o retorno às aulas pós quarentena, entre outros assuntos. Nesse sentido, é essencial que o CALIGEO como entidade representativa dos alunos, seja uma instância ativa que possa servir como representação estudantil e ferramenta de luta. Diante do exposto, entendemos que um fortalecimento da entidade se faz necessária, de modo a unificar e fortalecer o CALIGEO frente ao momento inédito que atravessamos.

Diante disso, convocamos uma assembleia do curso de geografia, para discutirmos a situação e para pensarmos, em conjunto, em encaminhamentos para reformular a representatividade. Mais uma vez agradecemos aqueles que se dispuseram a contribuir com essa gestão e a construir o CALIGEO ao longo desse ano.

Seguimos juntas (os),

Gestão Território Transversal

Levantamento do CALIGEO sobre as e os estudantes. 15/06/2020

NOTA DO CENTRO ACADÊMICO LIVRE DE GEOGRAFIA SOBRE O ENSINO REMOTO

Desde que o isolamento social foi colocado em prática pela Reitoria, as e os estudantes em conjunto com técnicos e professores têm buscado dialogar em torno das pautas pertinentes à universidade, buscando caminhos para lidar com a situação em que nos encontramos desde o início da pandemia do covid-19. Se no início do isolamento social já vimos um cenário desesperançoso, agora o acirramento da conjuntura se mostra mais escancarado. No nosso estado, vemos as oligarquias e empresariado catarinense pressionando uma retomada das atividades econômicas mesmo que isto signifique colocar em risco de contágio milhares de pessoas. Não é diferente para a UFSC que sofre uma pressão externa muito grande para a retomada das suas atividades de ensino, com a instituição de ensino sendo vítima de ataques constantes vindos dos veículos de comunicação.

Após a primeira suspensão das atividades presenciais, houve certa dificuldade para vencer a inércia e traçar planos mais concretos de ação para o próximo período, quando toda a comunidade universitária aguardava em meio à incerteza. Após um momento de dúvida, a reitoria decreta a suspensão de todas as atividades por um período (até 30 de Julho ?), postergando a validade da decisão até pelo menos o momento em que escrevemos este texto. Passada a dificuldade de discussão inicial, começam tímidos estudos institucionais, visando compreender a viabilidade de um retorno às atividades de ensino, sejam presenciais ou remotas. Um estudo inicial foi discutido nos colegiados de curso, departamentos e Conselhos de Unidade, além de serem formados pela Reitoria comitês e subcomitês que deveriam democraticamente participar da tomada de decisões com o todo da UFSC. Porém, o que acontece nestes comitês e subcomitês é que se ignoram as poucas representações estudantis e as decisões são tomadas apressadamente, sem que exista de fato uma discussão e mínimo consenso no interior dos grupos de estudo. As discussões vem sido feitas de forma atropelada e com tratoramento por parte da reitoria

Pautando a implementação de instrumentos que virtualizam os cursos de graduação e pós-graduação a UFSC insiste em manter um cenário de normalidade ou de se adaptar a um “novo normal”, mas não é em um cenário de normalidade que nos encontramos. É preciso que o debate em torno do retorno das atividades seja o mais democrático possível, que leve em conta as especificidades que este momento nos impõe. A reitoria parece desconsiderar as complexidades sociais e econômicas da realidade que nos cerca, que se expressa por dificuldades, desigualdades profundas e problemáticas consequentes de políticas de precarização da saúde e da vida como um todo.

Antes de entrarmos em detalhes sobre o que leva o novo ensino remoto ser tão excludente, é importante destacar sobre a diferença entre o modelo que já existe de Ensino à Distância - que é algo pensado desde de seu princípio para funcionar de forma virtual, sendo de adesão voluntária - e o ensino remoto que está sendo discutido dentro de nossa universidade. Este que está sendo discutido é algo excepcional, no sentido de ser algo necessário somente durante o período de pandemia, que nada tem haver com o método de currículo do EàD. Estaremos lidando com algo novo, onde teremos que rever currículos e ementas de matérias, que possuem em sua essência o caráter presencial e serão transformadas para que sejam ministradas excepcionalmente de forma remota. Por isso que quando defendemos que se busque democracia nas discussões em torno do ensino remoto e que seja feito em conjunto a uma campanha de inclusão, com garantia de algumas exigências mínimas, não estaremos deixando de negar o EàD como sempre foi feito. A primeira barreira é a da necessidade de acesso à internet e/ou computadores de maneira irrestrita e qualitativa, que não é realidade para todos os estudantes. Outra problemática que nos leva a questionar a implementação do ensino remoto é que este método pode rebaixar nosso curso à virtualidade, precarizando a formação de quem estuda Geografia, excluindo partes fundamentais dessa formação, como as aulas práticas e saídas de campo. Por isso, mesmo que todos os alunos tenham acesso a internet, o ensino a distância não consegue, jamais, substituir a educação presencial.

Algumas alternativas têm sido ventiladas visando o menor prejuízo à formação dos estudantes da UFSC. Como, por exemplo, liberação do trancamento que ainda é uma resposta insuficiente a este problema, pois desloca a responsabilidade que a instituição pública deveria ter com a sua comunidade para uma escolha individual, na qual, obviamente, os alunos que mais terão de abrir mão dos estudos são justamente aqueles que possuem condições limitantes. Essa medida, então, além de expandir a desigualdade educacional entre os alunos, também a naturaliza. Além disso, o trancamento pode colocar em risco o pagamento de bolsas de permanência e estágio que assim como os auxílios do governo, garantem de forma efetiva o direito ao isolamento a muitos estudantes desempregados.

Entre outras coisas, mais condições impossibilitam a continuidade do semestre, como a saúde corpo-mente dos estudantes, sobretudo daqueles que estão mais periferizados do direito à vida; problemas estruturais; domésticos e familiares; ampliação da jornada tripla ininterrupta devido o trabalho doméstico, materno/paterno e profissional que afetam principalmente as mulheres, entre outros problemas.

A medida de Ensino Remoto à Distância já foi aplicada em algumas universidades, sem nenhum debate com o corpo discente, como na USP, onde foram oferecidos chips de internet e notebooks para quem necessitasse, mas nem todos conseguiram ter acesso e a baixa na qualidade do ensino é amplamente percebido por maioria dos alunos, provocando a queda do desempenho.

Sendo assim, o CALIGEO se posiciona contra qualquer tomada de decisões que não sejam suficientemente discutidas pela comunidade universitária, desrespeitando as instâncias democráticas da universidade, que prejudique ainda mais as e os estudantes, sobretudo a sua parcela que já é sistematicamente prejudicada. Somente visando a coletividade se garantirá o mínimo de condições igualitárias para que as e os estudantes possam atravessar esse processo de forma mais saudável e retornar a sua vida acadêmica depois, sem grandes prejuízos e descompensações.

Por fim, pedimos aos estudantes do curso que respondam ao formulário abaixo sobre a questão do ensino remoto. O link está abaixo:

Levantamento do CALIGEO sobre as e os estudantes. Buscando entender melhor a situação objetiva e subjetiva das e dos estudantes da Geografia da UFSC, assim como sua opinião sobre a retomada das atividades presenciais e não presenciais, o Centro Acadêmico Livre de Geografia propõe o seguinte formulário. Esperamos que todos estejam bem e que e...

11/06/2020
09/06/2020

Participe ☘️

04/06/2020

POR UMA GEOGRAFIA ANTIRRACISTA E MULTICULTURAL

Estudar a história do território catarinense é compreender que o Estado de Santa Catarina foi construído na exaltação da ocupação europeia e branca, diretamente relacionada à noção de pureza, civilização, progresso e desenvolvimento. É entender que esse processo invisibilizou a presença e protagonismo dos povos originários e marginalizou grande parte das pessoas não brancas privando-as do ônus da história.
Em Floripa, a face desse processo torna-se evidente quando ele opera na valorização do que tradicionalmente se chama de manezinho (manezinho da Ilha), como uma referência aos descendentes da Ilha dos Açores nascidos aqui. Entretanto, sabemos que o manezinho não tem referência apenas ao local de nascimento, se faz necessário ter os atributos físicos, fenotípicos que remetam ao continente europeu. É importante destacar que não há problema a cidade assumir o “manezinho” como uma das identidades que compõem Florianópolis, o problema é fazer isso face ao apagamento de todas as demais.
Sobre esse aspecto, a formação socioespacial de Floripa, que não é diferente das outras cidades brasileiras, é a população pobre e negra que tem sido historicamente submetida à processos de marginalização e periferização. A destinação de áreas com precariedade de infraestrutura e serviços urbanos como lugar de moradia, mostra nesta lógica, a manifestação mais objetiva e empírica de projetos genocidas inicialmente elaborados por políticas eugênicas, e em seguidas por planos de higienistas de planejamento urbano.
Resultado de uma violência simbólica, material, institucional e psicológica promovida dentro de uma estrutura racializada e ra***ta, essa população enfrenta até os dias atuais, diversas dificuldades de acesso a serviços sociais básicos, e principalmente a privação de direitos, que os tornam seres humanos dignos de uma vida plena em condições ideais.
No contexto da Pandemia da COVID-19 a situação é ainda mais degradante e grave. Se é na periferia que se encontram as pessoas que são os mais afetados pelos efeitos econômicos, o escasso oferecimento de higienização básica é agravado pela falta d’água, e o isolamento social é difícil devido às condições de estrutura e tamanho das habitações. Além disso, em um momento que o Estado deveria ter o devido cuidado com os seus cidadãos e cidadãs, observamos o inverso: o aumento do desemprego, o auxílio emergencial em análise, as contas atrasadas e a fome só mostram a quem o governo atual serve, e não é para população pobre e negra.
O que se mostra é uma ação deliberadamente necropolítica, ou seja, uma política da morte observada através das atitudes antidemocráticas, ra***tas, machistas, conservadoras e fascistas, que

o governo atual vem promovendo. E sob esse aspecto, mesmo no momento em que o mundo direciona a uma luta para um inimigo em comum – o vírus, a opção do Estado brasileiro é a periferia, e ele não respeita isolamento.
Mas o problema não é exclusivamente brasileiro. De um lado, a Pandemia popularizou a hashtag (VidasNegrasImporta), e junto com a imagem do prédio em chamas em Minneapolis, tornou a revolta contra o racismo o sentimento único, possível graças ao mundo homogêneo da globalização. E por isso a revolta é também seletiva, pois aqui, as ruas já estavam em chamas há semanas. Isso acontecesse, por que dentro das favelas, a instituição de segurança do Estado tem o povo negro como alvo principal, e a faz a mira como um inimigo comum, algo que apresenta similaridade com os Estados Unidos. Mas aqui, a polícia também é o instrumento que tem como função apertar o gatilho e reduzir as chacinas na razão de que cada 23 minutos, morre uma pessoa negra no Brasil. A contradição é que enquanto jovens e crianças negras são mortas, o país orgulha-se de ser miscigenado e diverso.
E o que as pessoas assassinadas estavam fazendo antes de morrer? João Pedro (14 anos) estava cumprindo a quarentena exigida pelo Estado, Rodrigo (26 anos) caminhava carregando um guarda-chuva, Maria Educarda (14 nos) morta quando voltava da escola. Os casos são exemplo da violência constante do Estado, por meio das ações da polícia militar, dentro de uma mesma lógica de racismo estrutural. E isso não é novo! De acordo com dados do IBGE e do Atlas da violência de 2019, 255 mil negros foram assassinados entre 2012 e 2017, o negro tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de assassinato, 75% dos mortos em intervenções policias no Brasil em 2018 eram negros, o número de hominídios de mulheres negras é quase o dobro do que os de mulheres não negras.
E você ainda lembra da Floripa que tem orgulho da cultura europeia? Do final do ano passado até agora, nove jovens foram assassinados pela polícia militar no Morro da Queimada e no Mocotó. Os moradores não tem se mantido em silêncio, e desde maio se reuniram e ocuparam as ruas em frente às entradas do morro com faixas e cartazes para denunciar a violência das forças de segurança do Estado. Isso quer dizer que, enquanto o mundo enfrenta uma pandemia e busca cumprir o isolamento, nas favelas, a quarentena tem sido interrompida pela continuidade da violência policial e da necropolítica. Assim, qualquer política que não coloque a questão racial como pauta central do Estado brasileiro, só irá mascarar esse problema do país.
Diante disso, qual o papel da geografia para mudar essa realidade? Como temos utilizados o conhecimento geográfico para interpretar essa situação e transformar a realidade? Como os/as professore/as juntamente com seus/as estudantes podem direcionar pesquisas para contemplar a resolução dessas questões que ocorrem tão perto de nós? Ou ainda, o que nós podemos fazer para

reverter esse fato? Será que o currículo da geografia realmente contempla o estudo da sociedade brasileira? A geografia pode contribuir para a visibilizar também populações e culturas não brancas? Estudamos a formação socioespacial, a produção do espaço, os processos de territorialização, e temos conhecimento de que nada disso ocorre por acaso! Também definimos que influências e resultados de uma ação pode se evidenciar em múltiplas determinações! Mesmo assim preferimos nos calar? Mesmo assim temos orgulho de dizer que fazemos uma geografia dita crítica? Defendemos uma Geografia tem como um de seus objetivos oferecer à humanidade, o entendimento das dinâmicas e dos processos espaciais auxiliando o desenvolvimento de um raciocínio geográfico em práticas humanas em todas suas dimensões. Sua importância reside nas contribuições que auxilia a direcionar e orientar como os processos de transformação, ocupação e produção da sociedade acontecem espacialmente. Essa geografia pretende contribuir para a formação humana, referenciando os sujeitos acerca de seu lugar no mundo, possibilitando a participação nos processos de construção da sociedade no domínio individual e coletivo.
Em uma sociedade, em que a população é composta majoritariamente de pessoas negras, cabe a essa geografia debater as estruturas espaciais construídas a partir das relações raciais e como as mesmas impactam nossas vivências e nossas espacialidades.
Como uma ciência que serve para os sujeitos se posicionarem no mundo, essa Geografia oferece processos de compreensão das expressões espaciais nas mais diversas escalas, e que por muito tempo foi um dos instrumentos de reprodução e difusão de narrativas únicas, mas que a agora deve assumir uma nova forma de compreensão da realidade e um outro projeto de realidade.
Em um país que se teve sua formação a partir do processo de escravização, da colonialidade e da branquitude, e que depositou todo o ônus do fim desse processo nos próprios sujeitos escravizados observada até hoje na segregação socioespacial, na manutenção da estrutura ra***ta e na inferioridade do negro, uma geografia que combata cientificamente e politicamente essas questões torna-se uma estratégia de construir uma sociedade com cidadãos e cidadãs eminentemente livres e desvendando máscaras sociais.
Se a Geografia é uma disciplina do poder, faz-se necessário utilizá-la como forma de conhecimento e enfrentamento de narrativas hegemônicas, discursos de ódio e práticas classistas, ra***tas, sexistas, homofóbicas, fascistas que possam reaparecer em qualquer lugar, seja em Floripa, no Brasil ou no mundo.
Devemos então nos atentar para que a partir da Geografia possamos desconstruir narrativas dessa ordem e construir uma GEOGRAFIA ANTIRRACISTA E MULTICULTURAL.

29/05/2020

Feliz dia povo de resistência!

19/05/2020

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