29/04/2026
Discurso em nome dos novos acadêmicos da Academia Catarinense de Ciência
Agronômica – ACCA, na solenidade de posse e diplomação, em 24 de abril de 2026, no auditório do Crea-SC, pela acadêmica Rosiclér Maria Vanti.
Boa Tarde!
Dr. Zenório Piana - Presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica.
Engenheira Agrônoma Isabelle Nami Regis, representando a Engenheira Sanitarista
Ambiental e Segurança do Trabalho Fernanda Maria Felix Vanhoni, presidente em
exercício do Crea-SC.
Autoridades que compõem a mesa.
Autoridades Presentes.
Prezados Patronos e Patronas.
Caros Colegas Acadêmicos.
Estimados convidados.
Saudações!
Eu Rosicler Maria Vanti, acadêmica neófita, quero registrar minha alegria e honra em
representar os novos colegas acadêmicos nesta solenidade de posse e diplomação.
Engenheiros agrônomos de notório saber intelectual e prestígio, com legado de sólidas
contribuições técnico-científicas em diversas áreas do conhecimento e das atividades
agronômicas desenvolvidas no Estado, no país e exterior. Representá-los nesse ato,
um daqueles bons presentes que a vida, por vezes, oferece. Muito Obrigada!
A oportunidade, é também, de manifestar, em nome de todos, nossa reverência,
homenagem, admiração e agradecimento aos patronos e patronas que inspiram e
impressionam pelo exemplo de trabalho, entusiasmo, dedicação e robusta
contribuição técnico-científica ao desenvolvimento sustentável da agropecuária
nacional.
É uma honra, uma distinção, um mérito ingressarmos na Academia Catarinense de
Ciência Agronômica. Nos sentimos mais fortes e preparados para novos desafios.
Honramos cada capítulo que nos trouxe até aqui.
Nosso ponto em comum? a ciência, as inovações tecnológicas e a extensão rural que
transmite e promove a aplicação delas no campo.
Ciência, conjunto de saberes obtidos através da observação e experimentação que
procura conhecer a natureza para a resolução de problemas, visando dominá-la em
seu próprio benefício. Rigor metodológico para uma explicação objetiva, verificável e
testável cujos resultados precisam ser replicáveis. Uso da razão e da prática
experimental para verificar hipóteses e explicar fenômenos.
É dinâmica, focada em expandir o conhecimento para desenvolver novos produtos, serviços, processos ou melhorando os existentes. É o fundamento, a base, da
tecnologia e das inovações, podendo ser transformada imediatamente em política
pública quando o interesse for coletivo.
A organização, disseminação e intercâmbio do conhecimento científico encontram
apoio nas Academias cuja origem remonta à antiguidade.
Para um breve histórico sobre Academias Científicas, entremeio citações de Zenório
Piana, em seus artigos publicados na Revista Agropecuária Catarinense, Florianópolis,
2025 e no informativo do Crea-SC.
A Academia de Atenas, fundada pelo filósofo grego Platão por volta do ano de 387 a.C.
e o Liceu de Aristóteles podem ser vistas como precursoras das academias modernas.
Elas reuniam intelectuais para discutir filosofia, ciências naturais e matemática.
Posteriormente, na idade média, o conhecimento científico ficou restrito às
universidades e mosteiros, sob forte influência religiosa.
Mas, foi com o Renascimento, um movimento cultural, artístico e político, iniciado na
Itália no século XIV que se estendeu, por toda a Europa, até o século XVII, que ocorreu
o avanço de métodos experimentais que impulsionaram o surgimento de novas formas
de organização intelectual.
A Acadêmia Nazionale dei Lincei, fundada em 1603 em Roma, por Frederico Cesi, é
considerada a academia científica mais antiga e prestigiada do mundo. Teve Galileu
Galilei como um dos primeiros membros, e atua desde 1992 como principal consultora
científica do governo italiano, promovendo a excelência científica e cultural, com
ênfase na multidisciplinaridade.
No século XIX, com a industrialização, as academias passaram a desempenhar um
papel ainda mais estratégico, contribuindo para inovações tecnológicas e para o
avanço da ciência aplicada. Neste período surgiram instituições de renome fora da
Europa, como a Academia Nacional de Ciências nos Estados Unidos, em 1863.
No Brasil, no período colonial, a ciência ainda era incipiente, limitada às expedições de
naturalistas europeus que documentavam a biodiversidade e os recursos naturais do
território. Com a vinda da família real portuguesa, em 1808, surgiram os primeiros
esforços para institucionalizar a ciência. O inicio foi marcado pela fundação de
instituições como o Real Jardim Botânico no Rio de Janeiro e a Escola Real de Ciências,
Artes e Ofícios. Para ilustrar, D. Pedro II, 1883, por decreto, criou, em Pelotas no Rio
Grande do Sul, a Imperial Escola de Medicina Veterinária e Agronomia de onde muitos
de nós somos egressos.
Há mais de 128 anos (1898), a Academia Brasileira de Letras, atribuiu a si, como tarefa
essencial, o cultivo da língua portuguesa e, no transcurso dos anos, adquiriu o direito
de autoridade normativa, descritiva e estilística no universo da língua pátria.
A Academia Brasileira de Ciências, 1916, representou um marco na organização da
ciência no país. Rapidamente se tornou um espaço de referência para pesquisadores
brasileiros, promovendo encontros científicos, publicações e parcerias internacionais.
Na área agronômica, como instituição pioneira no Brasil, foi fundada, em 1983, a
Academia Pernambucana de Ciência Agronômica e, só depois, em 2010, foi criada a
Academia Brasileira de Ciência Agronômica.
O Estado de Santa Catarina, conhecido por sua diversidade cultural, tem uma rica
tradição na produção e disseminação do conhecimento científico. A fundação da
Escola de Engenharia de Santa Catarina em 1917 foi um marco importante pois trouxe
à tona a necessidade de organizações que incentivassem a pesquisa e o
desenvolvimento acadêmico.
Nesse ínterim, instituições de pesquisa, extensão rural e ensino superior, como a
extinta EMPASC, Faculdades de Agronomia da UFSC, UDESC, UNISUL, Instituições
como EPAGRI, FAPESC e outras instituições também importantes foram sendo criadas
e novos talentos surgiram enriquecendo o cenário e promovendo o avanço da ciência,
da pesquisa, da extensão e, consequentemente, o desenvolvimento agropecuário no Estado.
Chegada a hora e a vez, em 19 de dezembro de 2024, foi criada a Academia Catarinense
de Ciência Agronômica, ou simplesmente ACCA, assumindo o posto de segunda
academia no Brasil, de âmbito estadual, na área agronômica. Sua construção e criação
são devidas aos engenheiros agrônomos, membros fundadores Zenório Piana, Edson
Silva, Carlos Pieta Filho, Ari Neumann, Sergio Zampieri, Roger Delmar Flesch e Celso
Lopes de Albuquerque Filho.
Nossos cumprimentos aos fundadores pelo mérito da criação e pelos resultados
advindos dela.
A ACCA é entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia
administrativa e financeira, constituída por engenheiros agrônomos em torno de um
objetivo comum, o de promover o desenvolvimento e a excelência da ciência
agronômica no Estado de Santa Catarina em consonância com os princípios básicos da
agropecuária racional e sustentável, assegurando às regiões do Estado, o pleno uso de suas potencialidades rurais para a grandeza das instituições e o bem-estar da
população catarinense, na busca do efetivo aproveitamento dos recursos naturais
água, solo, fauna, flora e ar tendo em vista a responsabilidade social e o
desenvolvimento sustentável.
Nós, os novos acadêmicos, agradecemos pela acolhida e pela bela cerimônia preparada com esmero. Estamos prontos e a postos para atender aos objetivos da ACCA, somar esforços e contribuir, com nosso saber técnico e nossa vivência profissional para, em conjunto com as demais áreas tecnológicas, promover o constante avanço da ciência para a sustentabilidade social e ambiental das atividades econômicas e a garantia da segurança alimentar no Estado de Santa Catarina.
Contem conosco.
Muito Obrigada!
Rosiclér Maria Vanti
Engenheira-agrônoma Profª Dra.
Acadêmica da ACCA
Florianópolis, 24 de abril de 2026.