Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA

Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA

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Engenharia agronômica

Photos from Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA's post 20/05/2026

Participação do presidente da Academia Brasileira de Ciência Agronômica - ABCA, Prof. Dr. Evaldo Ferreira Vilela, na solenidade de posse de mais nove acadêmicos e homenagem a nove patronos, realizada no Crea-SC, em 24/04/2926.
O Presidente Vilela fez um excelente discurso enfatizando a importância das academias científicas para o desenvolvimento dos países, falando da sua visita à China onde pode constatar esse aspecto.

19/05/2026

Artigo sobre “As academias científicas no Brasil” de autoria do presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA.
Acesso digital:
https://portal.crea-sc.org.br/artigo-as-academias-cientificas-no-brasil/

As academias científicas no Brasil
Por Zenório Piana*
02/01/2025

A relevância mundial

As academias científicas desempenham um papel importante na organização e disseminação do conhecimento. Sua origem remonta à Antiguidade, mas seu formato moderno começou a surgir no Renascimento, acompanhando o florescimento do pensamento científico. Na Grécia Antiga, instituições como a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles podem ser vistas como precursoras das academias científicas. Elas reuniam intelectuais para discutir filosofia, ciências naturais e matemática. Durante a Idade Média, o conhecimento ficou amplamente restrito às universidades e mosteiros, sob forte influência religiosa.

Com o Renascimento, a redescoberta dos textos clássicos e o avanço de métodos experimentais impulsionaram o surgimento de novas formas de organização intelectual. A Renascença Italiana viu a criação de grupos dedicados ao estudo de ciências naturais, como a Accademia dei Lincei, fundada em 1603, em Roma, por Federico Cesi. Considerada a primeira academia científica moderna, ela foi formada para promover o estudo da natureza com base na observação e no método experimental. O século XVII testemunhou o estabelecimento de instituições que moldariam a ciência como a conhecemos. Em 1660 foi fundada a Royal Society of London que, rapidamente, se tornou um modelo para outras academias. Com seu lema Nullius in verba (Nas palavras de ninguém), a Royal Society defendia a independência da ciência em relação à autoridade religiosa ou política, promovendo o empirismo e o método científico. Pouco depois, em 1666, o rei Luís XIV da França estabeleceu a Académie des Sciences. Esta academia, com apoio estatal, foi pioneira na profissionalização da ciência e na publicação de estudos em revistas científicas, consolidando o papel das academias como plataformas de comunicação acadêmica.

Essas instituições desempenharam um papel vital na revolução científica, proporcionando redes de comunicação para cientistas como Isaac Newton e Robert Hooke na Inglaterra, e René Descartes e Blaise Pascal na França. Durante o Iluminismo, as academias se proliferaram pela Europa, com destaque para a Academia de Ciências de Berlim (1700) e a Imperial Academia de Ciências da Rússia (1724). Essas instituições não apenas centralizavam a produção de conhecimento científico, mas também ampliavam seu alcance social, promovendo debates públicos sobre ciência e sua aplicação prática.

No século XIX, com a industrialização, as academias passaram a desempenhar um papel ainda mais estratégico, contribuindo para inovações tecnológicas e para o avanço da ciência aplicada. Nesse período, surgiram instituições de renome fora da Europa, como a National Academy of Sciences nos Estados Unidos (1863). Com a explosão do conhecimento científico no século XX, as academias se tornaram organismos cruciais para a cooperação internacional. A criação de redes como o International Council for Science (ICSU), em 1931, ilustra a importância crescente de parcerias entre diferentes países para lidar com desafios globais. Além disso, muitas academias nacionais começaram a desempenhar funções consultivas, assessorando governos em questões científicas e tecnológicas. No Brasil, a fundação da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em 1916, representou um marco na organização da ciência no país.

Ao longo de sua história, as academias científicas evoluíram de pequenos grupos de intelectuais para instituições complexas, influentes e globalizadas. Hoje, elas desempenham um papel vital na orientação de políticas públicas, no avanço do conhecimento científico e na solução de problemas globais. Sua história reflete a própria evolução do pensamento científico, da observação individual ao esforço coletivo em escala planetária. A Academia de Ciências da África do Sul (Assaf) e a InterAcademy Partnership (IAP) divulgaram, em 2016, uma pesquisa pioneira sobre a presença feminina nas academias científicas em todo o mundo. O panorama apontava para um déficit na representatividade global. Das 69 academias nacionais pesquisadas, as mulheres ocupavam apenas 12% dos postos.


A presença delas no Brasil

As academias científicas no Brasil também desempenham um papel importante no desenvolvimento e promoção da ciência. Sua trajetória reflete os desafios e avanços da produção científica nacional desde o período colonial até os dias atuais. Durante o período colonial, a ciência brasileira era incipiente, sendo limitada principalmente às expedições de naturalistas europeus que documentavam a biodiversidade e os recursos naturais do território. Não havia uma infraestrutura dedicada à pesquisa ou ao ensino científico. Somente no século XIX, com a vinda da família real portuguesa ao Brasil em 1808, surgiram os primeiros esforços para institucionalizar a ciência. A fundação de instituições como o Real Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (precursora da Escola Politécnica) marcou o início de um processo mais organizado de produção e disseminação de conhecimento científico.

A criação da Academia Brasileira de Ciências (ABC) em 3 de maio de 1916 representou um marco na história científica do Brasil. Inspirada em modelos internacionais como a Royal Society britânica e a Académie des Sciences francesa, a ABC nasceu com o objetivo de promover o progresso das ciências e sua aplicação ao bem público. Inicialmente denominada Sociedade Brasileira de Ciências, a instituição foi idealizada por intelectuais e cientistas como Henrique Morize, engenheiro e diretor do Observatório Nacional. A ABC rapidamente se tornou um espaço de referência para pesquisadores brasileiros, promovendo encontros científicos, publicações e parcerias internacionais. Além disso, a ABC desempenhou um papel importante na valorização da ciência como instrumento de desenvolvimento nacional. Durante as primeiras décadas do século XX, a academia esteve envolvida em debates sobre educação, industrialização e inovação tecnológica, promovendo a ideia de que o progresso do Brasil dependia de uma base científica sólida.

O século XX propiciou avanços significativos para a ciência brasileira, com o surgimento de outras academias regionais e temáticas. Em paralelo, o governo federal começou a investir na criação de universidades e centros de pesquisa, como a Universidade de São Paulo (USP), em 1934, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1951.
Hoje, a ABC e outras instituições, como a Academia Nacional de Medicina e academias estaduais, desempenham um papel estratégico no avanço da ciência brasileira. Elas funcionam como pontes entre a comunidade científica, a sociedade e o governo, influenciando políticas públicas e promovendo a educação científica.

Como instituição pioneira no Brasil na área agronômica, a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA) foi fundada em 30 de setembro de 1983 e implantada em 31 de maio de 1984. No dia 28 de julho de 2010, em nome de todos os integrantes da APCA, criou-se a Academia Brasileira de Ciência Agronômica – ABCA, constituída por engenheiros agrônomos brasileiros radicados nas diversas regiões do Brasil, de notável saber agronômico e ilibada idoneidade. A ABCA foi composta por 100 patronos e acadêmicos titulares com formação em engenharia agronômica, nas diversas áreas de especialidade e provenientes de diversas regiões do território nacional. A ABCA teve como base de sua pirâmide, os 30 patronos e acadêmicos titulares egressos da APCA, tendo Eudes de Souza Leão Pinto como presidente e Alysson Paolinelly como vice-presidente.

A história das academias científicas no Brasil reflete o esforço contínuo para consolidar a ciência como base do desenvolvimento nacional. Desde suas origens no século XIX até os desafios contemporâneos, essas instituições têm sido protagonistas na construção de um sistema científico mais robusto e integrado no país.


As academias científicas em Santa Catarina

Santa Catarina, um estado conhecido por sua diversidade cultural, tem uma rica tradição na produção e disseminação do conhecimento científico. As academias científicas no Estado começaram a se consolidar no final do século XIX e início do século XX, acompanhando a expansão das instituições de ensino superior no Brasil. A fundação da Escola de Engenharia de Santa Catarina, em 1917, foi um marco importante, pois trouxe à tona a necessidade de organizações que incentivassem a pesquisa e o intercâmbio acadêmico. A influência de imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, também foi determinante para o desenvolvimento científico na região. Esses grupos trouxeram consigo a tradição de sociedades de estudos e associações acadêmicas, que influenciaram a criação de instituições locais voltadas à ciência.
No decorrer do século XX, o surgimento de universidades como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), fundada em 1960, foi um divisor de águas. A UFSC não apenas formou gerações de pesquisadores como também serviu como um polo para a organização de academias científicas, tal como a Academia Catarinense de Ciências (ACC). Fundada em 1975, a ACC tornou-se uma das principais referências no estado, reunindo cientistas de diversas áreas para debater questões relevantes e promover a excelência acadêmica. Além disso, a criação de outras academias temáticas, como a Academia Catarinense de Letras e Artes, também contribuiu para o enriquecimento do cenário intelectual.

Nos últimos anos, as academias científicas de Santa Catarina têm se adaptado às demandas contemporâneas, como a necessidade de soluções sustentáveis e a integração digital. Instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) desempenham um papel fundamental no fomento à pesquisa e no apoio às academias. Apesar dos avanços, as academias científicas em Santa Catarina enfrentam desafios, como o financiamento limitado e a necessidade de maior inclusão social. A promoção da ciência cidadã e a interação com diferentes setores da sociedade são fundamentais para garantir a continuidade e o impacto dessas instituições.

O futuro das academias científicas no Estado dependerá de sua capacidade de inovar e de atrair novos talentos. Além disso, o fortalecimento de parcerias com organizações nacionais e internacionais será essencial para manter sua relevância em um mundo cada vez mais interconectado. Desde suas origens até os dias atuais, as academias científicas desempenham um papel central na construção de uma sociedade mais instruída e preparada para os desafios do futuro. Com investimento e colaboração as academias catarinenses continuarão a ser um pilar importante para o avanço da ciência e da tecnologia. Daí a importância da criação da Academia Catarinense de Ciência Agronômica – ACCA, que reunirá profissionais renomados da área para apoiar o já bem sucedido trabalho das instituições públicas no desenvolvimento da agropecuária do Estado, com vistas a aumentos de produtividade, redução do uso de insumos, organização social efetiva e justa, desenvolvimento e bem estar dos trabalhadores do setor, redução da penosidade do trabalho e garantia da segurança alimentar, entre outros.

A ACCA tem por objetivo primordial contribuir para o desenvolvimento e o progresso da agronomia e da engenharia agronômica no Estado de Santa Catarina. Os compromissos da academia são os de colaborar com instituições de ensino superior, de pesquisa científica e tecnológica, de extensão rural, de atividades culturais e científicas; conselhos profissionais, entidades de classe e órgãos governamentais, visando o desenvolvimento e o aprimoramento da ciência agronômica. A ACCA pretende, também, promover, preservar, divulgar e publicar produções intelectuais e técnico-cientificas dos acadêmicos relacionadas à ciência agronômica; colaborar e participar da organização de eventos técnico-científicos, acadêmicos, de modo a aumentar o nível do conhecimento e de inovação dos engenheiros agrônomos; bem como incentivar, apoiar e zelar pelo aperfeiçoamento e melhoria do ensino agronômico, da ciência, da cultura agronômica em Santa Catarina, assim como o cumprimento da ética profissional e da preservação da memória dos profissionais da área.

Atualmente a ACCA, recém criada, é a segunda academia científica estadual na área agronômica, sendo a primeira a APCA de Pernambuco. Esperamos que venha contribuir com a ciência e o desenvolvimento estadual e seja um incentivo para a criação de outras, nos vários estados brasileiros.


*Zenório Piana – Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em agronomia. Presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica – ACCA.
[email protected]

07/05/2026

A Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA criada recentemente, em dezembro de 2024, está na sua fase final de estruturação. Já lançou dois editais e está com um quadro social de 30 acadêmicos efetivos e 30 patronos, contando com 30 cadeiras.
Há poucos dias lançou mais um edital para mais 10 acadêmicos. Com isso fechará seu quadro.
Gostaríamos de contar com a participação do colega neste edital. A escolha dos acadêmicos se dará por eleição em Assembleia Geral da ACCA, com uma avaliação prévia dos currículos.
Esclarecemos que só serão divulgados os nomes dos eleitos, assim evitaremos o constrangimento dos não eleitos. Mas será fornecido o resultado individualmente para os não eleitos.
A ACCA conta atualmente com um Facebook e um Instagram facilmente encontrado por pesquisa no Google.

Edital para inscrição de candidatos à cadeira de acadêmico na Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA

Em atendimento aos artigos 6°, 7°, 20 e 21 do Estatuto Social, o engenheiro agrônomo Dr. Zenório Piana, presidente da Academia, publica o presente edital de abertura do período de inscrição de engenheiros agrônomos candidatos a dez (10) cadeiras da terceira seleção na instituição científica, cultural e social, cujos requisitos são:
a) possuir o título de engenheiro agrônomo, obtido em curso de agronomia ou de engenharia agronômica regularmente estabelecido no país ou, se no exterior, devidamente revalidado de acordo com a legislação vigente;
b) ser brasileiro nato ou naturalizado;
c) possuir residência e domicílio em território brasileiro;
d) exercer ou ter exercido atividades profissionais, comprovadas mediante curriculum vitae documentado e aprovado por comissão competente designada pela ACCA entre seus membros titulares, destacando-se os seguintes itens:
d.1) liderança;
d.2) formação de recursos humanos;
d.3) atividades marcantes em pesquisa científica, extensão ou desenvolvimento rural;
d.4) atividades de ensino;
d.5) interações regionais, nacionais e internacionais com grupos de pesquisa, extensão e ensino;
d.6) produção científica e tecnológica na área agronômica e/ou em área relacionada à profissão de engenheiro agrônomo;
d.7) contribuição marcante para a agricultura catarinense;
d.😎 ter exercido cargos de relevância no Estado de Santa Catarina, ou em nível federal, relacionados à ciência agronômica;
d.9) possuir incontestável idoneidade moral e bom comportamento social.

Observações importantes:
1. Apresentar pedido de ingresso, indicando: nome completo, data e local de nascimento, filiação, profissão, endereços físico e eletrônico, telefone, curriculum vitae resumido em, no máximo, três páginas na fonte Arial 12, constando a relação dos seus títulos obtidos e uma lista de suas principais obras escritas e/ou publicadas. O currículo Lattes não será levado em consideração na avaliação.

2. Estar ciente de que os deveres dos acadêmicos na ACCA são:
a) comparecer às reuniões e eleições, bem como participar nas deliberações da assembleia geral;
b) comparecer às sessões da ACCA e, quando impedido, justificar a ausência;
c) desempenhar com zelo os mandatos ou encargos que lhe forem confiados, por eleição ou por designação;
d) zelar pelo bom nome da academia e pela dignidade da investidura acadêmica;
e) manter atualizado seu curriculum vitae junto à secretaria da academia;
f) divulgar o nome da ACCA em seus escritos e trabalhos;
g) conhecer o estatuto social e o regimento interno da ACCA.

3. Estar ciente de que os direitos dos acadêmicos na ACCA são:
a) votar e ser votado em qualquer cargo;
b) utilizar o título acadêmico;
c) utilizar as insígnias;
d) participar das reuniões da diretoria, das assembleias ordinárias e extraordinárias e das sessões solenes;
e) licenciar-se ou afastar-se mediante requerimento escrito à diretoria;
f) efetuar o pagamento da anuidade e/ou mensalidades com a academia e adquirir o fardão e outros materiais da ACCA a serem lançados e aprovados em assembleias;
g) usar a pelerine em sessões solenes e especiais;

4. A admissão dos novos membros acadêmicos será realizada por eleição, em assembleia geral e em votação secreta.

5. O pedido de candidatura deve ser encaminhado pelo correio eletrônico: [email protected] valendo a data de envio do pedido, com os documentos em anexo.

6. O prazo de inscrição de candidaturas tem início em 24 de abril de 2026 e encerra em 15 de julho de 2026.

7. O resultado da eleição será anunciado até 30 de agosto de 2026.

Florianópolis, 24 de abril de 2026.


Engenheiro-agrônomo Dr. Zenório Piana
Presidente da ACCA

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Artigo publicado pelo Presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA, Engenheiro agrônomo Doutor Zenório Piana, sobre academias de ciência, na Revista Agropecuária Catarinense da Epagri.
Acessível pelo link:
https://doi.org/10.52945/rac.v38i3.2254

Texto original:

Academia Catarinense de Ciência Agronômica – ACCA

Zenório Piana

O que é uma academia de ciências? Numa definição simples é uma associação que reúne profissionais, cientistas e pensadores de determinada área do conhecimento, que se reúnem com a tarefa principal de cultivar, proteger e divulgar a ciência.

Desde a antiguidade até os dias de hoje, as academias afirmaram-se como instituições guardiãs do conhecimento, trabalhando para o seu aperfeiçoamento, fortalecimento e divulgação. A origem do termo “academia” remonta à antiguidade, com a fundação por volta do ano 387 a.C. da Academia de Atenas, pelo filósofo grego Platão. Na Grécia Antiga, instituições como a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles podem ser vistas como precursoras das academias modernas. Elas reuniam intelectuais para discutir filosofia, ciências naturais e matemática. Durante a Idade Média, o conhecimento ficou amplamente restrito às universidades e mosteiros, sob forte influência religiosa.

Com o Renascimento, o avanço de métodos experimentais impulsionou o surgimento de novas formas de organização intelectual. A Renascença Italiana viu a criação de grupos dedicados ao estudo de ciências naturais, como a Accademia dei Lincèi, fundada em 1603 em Roma por Federico Cesi. O século 17 testemunhou o estabelecimento de instituições que moldariam a ciência como a conhecemos, consolidando o papel das academias como plataformas de comunicação acadêmica. No século 19, com a industrialização, as academias passaram a desempenhar um papel ainda mais estratégico, contribuindo para inovações tecnológicas e para o avanço da ciência aplicada. Nesse período, surgiram instituições de renome fora da Europa, como a Academia Nacional de Ciências (National Academy of Sciences) nos Estados Unidos em 1863.

No Brasil, a Academia Brasileira de Letras, na cidade do Rio de Janeiro desde a sua fundação, há mais de 128 anos, atribuiu a si como tarefa essencial o cultivo da língua portuguesa e, no transcurso dos anos, adquiriu o direito de autoridade normativa, descritiva e estilística no universo da língua pátria. A fundação da Academia Brasileira de Ciências – ABC, com sede no Campus da USP, em Piracicaba, SP, desde 1916, representou um marco na organização da ciência no país. Inspirada em modelos internacionais, nasceu com o objetivo de promover o progresso das ciências e sua aplicação ao bem público. A ABC rapidamente se tornou um espaço de referência para pesquisadores brasileiros, promovendo encontros científicos, publicações e parcerias internacionais, e hoje desempenha um papel importante na valorização da ciência como instrumento de desenvolvimento nacional.

Como instituição pioneira no Brasil na área agronômica, a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica – APCA foi fundada em 1983. Em 2010 foi criada a Academia Brasileira de Ciência Agronômica – ABCA, localizada em Recife, PE.

Santa Catarina, um estado conhecido por sua diversidade cultural, tem uma rica tradição na produção e disseminação do conhecimento científico, mas possui poucas academias científicas. Daí a importância da criação da Academia Catarinense de Ciência Agronômica – ACCA, reunindo profissionais renomados da área para apoiar ainda mais o bem-sucedido trabalho das instituições públicas e privadas no desenvolvimento da agropecuária, visando a aumentos de produtividade, redução do uso de insumos, organização social efetiva e justa, desenvolvimento e bem-estar dos trabalhadores do setor, redução da penosidade do trabalho e garantia da segurança alimentar, entre outros. Atualmente a ACCA, recém-criada, é a segunda academia científica estadual na área agronômica. A primeira foi a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica – APCA, criada em 1983.

Historicamente, o estado de Santa Catarina teve a sua primeira academia na área das letras, a Academia Catarinense de Letras – ACL, criada em 30 de outubro de 1920, com sede em Florianópolis, SC.

A criação e composição da ACCA

A ACCA foi criada em 19 de dezembro de 2024, por um grupo de sete engenheiros-agrônomos, que são os membros fundadores: Zenório Piana, Edson Silva, Carlos Pieta Filho, Ari Neumann, Sergio Zampieri, Roger Delmar Flesch e Celso Albuquerque Filho, por essa ordem de ingresso, que participaram do processo inicial de construção da Academia. Estes membros constituíram uma diretoria, cuja presidência coube ao Dr. Zenório Piana, lançaram um primeiro edital para mais 14 membros efetivos e elegeram 21 patronos. Em 26 de setembro de 2025 os acadêmicos tomaram posse, foram diplomados e os patronos receberam a merecida homenagem. A solenidade aconteceu no auditório da Epagri em Florianópolis, SC e foi bastante concorrida, contando com a presença de mais de 220 pessoas. A ACCA está programada para ter 40 membros efetivos e 40 patronos. Assim, foi lançado mais um edital em setembro de 2025 para nove membros e está programado outro, para 2026 para mais 10, concluindo a etapa de constituição da academia.

A importância da ciência agronômica para Santa Catarina

Em Santa Catarina a ciência agronômica não é apenas uma área do saber – é a base que sustenta a produção de alimentos, a preservação dos recursos naturais, o desenvolvimento das comunidades rurais e o equilíbrio entre tradição e inovação.

Embora ocupe apenas 1,1% 1,12% do território nacional, Santa Catarina aparece entre os principais estados produtores brasileiros em Valor Bruto da Produção, resultado de um processo histórico e estruturado de desenvolvimento rural. O setor do agronegócio de Santa Catarina representa cerca de 25 % do PIB estadual. As pesquisas agronômicas, aliadas à assistência técnica e extensão rural, em boa parte desenvolvidas por engenheiros-agrônomos, permitiram que a produtividade de muitas lavouras fosse sensivelmente aumentada em Santa Catarina ao longo dos anos.

Tecnologias geradas na área da agropecuária vêm elevando anualmente a produtividade das lavouras e criações, propiciando, um considerável retorno econômico e social ao Estado. Nesse importante processo não podemos olvidar de citar três grandes líderes estaduais; que são patronos da ACCA: o pai da pesquisa agropecuária em Santa Catarina, o engenheiro-agrônomo e médico-veterinário Dr. Giovanni Rossi, o pai da extensão rural em Santa Catarina, o engenheiro-agrônomo Glauco Olinger, e o pai da pesquisa agropecuária moderna, o engenheiro-agrônomo José Oscar Kurtz.

A responsabilidade do acadêmico e a homenagem aos patronos

Ingressar na Academia Catarinense de Ciência Agronômica não representa apenas ocupar uma cadeira. É um compromisso do profissional em assumir a responsabilidade de representar a ciência em sua plenitude: com rigor e sensibilidade; com técnica e humanidade. O acadêmico é guardião do conhecimento acumulado e é também aquele que abre caminhos para novas descobertas. O ingresso do acadêmico na ACCA não é apenas simbólico, mas de reverência àqueles que, com dedicação e pioneirismo, se tornaram patronos das cadeiras. Um patrono é mais que um nome inscrito na memória da Academia. É um exemplo, um farol que ilumina os passos daqueles que vêm depois. Cada cadeira acadêmica carrega consigo uma herança de esforço, de talento e de paixão pela agronomia. Lembrar-se dos patronos é lembrar que há uma linha de continuidade: os acadêmicos são herdeiros de uma tradição e também responsáveis pela inovação. Cada cadeira da Academia é, ao mesmo tempo, uma honra e uma missão. Honra, porque significa o reconhecimento de seus pares, valorização de sua trajetória, testemunho de que sua vida profissional tem relevância para a ciência agronômica catarinense. Missão, porque, a partir da posse, o membro assume a responsabilidade de dar legado à cadeira que passa a ocupar, de honrar a memória do patrono que a inspira, de contribuir com a vitalidade da Academia.
Três são as dimensões essenciais da vida acadêmica: o reconhecimento, a continuidade e a memória. Reconhecimento, pela trajetória dos acadêmicos que assumem suas cadeiras; continuidade, pela renovação de forças e ideias que chegam para somar; e memória, porque uma academia que preserva seus patronos preserva também a história e os alicerces da ciência agronômica no estado de Santa Catarina.

Photos from Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA's post 01/05/2026

O primeiro livro lançado pela Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA teve o apoio da Epagri.
O livro “O INÍCIO DA MODERNIZAÇÃO: uma revisão histórica da pesquisa agropecuária em Santa Catarina” foi entregue também ao ex-ministro da agricultura e ex-presidente da ABCA, Dr. Roberto Rodrigues, durante o seu lançamento por ocasião de solenidade de “50 Anos de Pesquisa da Epagri”, no SESC/Cacupé, em Florianópolis, SC, na data de 21/10/2025.
O livro coordenado pelos doutores Edson Silva e Zenório Piana, vice-presidente e presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica - ACCA, respectivamente, contou com a contribuição de nove autores. Foi integralmente revisado e editorado pela Epagri.
Para acessar o livro na forma digital “grátis” basta entrar no link mostrado a seguir e depois clicar sobre pdf:
https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/livros/issue/view/409

29/04/2026

Discurso em nome dos novos acadêmicos da Academia Catarinense de Ciência
Agronômica – ACCA, na solenidade de posse e diplomação, em 24 de abril de 2026, no auditório do Crea-SC, pela acadêmica Rosiclér Maria Vanti.

Boa Tarde!
Dr. Zenório Piana - Presidente da Academia Catarinense de Ciência Agronômica.
Engenheira Agrônoma Isabelle Nami Regis, representando a Engenheira Sanitarista
Ambiental e Segurança do Trabalho Fernanda Maria Felix Vanhoni, presidente em
exercício do Crea-SC.
Autoridades que compõem a mesa.
Autoridades Presentes.
Prezados Patronos e Patronas.
Caros Colegas Acadêmicos.
Estimados convidados.
Saudações!

Eu Rosicler Maria Vanti, acadêmica neófita, quero registrar minha alegria e honra em
representar os novos colegas acadêmicos nesta solenidade de posse e diplomação.
Engenheiros agrônomos de notório saber intelectual e prestígio, com legado de sólidas
contribuições técnico-científicas em diversas áreas do conhecimento e das atividades
agronômicas desenvolvidas no Estado, no país e exterior. Representá-los nesse ato,
um daqueles bons presentes que a vida, por vezes, oferece. Muito Obrigada!

A oportunidade, é também, de manifestar, em nome de todos, nossa reverência,
homenagem, admiração e agradecimento aos patronos e patronas que inspiram e
impressionam pelo exemplo de trabalho, entusiasmo, dedicação e robusta
contribuição técnico-científica ao desenvolvimento sustentável da agropecuária
nacional.

É uma honra, uma distinção, um mérito ingressarmos na Academia Catarinense de
Ciência Agronômica. Nos sentimos mais fortes e preparados para novos desafios.
Honramos cada capítulo que nos trouxe até aqui.
Nosso ponto em comum? a ciência, as inovações tecnológicas e a extensão rural que
transmite e promove a aplicação delas no campo.
Ciência, conjunto de saberes obtidos através da observação e experimentação que
procura conhecer a natureza para a resolução de problemas, visando dominá-la em
seu próprio benefício. Rigor metodológico para uma explicação objetiva, verificável e
testável cujos resultados precisam ser replicáveis. Uso da razão e da prática
experimental para verificar hipóteses e explicar fenômenos.
É dinâmica, focada em expandir o conhecimento para desenvolver novos produtos, serviços, processos ou melhorando os existentes. É o fundamento, a base, da
tecnologia e das inovações, podendo ser transformada imediatamente em política
pública quando o interesse for coletivo.
A organização, disseminação e intercâmbio do conhecimento científico encontram
apoio nas Academias cuja origem remonta à antiguidade.

Para um breve histórico sobre Academias Científicas, entremeio citações de Zenório
Piana, em seus artigos publicados na Revista Agropecuária Catarinense, Florianópolis,
2025 e no informativo do Crea-SC.
A Academia de Atenas, fundada pelo filósofo grego Platão por volta do ano de 387 a.C.
e o Liceu de Aristóteles podem ser vistas como precursoras das academias modernas.
Elas reuniam intelectuais para discutir filosofia, ciências naturais e matemática.
Posteriormente, na idade média, o conhecimento científico ficou restrito às
universidades e mosteiros, sob forte influência religiosa.
Mas, foi com o Renascimento, um movimento cultural, artístico e político, iniciado na
Itália no século XIV que se estendeu, por toda a Europa, até o século XVII, que ocorreu
o avanço de métodos experimentais que impulsionaram o surgimento de novas formas
de organização intelectual.
A Acadêmia Nazionale dei Lincei, fundada em 1603 em Roma, por Frederico Cesi, é
considerada a academia científica mais antiga e prestigiada do mundo. Teve Galileu
Galilei como um dos primeiros membros, e atua desde 1992 como principal consultora
científica do governo italiano, promovendo a excelência científica e cultural, com
ênfase na multidisciplinaridade.
No século XIX, com a industrialização, as academias passaram a desempenhar um
papel ainda mais estratégico, contribuindo para inovações tecnológicas e para o
avanço da ciência aplicada. Neste período surgiram instituições de renome fora da
Europa, como a Academia Nacional de Ciências nos Estados Unidos, em 1863.
No Brasil, no período colonial, a ciência ainda era incipiente, limitada às expedições de
naturalistas europeus que documentavam a biodiversidade e os recursos naturais do
território. Com a vinda da família real portuguesa, em 1808, surgiram os primeiros
esforços para institucionalizar a ciência. O inicio foi marcado pela fundação de
instituições como o Real Jardim Botânico no Rio de Janeiro e a Escola Real de Ciências,
Artes e Ofícios. Para ilustrar, D. Pedro II, 1883, por decreto, criou, em Pelotas no Rio
Grande do Sul, a Imperial Escola de Medicina Veterinária e Agronomia de onde muitos
de nós somos egressos.
Há mais de 128 anos (1898), a Academia Brasileira de Letras, atribuiu a si, como tarefa
essencial, o cultivo da língua portuguesa e, no transcurso dos anos, adquiriu o direito
de autoridade normativa, descritiva e estilística no universo da língua pátria.
A Academia Brasileira de Ciências, 1916, representou um marco na organização da
ciência no país. Rapidamente se tornou um espaço de referência para pesquisadores
brasileiros, promovendo encontros científicos, publicações e parcerias internacionais.
Na área agronômica, como instituição pioneira no Brasil, foi fundada, em 1983, a
Academia Pernambucana de Ciência Agronômica e, só depois, em 2010, foi criada a
Academia Brasileira de Ciência Agronômica.
O Estado de Santa Catarina, conhecido por sua diversidade cultural, tem uma rica
tradição na produção e disseminação do conhecimento científico. A fundação da
Escola de Engenharia de Santa Catarina em 1917 foi um marco importante pois trouxe
à tona a necessidade de organizações que incentivassem a pesquisa e o
desenvolvimento acadêmico.
Nesse ínterim, instituições de pesquisa, extensão rural e ensino superior, como a
extinta EMPASC, Faculdades de Agronomia da UFSC, UDESC, UNISUL, Instituições
como EPAGRI, FAPESC e outras instituições também importantes foram sendo criadas
e novos talentos surgiram enriquecendo o cenário e promovendo o avanço da ciência,
da pesquisa, da extensão e, consequentemente, o desenvolvimento agropecuário no Estado.

Chegada a hora e a vez, em 19 de dezembro de 2024, foi criada a Academia Catarinense
de Ciência Agronômica, ou simplesmente ACCA, assumindo o posto de segunda
academia no Brasil, de âmbito estadual, na área agronômica. Sua construção e criação
são devidas aos engenheiros agrônomos, membros fundadores Zenório Piana, Edson
Silva, Carlos Pieta Filho, Ari Neumann, Sergio Zampieri, Roger Delmar Flesch e Celso
Lopes de Albuquerque Filho.
Nossos cumprimentos aos fundadores pelo mérito da criação e pelos resultados
advindos dela.

A ACCA é entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia
administrativa e financeira, constituída por engenheiros agrônomos em torno de um
objetivo comum, o de promover o desenvolvimento e a excelência da ciência
agronômica no Estado de Santa Catarina em consonância com os princípios básicos da
agropecuária racional e sustentável, assegurando às regiões do Estado, o pleno uso de suas potencialidades rurais para a grandeza das instituições e o bem-estar da
população catarinense, na busca do efetivo aproveitamento dos recursos naturais
água, solo, fauna, flora e ar tendo em vista a responsabilidade social e o
desenvolvimento sustentável.

Nós, os novos acadêmicos, agradecemos pela acolhida e pela bela cerimônia preparada com esmero. Estamos prontos e a postos para atender aos objetivos da ACCA, somar esforços e contribuir, com nosso saber técnico e nossa vivência profissional para, em conjunto com as demais áreas tecnológicas, promover o constante avanço da ciência para a sustentabilidade social e ambiental das atividades econômicas e a garantia da segurança alimentar no Estado de Santa Catarina.
Contem conosco.
Muito Obrigada!

Rosiclér Maria Vanti
Engenheira-agrônoma Profª Dra.
Acadêmica da ACCA

Florianópolis, 24 de abril de 2026.

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