Sobraf - Sociedade Brasileira para Estudos da Fisiologia

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O sangue menstrual não é só o que o organismo elimina no fim de um ciclo. É quase como receber, espontaneamente e de for...
20/08/2026

O sangue menstrual não é só o que o organismo elimina no fim de um ciclo.

É quase como receber, espontaneamente e de forma não invasiva, uma pequena amostra biológica de um tecido que passa por profundas transformações todos os meses.

Pesquisas recentes vêm explorando justamente esse potencial, investigando o sangue menstrual para detecção de HPV e alterações cervicais e, especialmente, para a identif**ação de biomarcadores relacionados à endometriose.

Nesse último caso, já foram encontradas diferenças relacionadas à resposta à progesterona e decidualização, atividade imunológica, angiogênese, metabolismo e expressão gênica.

Ainda não estamos falando de exames prontos para substituir os métodos diagnósticos atuais. Mas existe uma reflexão que vai além do desenvolvimento de novos testes…

Talvez precisemos voltar a prestar mais atenção à própria menstruação.

E isso também exige cuidado quando discutimos inclusive seu bloqueio medicamentoso.

Porque existem indicações legítimas. O problema não é bloquear a menstruação quando há indicação clínica, e a ausência de sangramento provocada por métodos hormonais, por si só, não signif**a que o sangue esteja sendo “acumulado” ou que o organismo precise menstruar para se “limpar”.

Mas o médico precisa considerar que, antes de suprimir um fenômeno fisiológico ou um sintoma, é prudente investigar adequadamente o que ele estava mostrando.

Dependendo do caso, o padrão pode ser uma pista para endometriose, adenomiose, leiomiomas, alterações ovulatórias, distúrbios endometriais ou outras condições que merecem investigação.

Então, suprimir o sangramento pode fazer parte do tratamento, mas substituir a investigação pela supressão é completamente diferente.

Os novos estudos reforçam justamente o quanto ainda temos a aprender com a fisiologia do ciclo.

Mas já sabemos que nenhum fenômeno do organismo deve ser interpretado isoladamente e uma boa conduta deve começar antes da prescrição, com a compreensão do que aquele corpo está tentando mostrar.

Um ambiente um pouco mais quente, uma xícara de café, entrar no carro depois de alguns minutos no sol, subir rapidamente...
19/08/2026

Um ambiente um pouco mais quente, uma xícara de café, entrar no carro depois de alguns minutos no sol, subir rapidamente um lance de escadas, colocar uma roupa mais fechada…

Antes da menopausa, pequenas elevações da temperatura corporal provocadas por situações como essas podem passar praticamente despercebidas.

Durante a transição menopausal, porém, a mesma variação pode ser suficiente para desencadear um fogacho.

Isso acontece porque o calorão não é simplesmente consequência de a mulher estar “sentindo mais calor”. Uma das alterações centrais está no controle da temperatura realizado pelo hipotálamo.

Nosso organismo trabalha dentro de uma faixa térmica na qual pequenas oscilações são toleradas sem que seja necessário acionar mecanismos de aquecimento ou resfriamento.

Com a oscilação e posterior queda do estradiol, circuitos hipotalâmicos envolvidos nesse controle sofrem modif**ações e a consequência é um estreitamento dessa margem de tolerância térmica.

Imagine, por exemplo, uma mulher que entra em uma reunião após caminhar alguns minutos no sol. Sua temperatura corporal aumenta discretamente, algo absolutamente fisiológico.

O problema é que seu “termostato” agora está mais sensível. Então, uma pequena alteração que antes seria tolerada pode ultrapassar rapidamente o limiar de dissipação de calor.

Mas há outro ponto importante na avaliação clínica: nem toda intolerância ao calor durante essa fase da vida deve ser automaticamente atribuída à menopausa.

Alterações da função tireoidiana podem provocar manifestações que podem se sobrepor às do climatério.

E isso não signif**a que a tireoide seja a causa dos fogachos, mas que os eixos hormonais não existem isoladamente dentro do organismo e que sintomas intensos, persistentes ou atípicos merecem uma avaliação clínica capaz de diferenciar mecanismos que podem coexistir.

Compreender a menopausa é ir além de reconhecer uma lista de sintomas, entendendo por que eles acontecem, quais sistemas estão envolvidos e quem é a mulher que está atravessando essa transição.

Porque até mesmo um calorão aparentemente simples pode contar uma história muito maior sobre a fisiologia.

Um resultado dentro da referência pode ser tranquilizador. Mas não deveria ser usado para encerrar uma investigação quan...
18/08/2026

Um resultado dentro da referência pode ser tranquilizador. Mas não deveria ser usado para encerrar uma investigação quando a clínica continua contando outra história.

No caso da vitamina D, essa discussão se torna particularmente importante porque o exame que utilizamos rotineiramente, a 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], representa principalmente o status circulante de vitamina D.

Ele é extremamente útil, mas não resume sozinho toda a fisiologia relacionada a esse sistema.

Depois de produzida na pele ou obtida por outras fontes, a vitamina D passa por diferentes etapas de metabolização até que possa exercer suas ações biológicas.

Nesse percurso estão envolvidos fígado, rins, proteínas transportadoras, enzimas de ativação e inativação e, finalmente, a interação da forma ativa com o receptor de vitamina D (VDR) nos tecidos.

Além disso, sua fisiologia está intimamente relacionada à homeostase de cálcio e fósforo, ao PTH, à disponibilidade de magnésio e às funções renal, intestinal e óssea.

Por isso, diante de um paciente com fadiga, fraqueza muscular, dores musculoesqueléticas ou recuperação física insatisfatória, encontrar uma 25(OH)D dentro da referência não signif**a que devemos automaticamente atribuir esses sintomas à vitamina D.

Mas também não signif**a que devemos simplesmente ignorá-los.

Defender uma leitura fisiológica dos exames não signif**a procurar deficiências onde elas não existem, estabelecer um mesmo “valor ótimo” para todas as pessoas ou suplementar com o objetivo de perseguir números arbitrários.

É exatamente o contrário: colocar o resultado laboratorial dentro de um contexto fisiológico maior.

Na SOBRAF, entendemos que a clínica não deve competir com o laboratório. Deve dar signif**ado a ele.

Porque um valor de referência responde a uma pergunta laboratorial importante, mas compreender o que está acontecendo com aquele paciente exige integrar história clínica, exame físico, marcadores relacionados e fisiologia.

O coração demanda muita energia. Contrair, relaxar, controlar o fluxo de íons, manter homeostase…cardiomiócitos dependem...
13/08/2026

O coração demanda muita energia. Contrair, relaxar, controlar o fluxo de íons, manter homeostase…cardiomiócitos dependem intensamente da produção de ATP para isso.

Por isso, o envelhecimento cardiovascular também precisa ser compreendido em nível mitocondrial.

Com o passar dos anos, podem ocorrer alterações na cadeia respiratória, acúmulo de danos ao DNA mitocondrial e redução da eficiência bioenergética. Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre produção de espécies reativas de oxigênio e capacidade antioxidante pode ser comprometido.

Além disso, há a própria capacidade da célula de manter uma população saudável de mitocôndrias.

Processos como fusão, fissão e mitofagia permitem reorganizar a rede mitocondrial e remover estruturas disfuncionais. Se esse controle perde eficiência, mitocôndrias menos funcionais podem se acumular e contribuir para menor disponibilidade energética, alterações na homeostase do cálcio, estresse oxidativo e maior vulnerabilidade celular.

E isso não se limita ao músculo cardíaco.

No endotélio vascular, a disfunção mitocondrial também se relaciona ao aumento do estresse oxidativo e à redução da biodisponibilidade de óxido nítrico, favorecendo disfunção endotelial, inflamação vascular e perda progressiva da capacidade de adaptação dos vasos.

Na prática, sedentarismo, tabagismo, resistência à insulina, excesso de adiposidade visceral e outros fatores acumulados ao longo da vida podem acelerar mecanismos relacionados tanto ao comprometimento metabólico quanto ao envelhecimento cardiovascular.

Portanto, idade cronológica e envelhecimento cardiovascular não são necessariamente equivalentes.

Quando avaliamos um paciente, colesterol, pressão arterial, glicemia e outros marcadores continuam sendo fundamentais. Mas compreender a fisiologia permite enxergar o que existe por trás deles: um sistema cardiovascular cuja capacidade energética, metabólica e adaptativa também se modif**a com o tempo.

Antecipar o cuidado passa por compreender os mecanismos que constroem a doença antes mesmo de ela se manifestar clinicamente. E, no coração, parte dessa história começa dentro da célula.

Você está considerando isso?

Às vezes, o paciente chega narrando sintomas, os exames anteriores estão “normais”, diferentes tratamentos já foram tent...
12/08/2026

Às vezes, o paciente chega narrando sintomas, os exames anteriores estão “normais”, diferentes tratamentos já foram tentados e, ainda assim, ele continua dizendo que sabe que alguma coisa mudou.

Outras vezes, a informação que reorganiza todo o raciocínio aparece quase no fim da consulta.

Um sintoma que surgiu depois de uma mudança na rotina, um medicamento que havia sido esquecido, uma alteração aparentemente sem importância ou simplesmente a descrição mais detalhada de quando tudo começou.

É por isso que escutar não é apenas uma demonstração de acolhimento. Escutar é fazer Medicina.

Porque é a partir da história que atribuímos signif**ado aos sintomas, selecionamos hipóteses, decidimos o que investigar e, posteriormente, interpretamos os próprios exames.

E existe outra dimensão dessa escuta que não pode ser perdida: o paciente conhece a experiência de viver naquele corpo.

Cabe ao médico compreender a fisiologia, estabelecer relações, reconhecer limites, confrontar hipóteses com evidências e conduzir decisões clínicas. Mas isso não diminui o valor das percepções, dúvidas, prioridades e expectativas de quem está sendo cuidado.

É desse encontro que nasce uma relação médico-paciente verdadeiramente sólida.

E o que muitos ainda não enxergam é que essa relação também participa da construção de uma carreira.

A Medicina está cada vez mais tecnológica, com exames sofisticados e ferramentas de inteligência artificial, mas a capacidade de fazer boas perguntas, ouvir, raciocinar e enxergar o ser humano para além do diagnóstico segue sendo o maior atributo de um médico.

Pacientes percebem isso e, assim, constroem confiança.

E confiança gera adesão, continuidade, vínculo e reconhecimento profissional. Não como consequência de estratégias comerciais, mas da qualidade da Medicina que se pratica.

Então, antes de ser médico, seja um bom ouvinte. Pacientes sempre mostram o caminho.

Falou em saúde intestinal, pensamos logo em alimentação, mas o intestino também responde às experiências vividas.Um estu...
11/08/2026

Falou em saúde intestinal, pensamos logo em alimentação, mas o intestino também responde às experiências vividas.

Um estudo* recente, do American Gastroenterological Association Institute, reforçou essa relação ao demonstrar que experiências adversas na infância estão associadas a maior risco de alterações no eixo cérebro-intestino e ao desenvolvimento de diferentes problemas de saúde ao longo da vida.

Isso porque a infância é um período de intensa construção fisiológica.

Enquanto o cérebro amadurece, o sistema imune aprende a responder aos estímulos do ambiente, a microbiota intestinal se estabelece e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável pela resposta ao estresse, desenvolve seus mecanismos de regulação.

Quando a criança vive sob estresse intenso ou persistente, com ativação repetida desses sistemas, o organismo pode passar a responder de formas diferente aos desafios da vida adulta.

Mas existe uma mensagem igualmente importante: o organismo continua sendo plástico. A infância INFLUENCIA a fisiologia, mas NÃO DETERMINA, sozinha, o futuro de uma pessoa.

Quem é adulto hoje pode se beneficiar muito de um cuidado integral que considere não apenas alimentação, atividade física e sono, mas também o ambiente emocional em que viveu e as estratégias para construir maior resiliência ao estresse. Em muitos casos, cuidar da saúde mental também faz parte do cuidado da saúde intestinal.

Ao mesmo tempo, esse conhecimento nos convida a olhar para as crianças de hoje com ainda mais responsabilidade.

Porque um ambiente seguro, acolhedor, previsível e afetivamente saudável não contribui só para um bom desenvolvimento emocional, mas também ajuda a construir sistemas neuroendócrino, imunológico e gastrointestinal mais equilibrados, com possíveis repercussões positivas para a saúde ao longo de toda a vida.

Interessante, não é? A saúde do adulto começa muito antes da vida adulta.

Compartilhe essa informação com alguém que também precisa saber disso!

*FONTE: DOI: 10.1053/j.gastro.2026.02.030

Uma PCR-us elevada não é um diagnóstico. E também não identif**a onde está a inflamação, qual tecido foi acometido ou qu...
05/08/2026

Uma PCR-us elevada não é um diagnóstico. E também não identif**a onde está a inflamação, qual tecido foi acometido ou qual doença está provocando a resposta inflamatória.

Na verdade, a PCR-us é um marcador da resposta do organismo a estímulos inflamatórios.

Produzida pelo fígado em resposta, principalmente, à ação de citocinas como a interleucina-6 (IL-6), ela funciona como um "termômetro" da atividade inflamatória sistêmica. E a versão ultrassensível (PCR-us) permite detectar pequenas elevações dessa resposta, mesmo quando não há um processo infeccioso agudo evidente.

É justamente por isso que ela desperta tanto interesse na prática clínica.

Hoje sabemos que diversas condições podem manter o organismo em um estado persistente de inflamação de baixo grau: obesidade visceral, resistência à insulina, doença periodontal, esteatose hepática, privação de sono, sedentarismo, tabagismo, doenças autoimunes, entre muitas outras.

Mas existe um detalhe importante: a PCR-us não mede a inflamação do tecido propriamente dita. Ela mede a resposta hepática aos mediadores inflamatórios circulantes.

Isso signif**a que dois pacientes podem apresentar o mesmo valor de PCR-us por mecanismos completamente diferentes. Da mesma forma, um processo inflamatório localizado nem sempre será acompanhado por uma elevação proporcional desse marcador.

É por isso que interpretar a PCR-us exige contexto, porque ela não responde à pergunta clínica. É uma ajuda para que o médico formule perguntas melhores.

O que está estimulando essa resposta inflamatória?
Existe excesso de tecido adiposo visceral?
Há resistência à insulina?
O paciente dorme mal?
Existe uma doença inflamatória, autoimune ou infecciosa em atividade?

Essas perguntas são muito mais valiosas do que simplesmente concluir que "há inflamação".

Na SOBRAF, acreditamos que exames laboratoriais devem ampliar o raciocínio clínico, e não encerrá-lo.

Leitura Fisiológica é a nossa mais nova série de conteúdo, que vai lhe ajudar a enxergar exames por essa ótica. Acompanhe!

Esses foram os assuntos abordados nos estudos incluídos em nosso Banco de Artigos no último mês.Nosso acervo é um benefí...
04/08/2026

Esses foram os assuntos abordados nos estudos incluídos em nosso Banco de Artigos no último mês.

Nosso acervo é um benefício exclusivo dos médicos associados SOBRAF e é semanalmente atualizado com um novo estudo que, após análise criteriosa, f**a permanentemente disponível dentro da plataforma de membros.

A proposta é oferecer atualização e expansão do conhecimento científico de maneira segura para que os médicos possam otimizar e repensar estratégias clínicas e oferecer os melhores cuidados aos seus pacientes.

Se você é associado e perdeu algum dos artigos do compilado acima, acesse seu perfil através do Portal ou App para ler!

E você que ainda não é um médico associado e trabalha com a abordagem integrativa da saúde e da longevidade, toque no link da nossa bio para conversar com nossa equipe e conhecer melhor esse e outros benefícios exclusivos para associados!

Quando falamos sobre agonistas do GLP-1, é comum pensar imediatamente em saciedade, esvaziamento gástrico e perda de pes...
30/07/2026

Quando falamos sobre agonistas do GLP-1, é comum pensar imediatamente em saciedade, esvaziamento gástrico e perda de peso. Mas essa é apenas parte da história.

Esses medicamentos também atuam sobre um sofisticado sistema de comunicação entre o intestino e o cérebro.

Após a alimentação, o GLP-1 é naturalmente liberado pelas células intestinais e envia sinais ao sistema nervoso central informando que há nutrientes disponíveis, contribuindo para o controle da fome, da saciedade e do metabolismo energético.

Os agonistas do GLP-1 potencializam essa sinalização.

Como consequência, áreas cerebrais envolvidas não apenas no comportamento alimentar, mas também na recompensa, na motivação e na integração das informações sensoriais, passam a responder de forma diferente aos alimentos.

É justamente por isso que muitos pacientes relatam mudanças curiosas durante o tratamento.

Recentemente, essa observação clínica ganhou respaldo em um grande estudo envolvendo centenas de milhares de pacientes, que encontrou uma associação entre o uso de agonistas do GLP-1 e um maior risco de distúrbios do olfato e do paladar.

Embora o risco absoluto permaneça baixo e o estudo não permita afirmar uma relação causal, os achados reforçam que esses medicamentos podem influenciar a percepção sensorial de forma mais ampla do que imaginávamos.

Do ponto de vista fisiológico, isso faz sentido. O olfato e o paladar não funcionam de maneira isolada.

A experiência de comer é construída pela integração de estímulos sensoriais com circuitos cerebrais relacionados à memória, à recompensa e ao estado metabólico do organismo. Quando essa comunicação é modulada, a forma como o cérebro interpreta os alimentos também pode mudar.

Ainda há muitas perguntas sem resposta, e os mecanismos envolvidos continuam sendo investigados.

Mas uma coisa já está clara: compreender os agonistas do GLP-1 exige ir além da perda de peso. Eles representam uma intervenção em um complexo sistema neuroendócrino que conecta intestino, cérebro, comportamento alimentar e percepção sensorial.

⚠️Não use esses medicamentos sem acompanhamento médico de confiança.

Fim de um dia exaustivo e aquela vontade de “tomar uma”. Você é assim?Nem todo desejo é apenas uma questão de vontade.Qu...
29/07/2026

Fim de um dia exaustivo e aquela vontade de “tomar uma”. Você é assim?
Nem todo desejo é apenas uma questão de vontade.

Quando pensamos no consumo de álcool, é comum associarmos esse comportamento apenas a fatores emocionais, culturais ou ao hábito. Embora todos eles tenham influência, a ciência tem mostrado que a biologia também participa dessa equação.

Nosso organismo está em constante comunicação entre cérebro, intestino, fígado, tecido adiposo e músculos.

Mas o que poucos sabem é que alterações no metabolismo energético, na sensibilidade à insulina, em neurotransmissores e em diferentes vias bioquímicas podem modif**ar o funcionamento dos circuitos cerebrais relacionados à recompensa.

Em condições de desequilíbrio metabólico, esses circuitos podem se tornar mais sensíveis a estímulos que promovam prazer imediato. E o álcool é um deles.

Ao estimular a liberação de neurotransmissores como a dopamina, ele ativa o sistema de recompensa cerebral, produzindo uma sensação temporária de bem-estar. Quando esse sistema está desregulado, a percepção do prazer, da saciedade e do desejo pode ser alterada, favorecendo uma maior motivação para consumir bebidas alcoólicas.

É justamente essa interação entre metabolismo e cérebro que vem despertando o interesse dos pesquisadores. Estudos recentes sugerem que determinadas alterações metabólicas podem estar associadas a um maior desejo por álcool, ampliando nossa compreensão sobre esse comportamento.

Isso não signif**a que toda pessoa que sente vontade de beber tenha um problema metabólico, nem que o metabolismo seja a única explicação para esse comportamento.

Mas olhar apenas para o hábito pode ser insuficiente.

A Medicina tem caminhado para uma compreensão cada vez mais integrada do ser humano, reconhecendo que comportamento, metabolismo e fisiologia não funcionam de maneira isolada.

E compreender esse contexto pode abrir espaço para uma investigação mais ampla e para estratégias terapêuticas que vão além da simples orientação para "parar de beber".

Muitas vezes, um comportamento não é a causa do problema. É a forma como o organismo sinaliza que algo merece ser investigado.

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