Dr. Thiago Lopes - Autismo e Desenvolvimento Infantil

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19/06/2026

Transtornos de comportamento no autismo não são “fases”.
São sinais de alerta que podem comprometer a autonomia e o futuro da pessoa.

Mesmo com inteligência preservada, um indivíduo com comportamentos graves — agressividade, autolesão, destruição de objetos, gritos, estereotipias incontroláveis — pode precisar de suporte constante.

Esses comportamentos interferem no desenvolvimento, na aprendizagem e na vida social.
Intervir cedo faz toda a diferença.

18/06/2026

Muitas vezes, quando falamos em intervenção para o autismo, o foco acaba ficando em um único método ou abordagem. Mas a realidade é que existem diversas estratégias baseadas em evidências que podem contribuir para o desenvolvimento da criança.

Por isso, quem supervisiona um programa de intervenção precoce comportamental intensivo precisa ter uma base sólida em Análise do Comportamento. Não para se limitar a uma única técnica, mas para compreender profundamente os princípios que permitem selecionar, adaptar e combinar estratégias de forma individualizada.

Isso não significa que todo profissional que atua com autismo precise ser analista do comportamento. Terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicomotricistas e outros profissionais possuem conhecimentos específicos fundamentais. Mas compreender os princípios comportamentais amplia as possibilidades de intervenção e favorece decisões clínicas mais precisas.

Quanto maior o repertório técnico do profissional, maiores as chances de construir intervenções eficazes, flexíveis e verdadeiramente centradas nas necessidades de cada criança.

17/06/2026

“Quando pensamos em TDAH, geralmente pensamos em notas baixas, dificuldade de concentração e problemas na escola.

Mas os maiores prejuízos muitas vezes acontecem longe da sala de aula.

Existe algo que gosto de chamar de ‘pseudo isolamento’.

Não porque a pessoa esteja isolada das outras, mas porque, aos poucos, as outras pessoas vão se afastando dela.

A impulsividade interrompe conversas.
A hiperatividade pode gerar conflitos.
A desatenção passa a impressão de desinteresse.
As dificuldades de autorregulação desgastam amizades, relacionamentos e convivências.

O resultado? Muitas vezes a criança, o adolescente ou o adulto com TDAH acaba enfrentando rejeições constantes sem entender exatamente o motivo.

Por isso, reduzir o TDAH a um transtorno de desempenho escolar é um erro.

Estamos falando de um transtorno que pode impactar autoestima, vínculos sociais, saúde mental, relacionamentos familiares e qualidade de vida.

Quando identificamos e tratamos o TDAH adequadamente, não estamos apenas ajudando alguém a aprender melhor.

Estamos ajudando essa pessoa a se conectar melhor com o mundo.

16/06/2026

Lidar com a indisciplina em sala de aula é um dos maiores desafios enfrentados pelos professores atualmente.

E a boa notícia é que a ciência mostra que grande parte desses desafios pode ser reduzida com estratégias simples, preventivas e aplicáveis no dia a dia escolar.

Em média, cerca de 80% dos comportamentos desafiadores respondem a intervenções universais, aquelas que beneficiam todos os alunos da turma.

Isso inclui:
✔️ Regras e expectativas claras
✔️ Participação dos alunos na construção dos combinados
✔️ Ensino de habilidades sociais
✔️ Reconhecimento e valorização dos comportamentos adequados

Muitas vezes, os estudantes que estão engajados, colaborando e participando da aula silenciosamente acabam recebendo menos atenção simplesmente porque não demandam intervenção naquele momento. Por isso, uma estratégia tão importante é aumentar o reconhecimento desses comportamentos positivos, fortalecendo aquilo que queremos que aconteça mais vezes.

A gestão da indisciplina não se resume a corrigir comportamentos inadequados. Ela envolve criar um ambiente em que os alunos saibam o que se espera deles, sintam-se pertencentes e tenham oportunidades reais de sucesso.

Se você é professor, gestor escolar ou profissional da educação e quer aprender estratégias baseadas em evidências para prevenir e manejar comportamentos desafiadores na escola, o curso Gestão da Indisciplina Escolar Baseada em Evidências já está disponível.

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15/06/2026

A inclusão falha quando não existe pertencimento.

Muitos pais sonham em ver seus filhos construindo amizades, sendo aceitos e encontrando seu lugar no mundo. E, às vezes, na busca por oportunidades de aprendizado com crianças típicas, esquecemos de uma necessidade igualmente importante: o sentimento de pertencimento.

Aprender habilidades sociais é importante. Adaptar-se a diferentes contextos também faz parte da vida. Mas autoestima, identidade e segurança emocional nascem quando a pessoa encontra espaços onde pode ser quem é e ainda assim ser acolhida.

Nem toda amizade significativa será construída com pessoas típicas. Muitas vezes, conexões profundas surgem justamente entre aqueles que compartilham experiências parecidas, desafios semelhantes e uma compreensão mútua que não precisa ser explicada.

Preparar nossos jovens para a realidade não significa negar quem eles são. Significa ajudá-los a desenvolver recursos para navegar pelo mundo sem perder sua essência.

Porque ninguém cresce apenas aprendendo a se adaptar. Crescemos também quando nos sentimos vistos, compreendidos e aceitos.

Você concorda? Como foi sua experiência com amizades dentro e fora da escola?

14/06/2026

Nem todo comportamento desafiador é um transtorno de comportamento.

Em pessoas com autismo, especialmente quando há dificuldades importantes de comunicação, flexibilidade e compreensão social, comportamentos como agressividade, gritos, xingamentos e oposição podem ter origens muito diferentes.

Quando o diagnóstico é equivocado, o tratamento também tende a seguir o caminho errado.

Recentemente, acompanhei uma adolescente autista que chegou com o rótulo de "transtorno grave de comportamento". As estratégias focadas apenas na redução dos comportamentos não produziram resultados. Mas, ao compreender melhor seu funcionamento e reorganizar a intervenção de acordo com suas reais necessidades, observamos em poucas semanas avanços que não haviam acontecido em meses.

Diagnóstico não é apenas um nome. Ele direciona decisões clínicas, define prioridades e influencia diretamente os resultados da intervenção.

Por isso, mais importante do que conhecer critérios diagnósticos é compreender profundamente como aplicá-los na prática e diferenciar condições que podem parecer semelhantes, mas exigem abordagens completamente diferentes.

13/06/2026

“Ele não para quieto… sobe em tudo!”

Muitas vezes essa frase vem acompanhada de orgulho.
Mas, em alguns casos, ela pode ser um sinal importante no desenvolvimento da criança.

Se uma criança busca movimento o tempo todo — sobe, escala, corre riscos, se joga no chão — precisamos olhar com mais atenção.

Isso pode estar relacionado a alterações motoras, como hipotonia, hiperfrouxidão ligamentar ou baixa propriocepção.
Nessas situações, a criança busca movimento constantemente para sentir melhor o próprio corpo no espaço.

Alguns sinais que merecem atenção:
• necessidade excessiva de movimento
• pouca noção de perigo
• busca constante por contenção ou pressão
• comportamentos de risco para receber contato físico

Nem sempre é apenas “energia demais”.
Às vezes, é o corpo tentando se organizar sensorialmente e motoramente.

Se apenas uma criança do grupo apresenta esse padrão de forma intensa, vale a pena investigar.

Quanto antes identificamos alterações de tônus, propriocepção e controle motor, maiores são as chances de oferecer intervenções adequadas.

Trecho da entrevista com Cibele Calza durante o Congresso Farol Manaus 2026,
onde discutimos sinais motores que muitas vezes passam despercebidos no desenvolvimento infantil.

12/06/2026

Nem sempre mais terapia significa mais qualidade de vida.

Em muitos casos, especialmente na adolescência e na vida adulta, o foco deixa de ser preencher checklists de desenvolvimento e passa a ser algo muito mais importante: preparar a pessoa para viver a própria vida.

Aprender a frequentar ambientes da comunidade, praticar uma atividade física, participar de um clube, desenvolver autonomia e reduzir a quantidade de suporte necessária no dia a dia pode ter muito mais impacto do que adquirir habilidades que raramente serão utilizadas fora da clínica.

Precisamos olhar além dos gráficos e das metas terapêuticas. O verdadeiro objetivo da intervenção deve ser aumentar a independência, a participação social e a qualidade de vida.

Desenvolvimento não é apenas adquirir habilidades. É aprender a funcionar no mundo real.

10/06/2026

Previsibilidade e suporte visual no manejo comportamental

Crianças com TEA costumam ter mais dificuldade para lidar com mudanças e transições. Quando o ambiente é imprevisível, o cérebro entra em alerta — e é aí que os comportamentos desafiadores podem aparecer.

Mas com planejamento e suporte visual, conseguimos transformar esses momentos em oportunidades de aprendizagem!

Mostre o que vai acontecer: use timers, painéis visuais ou imagens para sinalizar quando uma atividade vai terminar.
Exemplo: “Quando o relógio acabar, encerramos a atividade.”
Isso ajuda a criança a compreender o tempo e se preparar para a transição, reduzindo ansiedade.

Antecipe situações desafiadoras: se você sabe que a criança se frustra quando não encontra um objeto específico, deixe-o visível antes dela chegar.
Pequenas prevenções como essa diminuem crises e mantêm o ambiente acessível ao aprendizado.

Quanto mais previsível for o ambiente, mais segura, regulada e disponível para aprender a criança estará.

08/06/2026

Esses dias vi uma cena que me fez refletir.

Um senhor já de idade chegou ao clube com seu filho adulto, uma pessoa autista com nível 3 de suporte. Entraram juntos na piscina, nadaram por um bom tempo e, ao final, se organizaram e foram embora.

Uma cena simples, mas cheia de significado.

Ela falava sobre vínculo, autonomia, qualidade de vida e participação social.

Muitas vezes, pensamos na intervenção apenas para resolver desafios do presente. Mas o verdadeiro objetivo é construir habilidades que façam sentido ao longo de toda a vida.

Por isso, cada vez mais vejo adolescentes e adultos autistas se beneficiando de atividades como natação, academia e esportes. Não apenas pelo exercício físico, mas pelas oportunidades de autonomia, bem-estar e inclusão.

Nem toda intervenção acontece dentro de uma sala de terapia.

Às vezes, ela aparece anos depois, em uma piscina, em uma caminhada ou em uma atividade compartilhada entre pai e filho.

E isso também é desenvolvimento.

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