03/01/2026
Encerrando 2025 com consciência e gratidão. Bem-vindo, 2026: que seja o ano do voo alto e das decisões que honram a verdadeira essência de cada um
O encerramento de um ano de vida e de trabalho é, por natureza, um momento de balanço. No entanto, fomos ensinados que refletir sobre o ano que passou deve ser apenas um exercício de gratidão ou de metas otimistas. A realidade que encaro hoje é que o crescimento real mora em um lugar um pouco mais desconfortável: o encontro entre a autocrítica honesta, aclareza da renúncia e aí sim a gratidão.
Olho para aquele pequeno quadro na parede, uma borboleta que recebi ao me formar. Ela me recorda que a metamorfose não é um processo puramente mágico, mas uma desconstrução necessária. Para a borboleta nascer, a lagarta precisa deixar de existir. Da mesma forma, neste final de 2025, percebo que saber o que não se quer mais é uma força cognitiva tão poderosa quanto saber o que se quer.
Muitas vezes, passamos a vida tentando definir "quem queremos ser", o que pode ser uma busca vaga e exaustiva. Mas há uma solidez profunda em dizer: "isso não me serve mais". Seja um hábito, uma dinâmica ou um comportamento, identif**ar o que f**a no ano velho não é um fracasso, mas uma maturidade seletiva que limpa o ruído mental para decisões mais conscientes.
Nesta transição, exercito uma autocrítica que não gera culpa — pois tenho a certeza de que fiz o meu melhor com as ferramentas que tinha — mas que gera aprendizado. Questiono onde recuei por medo, enquanto mantenho a exigência alta nas áreas que realmente importam, buscando a excelência que minha nova jornada exige. E, acima de tudo, cultivo a gratidão como o solo de tudo; sem ela, a autocrítica seria apenas um chicote, e não o impulso para o voo.
A borboleta no quadro não olha para trás. Ela honra o esforço da lagarta que acumulou energia, mas abraça a mudança e as oportunidades futuras. Que a despedida de 2025 seja o romper definitivo do casulo, deixando para trás o que pesa, para que o novo ciclo seja guiado pela lucidez e luz.