Dr. Thiago Lopes - Autismo e Desenvolvimento Infantil

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15/07/2026

Tem coisa que precisa ser dita com clareza: assistir não é o mesmo que aprender a fazer.

Enquanto a família permanece apenas na recepção, muitas oportunidades de desenvolvimento deixam de acontecer.

Quando a mãe entra na sessão, senta no chão, participa e aprende na prática…
o resultado é outro. Completamente diferente.

“Ah, mas ele chora quando ela entra…”
E é exatamente por isso que ela precisa entrar.

Se ninguém ensinar essa mãe a lidar com esse momento, quem vai?

Abrir a porta da intervenção para a família não é “atrapalhar a sessão”.
É potencializar resultados, favorecer a generalização e garantir continuidade fora da clínica.

Criar espaços para que familiares participem, mesmo que em momentos específicos da semana, é um caminho possível — e necessário.

🎥 O vídeo completo está disponível no canal DrThiagoLopes no YouTube.

13/07/2026

Existe uma pressão enorme para que a criança esteja sempre com pares típicos, como se isso, por si só, garantisse desenvolvimento.

Mas nem todo ambiente ensina.
Muitas vezes, só expõe. Compara. E faz a criança se sentir diferente o tempo inteiro.

E aí vem a culpa:
“Será que eu estou fazendo pouco?”
“Será que eu deveria insistir mais?”

Mas a pergunta mais importante é outra:
esse contexto está promovendo desenvolvimento… ou sofrimento?

Pertencimento não é estar onde esperam que a criança esteja.
É estar onde ela pode ser quem é, sem precisar se defender o tempo todo.

Às vezes, escolher grupos com outras crianças atípicas não é desistir da inclusão.
É fazer uma escolha mais honesta, mais sensível — e, muitas vezes, mais eficaz.

Porque não adianta estar incluído e se sentir sozinho.

12/07/2026

Quando uma criança, adolescente ou adulto apresenta um transtorno grave de comportamento, não está disponível para aprender. E muitas vezes, passamos semanas inteiras "pisando em cascas de ovos", evitando crises, sem conseguir de fato ensinar.⁠

Sessão sem choro nem briga não é sinônimo de progresso. Às vezes, o único profissional que está realmente promovendo mudança é justamente aquele com quem a criança mais se desregula — porque é ali que os desafios estão sendo enfrentados.⁠

Antes da aprendizagem, vem a regulação emocional. Sem ela, não há desenvolvimento possível.⁠

11/07/2026

Muitas vezes, comportamentos que parecem “falta de atenção” ou “hiperatividade” escondem algo muito maior: altas habilidades.

Esse aluno já dominava o conteúdo e, por isso, se mostrava inquieto. A solução não veio em forma de medicação, mas sim em adaptação pedagógica: acesso a livros, novos desafios e espaço para expandir seus interesses.

Nem sempre a agitação é sinal de TDAH. Em alguns casos, é potencial criativo e cognitivo pedindo para ser estimulado.

10/07/2026

Esperar que um comportamento desafiador desapareça "com o tempo" pode parecer uma solução, mas, na prática, nem sempre é o que acontece.

Muitos comportamentos são aprendidos ao longo de meses ou anos e passam a cumprir uma função para a pessoa. Em alguns casos, uma agressão pode ser a única forma que ela encontrou para comunicar dor, desconforto ou uma necessidade.

Por isso, não basta apenas esperar. É preciso identificar a função do comportamento, estabilizar a situação quando necessário e ensinar formas mais adequadas de comunicação.

Cada caso exige uma avaliação individual, baseada em evidências e em um plano de intervenção estruturado.

Quanto mais cedo a intervenção acontece, maiores são as oportunidades de desenvolver habilidades que promovam autonomia e qualidade de vida.

💬 Você já conhecia o conceito de função do comportamento? Conte nos comentários.

09/07/2026

A socialização no autismo muda com o tempo.

Na infância, muitas vezes o foco está em ensinar contato social, brincadeira, faz de conta e reciprocidade. E isso é importante. Mas chega um momento em que as demandas sociais mudam.

Por volta dos 8 anos, a interação deixa de ser apenas brincar. Passa a ser conversar, compartilhar interesses, sustentar diálogos, participar de atividades em grupo e criar vínculos verdadeiros com outras crianças.

E é aí que muitas dificuldades começam a aparecer com mais clareza.

Muitas crianças autistas passam a preferir ficar com adultos porque o adulto flexibiliza a conversa, adapta o comportamento e sustenta a interação. Já entre crianças da mesma idade, a troca exige habilidades sociais mais espontâneas, flexíveis e funcionais.

Por isso, não basta ensinar respostas sociais decoradas. É preciso construir comunicação funcional, iniciativa social, flexibilidade e interesse genuíno pelo outro ao longo do desenvolvimento.

Quando essas habilidades não acompanham as novas demandas da idade, a criança vai se afastando das interações, criando estratégias de esquiva e ficando cada vez mais isolada socialmente.

Interação social não é apenas “parecer sociável”. É conseguir construir relações reais com pessoas da mesma faixa etária.

08/07/2026

Quando falamos em transtornos graves de comportamento, especialmente em casos com alto potencial lesivo, precisamos entender que não existem soluções simplistas.

Existem crianças e adolescentes que chegam a apresentar dezenas ou até centenas de comportamentos autoagressivos em uma única hora. Nessas situações, não basta apenas identificar a função do comportamento e “ignorar para não reforçar”.

Em muitos casos, principalmente com crianças maiores, estratégias baseadas apenas em extinção podem gerar um pico de agravamento do comportamento antes da melhora. Isso significa mais agressividade, mais crises e mais risco para a própria criança e para quem está ao redor.

Por isso, o manejo de casos graves exige planejamento, segurança, análise funcional bem feita e intervenções baseadas em evidências. É um trabalho técnico, cuidadoso e individualizado.

Precisamos parar de tratar casos complexos com receitas prontas. Cada comportamento comunica algo — e nossa responsabilidade é entender isso sem colocar a criança em risco.

07/07/2026

Muitas vezes, pequenas mudanças na rotina escolar podem gerar grandes impactos no comportamento e na adaptação da criança.

O check-in, check-out é uma estratégia baseada em evidências, indicada para casos moderados de dificuldade comportamental e desrespeito a regras escolares. Funciona de forma simples: a criança inicia e encerra o dia escolar com uma pessoa de referência dentro da escola.

Nesse momento, são revisadas regras, metas, combinados, sistemas de reforço e, principalmente, como a criança está se sentindo. Também é uma oportunidade para ajustar o ambiente escolar e fortalecer o vínculo com um adulto de confiança.

Pode parecer algo simples, mas os resultados são significativos:
• aumenta o vínculo e a previsibilidade
• fortalece o reforço positivo
• melhora a autorregulação
• ajuda a criança a construir metas e acompanhar seu próprio progresso

E o mais importante: a criança deixa de ser vista apenas pelo comportamento-problema e passa a ter um espaço estruturado de acolhimento e orientação dentro da escola.

O check-in, check-out não é a única intervenção necessária, mas é uma das estratégias com forte demonstração de eficácia quando pensamos em manejo comportamental baseado em evidências.

06/07/2026

Se a fono é um recurso caro, escasso e difícil de acessar… como faz sentido desperdiçar essa única hora?

Não dá pra acreditar que 50 minutos isolados, dentro de uma sala, vão mudar o quadro de uma criança com maiores desafios. Não vão.

Ou a intervenção ultrapassa a porta da terapia… ou ela não sustenta evolução.

“Ah, mas não pode isso, não pode aquilo…”
Então faz o que pode. Mas FAZ.

Ensina estratégia. Orienta a família. Amplia repertório.
E, principalmente: garante comunicação.

Porque nenhuma criança pode esperar “aprender a falar” pra só então ser ouvida.

Comunicação alternativa NÃO é última opção.
É direito. É acesso. É dignidade.

Dr. Thiago Lopes, a fonoaudióloga Fernanda Reis e a fono Elisabete Giusti explicam por que muitas crianças no espectro não desenvolvem a fala — e como o problema pode ir muito além da articulação.

Um conteúdo direto, necessário e que pode mudar sua forma de enxergar diagnóstico e intervenção.

🎥 Assista completo no meu canal DrThiagoLopes no Youtube.

05/07/2026

Quando um lugar é realmente inclusivo, dá pra sentir logo na entrada!

O atendimento prioritário é lei — e deve incluir também o símbolo do autismo nas placas.
Aqui em Santa Catarina, inclusive, os estabelecimentos podem ser multados se não tiverem o símbolo corretamente sinalizado.

Mas não basta só colocar a placa: é preciso respeitar na prática.
Famílias ainda relatam situações em que escutam: “não podemos passar você na frente dos outros clientes”.
Pode não… deve!

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