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Como você é com quem te serve?Não é o que você mostra que revela quem você é.É o que você faz quando acha que ninguém es...
06/05/2026

Como você é com quem te serve?

Não é o que você mostra que revela quem você é.
É o que você faz quando acha que ninguém está prestando atenção.

Tem gente que te serve todos os dias — e você nem percebe mais.

O café já está pronto antes mesmo de você chegar no trabalho.
O chão está limpo antes mesmo de você perceber que sujou.
As compras estão ensacadas e você nem olhou nos olhos de quem te alcançou.

O funcionário te serve.
O atendente do mercado te serve.
A secretária te serve.

E, do outro lado, existe um outro tipo de relação:
aquela com quem pode te dar — ou te tirar — alguma coisa.

É aí que tudo muda.

Para quem pode te dar algo… você se ajusta.
Para quem pode te tirar algo… você se contém.

O tom de voz abaixa.
A postura muda.
As palavras são escolhidas com cuidado.

Mas com quem não está nesse jogo… você relaxa.
E é nesse relaxamento que você se revela.

Porque ali não tem cálculo.
Não tem estratégia.
Não tem risco.

Só tem você no automático.

E o automático não mente.

Ele aparece no suspiro impaciente quando algo atrasa.
No “obrigado” que não sai — ou sai vazio.
No olhar que não valoriza o outro como alguém inteiro.
Na pressa que vira autorização pra ser rude.

Pequenos gestos.
Quase nada.

Mas quem está do outro lado sente.

Sente quando deixa de ser tratado como gente.
Quando sua existência cabe só até o limite da sua utilidade.
Quando o respeito dura exatamente o tempo do serviço – e às vezes nem isso.

E o mais triste é que isso não é falta de educação.
Educação a gente performa muito bem.
A gente sabe exatamente como agir quando tem algo a ganhar… ou algo a perder.

O que aparece fora disso é outra coisa.

É o valor real que você atribui ao outro
quando ele não pode te oferecer nada — nem te tirar nada.

E isso transborda.

No jeito que você responde sua mãe quando ela te irrita — porque, no fundo, você acha que não tem consequência.
Na forma como você trata seu filho depois de um dia em que você já esgotou sua paciência com o mundo — e sobra pra ele só o resto.
Na reação quase automática quando um desconhecido cruza o seu caminho
e você decide, em segundos, se aquilo merece a sua atenção.

É rápido.
Instintivo.

E é ali que mora a verdade.

Porque nesses momentos não tem plateia.
Não tem troca.
Não tem retorno.

Só tem o que você é
quando não precisa ser melhor.

A gente vive num tempo de vitrine, onde tudo pode ser ajustado, mostrado, editado, publicado.
Mas tem coisas que escapam.

No tom.
No gesto.
No descuido.

E é nesse descuido que você aparece — sem edição.
Sem filtro.
Sem personagem.
Sem argumento.

Você.
Do jeito que é.

Porque não é sobre educação.
Não é sobre imagem.
Não é sobre o que você diz que acredita.

É sobre o que você faz
quando não tem nada a ganhar…
e nada a perder.

E ali não tem construção.
Ali não tem esforço.
Ali não tem ninguém olhando.

É só você sendo exatamente o que é.
E isso — por mais desconfortável que seja admitir —
não é uma versão distorcida.
Não é um deslize.
Não é um momento ruim.

É o seu caráter.

Sem maquiagem.
Sem justificativa.
Sem saída.

"Mais quantas Julianas?"Juliana foi espancada.Não metaforicamente. Não em sentido figurado. Não em um sonho ruim.Sessent...
30/07/2025

"Mais quantas Julianas?"

Juliana foi espancada.
Não metaforicamente. Não em sentido figurado. Não em um sonho ruim.
Sessenta e um socos no rosto.
Sessenta e um.
Não é uma hipérbole. É literal. Um. Dois. Três. Até sessenta e um.
O número é tão absurdo que parece ter sido escolhido com crueldade artística. Mas não é metáfora. Nem é exagero. É real.
E com força suficiente para quebrar ossos, apagar traços, deformar identidade.
O rosto virou um mapa da dor.

Quem bateu?
O namorado. Ex-jogador da seleção.
O herói dos esportes. O exemplo.
O monstro de camiseta esportiva e currículo olímpico.
Ex-companheiro. Ex-humano.

O elevador fechou as portas, mas o mundo seguiu aberto à barbárie.
O prédio era de luxo, mas a violência é sempre a mesma —
não distingue endereço, só gênero.
Sempre o mesmo padrão.
Ela era mulher.
Ele, homem.
Fim.

Todos os dias, no Brasil, quatro mulheres são assassinadas só por serem mulheres.
Quase 97% dos agressores são homens.
Homens. Não monstros. Homens comuns. De terno. De uniforme. De aliança no dedo.
E no Rio Grande do Sul — essa terra “das tradições” — as medidas protetivas são papéis de nada.
Somos líderes em feminicídios mesmo após a vítima pedir socorro.
Elas gritaram. Foram ao fórum. Denunciaram.
E morreram do mesmo jeito.
O sistema promete proteção, mas entrega silêncio e casos abafados.

A pergunta já não é “onde estão os culpados?”
Mas o que diabos está acontecendo com os homens?

Quem os ensinou esse “amor” com punhos?
Quem os ensinou que o mundo lhes pertence?
Que “não” é insulto?
Que “ir embora” é afronta?
Que “sentir raiva” dá direito de matar?
Que perder o controle é justificativa?

E pior:
quem continua ensinando?
O pai que diz: “ela provocou”?
O amigo que ri da piada?
O juiz que libera?
O vizinho que ouve gritos e aumenta o volume da TV?

“Foi um surto”, ele disse.
Não.
Surto é ela ainda estar viva.
Surto é ela ter que passar por cirurgia para voltar a ter um rosto.
Surto é a sociedade dormir tranquila com isso.

Juliana sobreviveu. Mas sobreviveu a quê?
À justiça? Ao amor que quase a matou?
Ao corpo que não reconhece mais no espelho?

A verdade é que toda mulher sabe.
Sabe que pode ser a próxima.
Sabe que a justiça é lenta,
que a denúncia é risco,
e que muitas vezes,
morrer é o que vem depois de pedir ajuda.

Mais quantas Julianas?
Mais quantas mortas?
Mais quantas ignoradas?
Mais quantas chamadas de exageradas, loucas, dramáticas?

Mais quantas antes que o país pare de proteger homens e comece a proteger mulheres?

Feminicídio não é tragédia.
É rotina.
É estrutura.
É epidemia.
É escolha.

E precisa acabar.
Porque Juliana não foi a primeira.
E com essa justiça, essa cultura, e sobretudo, com esses homens — os de bem inclusive —,
ela não será a última.

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: WABI-SABI 🌸Vinda do japonês, mais do que uma palavra, wabi-sabi é uma f...
11/07/2025

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: WABI-SABI 🌸

Vinda do japonês, mais do que uma palavra, wabi-sabi é uma filosofia de vida.
Uma reverência silenciosa à imperfeição, ao desgaste do tempo, à beleza que existe no que está inacabado.

🍂 Wabi remete à simplicidade, à sobriedade, ao rústico.
🍁 Sabi fala da serenidade que vem com o tempo, da beleza que só os anos revelam.

🌀 Wabi-sabi é aceitar as rachaduras, os desajustes, os ciclos naturais de crescimento e perda.
É enxergar valor no que não brilha.
É encontrar paz no que é impermanente.

É o contrário da pressa, do excesso, da busca pela perfeição.
É um elogio ao que é humano, real, passageiro.

🖋 Você tem permitido que as suas imperfeições floresçam?
Tem enxergado beleza onde antes via apenas falha?

Acompanhe o quadro “Palavras para Poucos”.
É conteúdo para quem gosta de palavras com alma.
É para poucos — mas pode ser para ti.

O que realmente temos a oferecer?Outro dia, fui abordada por um morador de rua que me pediu algumas moedas — ou o que eu...
08/07/2025

O que realmente temos a oferecer?

Outro dia, fui abordada por um morador de rua que me pediu algumas moedas — ou o que eu pudesse oferecer. Abri a bolsa, procurei e entreguei as poucas que tinha. Ele sorriu e agradeceu com uma gentileza que parecia improvável diante da dureza da vida que carregava nos olhos. Segui meu caminho, mas a cena ficou em mim.
Fiquei pensando no quanto, muitas vezes, acreditamos estar dando algo, quando na verdade estamos apenas nos livrando do peso da indiferença. Pensando no quão pouco temos a oferecer quando tudo que conseguimos entregar são algumas moedas.
E então, me vi diante de uma pergunta que, talvez, seja uma das mais importantes de todas: o que estamos realmente fazendo aqui?
O que estamos construindo para aqueles que virão depois de nós? O mundo que deixamos é uma paisagem torta, marcada pela desigualdade e pela injustiça. Onde multidões não têm nada — e não falo apenas de comida, mas de respeito, dignidade, amor. Onde a hipocrisia da sociedade veste a máscara da virtude, mas segue alimentando preconceitos e discriminações.
Vivemos em um planeta doente. Um lugar onde desastres naturais são cada vez mais frequentes, mas onde a ambição humana segue crescendo como se a natureza fosse inesgotável. Desmatamos, poluímos, exploramos até o limite — como se não houvesse consequência. Como se pudéssemos consumir sem pagar a conta.
E, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão conectados e tão distantes. Olhamos para telas, mas não olhamos nos olhos. Falamos o tempo todo, mas raramente escutamos de verdade. Trocamos mensagens, mas esquecemos como trocar afeto.
E há ainda o paradoxo do conhecimento. Temos todas as informações ao alcance dos dedos, mas isso nos trouxe mais sabedoria? O mundo nunca produziu tanto conteúdo, e, ainda assim, parece que sabemos cada vez menos. A verdade se tornou um campo minado: o que lemos, vemos e ouvimos é real ou apenas um reflexo distorcido de algoritmos e inteligências artificiais que moldam nossa percepção sem que sequer percebamos? O conhecimento, antes um caminho para a liberdade, agora muitas vezes nos aprisiona em bolhas, nos tornando reféns de verdades pré-fabricadas.
Evoluímos tanto em tantas áreas, mas parece que esquecemos o essencial. Perdemos o que nos torna verdadeiramente humanos. Esquecemos o porquê de estarmos aqui.
Talvez ninguém tenha essa resposta, mas me recuso a acreditar que viemos ao mundo apenas para adquirir bens materiais, acumular posses e conquistar títulos. No fundo, na minha visão romântica e utópica, acredito que estamos aqui para nos conectar. Para aprender uns com os outros. Para nos transformar a partir do encontro com quem é diferente de nós.
Acredito que viemos para questionar, para desconstruir certezas, para construir novas verdades e, mais tarde, deixá-las para trás ao perceber que a vida não tem fórmula mágica. O que existe é o plantio e a colheita — essa lei que nunca falha.
E foi então que compreendi: naquele dia, ao me pedir algumas moedas, aquele morador de rua me deu algo muito maior do que eu pude dar a ele. Ele me ajudou a encontrar a resposta para uma das perguntas mais importantes. O que realmente temos que oferecer ao mundo não está relacionado ao que possuímos, mas na forma como existimos — no olhar que vê, na escuta que acolhe, na presença que transforma. No fim, não viemos para deixar bens, mas para deixar marcas — e a única que realmente importa é aquela que se imprime na alma de alguém. ‎

Texto inédito originalmente publicado no site e redes sociais do Encruzilhada Online em 03/02/2025.

O Lar que Carregamos Dentro de NósApós alguns dias viajando, ao abrir a porta do meu apartamento, fui tomada por uma sen...
04/07/2025

O Lar que Carregamos Dentro de Nós

Após alguns dias viajando, ao abrir a porta do meu apartamento, fui tomada por uma sensação contraditória. O alívio do retorno ao que me é familiar e aconchegante misturava-se à nostalgia dos dias de descanso recém-vividos. A saudade começava a se instalar antes mesmo que eu desfizesse as malas. Ao começar a guardar as roupas me dei por conta de algo essencial: assim como um lar nos acolhe, há pessoas que nos oferecem o mesmo abrigo — não com paredes e móveis, mas com presença, afeto e compreensão. Elas são refúgios ambulantes, portos seguros que nos acompanham, independentemente de onde estamos.

A casa, com suas cores, cheiros e silêncios, nos dá um sentido de pertencimento e identidade. Mas não são apenas os espaços físicos que definem esse sentimento — são os laços que criamos. Há pessoas que fazem com que nos sintamos “em casa” sem que seja preciso um endereço fixo. O conforto verdadeiro, percebo agora, não está somente nos objetos familiares, mas no olhar que nos acolhe, na escuta que nos entende, no abraço que dissolve as distâncias.

O paradoxo do retorno me revelou que a casa não é apenas um lugar onde descansamos, mas um estado emocional. É onde nos sentimos livres para sermos inteiros, sem máscaras, sem medo de julgamento. E algumas pessoas nos oferecem exatamente isso: um espaço seguro dentro de si mesmas, onde podemos existir com todas as nossas nuances, vulnerabilidades e imperfeições.

A verdadeira casa, portanto, transcende paredes e chaves. Ela é construída nos vínculos que cultivamos, nos afetos que nutrimos e na sensação de pertencimento que carregamos conosco. Podemos estar em qualquer canto do mundo, mas, se estivermos ao lado das pessoas certas, estaremos sempre em casa.

Texto inédito originalmente publicado no site e redes sociais do Encruzilhada Online em 09/02/2025.

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: HYGGE [hû-ga]Vinda do dinamarquês, hygge é aquela sensação acolhedora q...
30/06/2025

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: HYGGE [hû-ga]

Vinda do dinamarquês, hygge é aquela sensação acolhedora que não cabe numa só tradução.
É estar em casa dentro de si mesmo.
É o calor de um cobertor, a luz suave das velas, o sabor de uma bebida quente numa tarde fria.

🌿 Hygge é quando o simples basta e o presente conforta.
Quando o afeto está nas pequenas coisas:
no silêncio partilhado, no cuidado discreto, no prazer de desacelerar.

🌀 Hygge é o antídoto para a pressa.
É a arte de tornar a vida mais macia.

🖋 E você? Tem cultivado seus momentos de hygge?
Ou tem se esquecido de aquecer o coração nas miudezas do dia?

Acompanhe o quadro “Palavras para Poucos”.
É conteúdo para quem gosta de palavras com alma.
É para poucos — mas pode ser para ti.



Perguntar ao ChatGPT

Sobre a Beleza da Impermanência: A Metáfora do Sofá VelhoA vida é feita de ciclos — começos e fins que se sucedem como a...
27/06/2025

Sobre a Beleza da Impermanência: A Metáfora do Sofá Velho

A vida é feita de ciclos — começos e fins que se sucedem como as estações. Ainda assim, resistimos ao vazio deixado por aquilo que acaba. Desapegar-se do que nos é familiar, do que já foi indispensável, exige coragem e entrega, algo que nem sempre estamos dispostos a oferecer.

Pensei nisso ao lembrar da metáfora de um velho sofá, que por mais de uma década ocupou o centro da sala de uma casa. Ele não era apenas um móvel; era um testemunho de risos, lágrimas e tardes preguiçosas. Quando chegou a hora de trocá-lo, a dona da casa hesitou. O apego não era ao sofá em si, mas ao que ele simbolizava — um guardião de memórias.

Mesmo assim, o novo sofá chegou. Moderno, elegante e funcional, ele transformou o ambiente. A sala, antes saturada pelo peso da familiaridade, ganhou leveza. A dona de casa ficou reflexiva.

Quantos “sofás” mantemos em nossas vidas? Quantos hábitos, relações e costumes nos cercam, não por nos trazerem conforto, mas por nos serem familiares? O apego ao conhecido pode obscurecer as possibilidades do novo.

Este texto não é sobre sofás, mas sobre o desafio de abrir mão do que nos prende ao passado e a coragem de acolher a mudança. A impermanência, essa lei fundamental da existência, nos ensina que tudo é transitório. Só quando deixamos ir o que já cumpriu seu papel criamos espaço para o novo, descobrindo que as memórias vivem em nós, não nos objetos.

A aceitação da impermanência nos convida a confiar na transformação contínua da vida. E assim, seguimos — leves, renovados e abertos às infinitas possibilidades que nos aguardam.

Texto inédito originalmente publicado no site e redes sociais do Encruzilhada Online em 19/01/2025.

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: SIMBIOSE [sim-bi-o-se]Vinda do grego συμβίωσις (symbíōsis), significa l...
23/06/2025

✨ A palavra de hoje no “Palavras para Poucos” é: SIMBIOSE [sim-bi-o-se]

Vinda do grego συμβίωσις (symbíōsis), significa literalmente:
“viver junto” ou "vida em conjunto".

É formada por syn (com, junto) + bios (vida).

Na biologia, é a relação entre seres diferentes que convivem e se beneficiam mutuamente.
Mas na vida…
é quando o encontro é fértil, a presença é troca e o vínculo é vivo.


🌀 Simbiose é quando teu silêncio combina com o silêncio do outro.
Quando o crescimento é mútuo.
Quando o amor não sufoca, mas expande.


É quando o afeto não pesa, mas alimenta.
É quando ninguém sai menor da relação.


🖋 Você tem cultivado relações simbióticas ou parasitárias?
Elas te nutrem… ou te drenam?

Acompanhe o quadro "Palavras para poucos".
É conteúdo para quem gosta de palavras com alma.
É para poucos — mas pode ser para ti.

A Era dos Likes: quem somos além do feed?Vivemos em tempos em que a busca por aprovação virtual se tornou uma obsessão s...
22/06/2025

A Era dos Likes: quem somos além do feed?

Vivemos em tempos em que a busca por aprovação virtual se tornou uma obsessão silenciosa. Compartilhamos nossos momentos mais significativos em troca de likes e comentários. Mas até que ponto essa busca por validação externa compromete nossa essência? Como ela afeta nossa autoestima, saúde mental e percepção da realidade?

Enquanto nos dedicamos a capturar os momentos perfeitos para compartilhar, a vida passa, e o presente se esvai em troca de uma aprovação efêmera e superficial, tão fugaz quanto as imagens que publicamos. A Era dos Likes nos apresentou um mundo onde a aparência é frequentemente mais valorizada do que a essência. A quantidade de seguidores e likes se tornou sinônimo de sucesso e felicidade. Mas será que essas métricas digitais podem realmente definir nosso valor?

Não podemos ignorar que as redes sociais oferecem benefícios inegáveis: promovem a conexão global, possibilitam o compartilhamento de ideias e experiências, oferecem acesso imediato ao conhecimento e fortalecem negócios e oportunidades. Contudo, para que esses benefícios não nos aprisionem em ilusões, é essencial usarmos as redes sociais com responsabilidade e consciência, orientados pelo autoconhecimento. Como nos lembra Sócrates, “conhece-te a ti mesmo” princípio de toda sabedoria. Ao refletir sobre o que nos motiva a buscar validação e como usamos essas plataformas, somos capazes de distinguir entre o real e o ilusório, entre uma conexão autêntica e uma aprovação superficial.

Buscar um equilíbrio harmonioso entre o mundo virtual e o real nos guia em direção a uma vida mais autêntica e significativa. O problema não está nos likes, nas redes sociais ou no universo digital, mas na importância e no espaço que concedemos em nossa vida cotidiana. É essa escolha que, em última análise, define quem somos e como experienciamos o mundo.

Texto inédito originalmente publicado no site e redes sociais do Encruzilhada Online em 03/11/2024

Sob a Luz da Escrita: A Arte de NarrarCom uma alegria singular, recebi e aceitei o convite para escrever no Encruzilhada...
16/06/2025

Sob a Luz da Escrita: A Arte de Narrar

Com uma alegria singular, recebi e aceitei o convite para escrever no Encruzilhada Online. Confesso que me senti entusiasmada, escrever é uma das coisas que mais amo e faço na vida. Além disso, este espaço em um meio de comunicação reviveu em mim lembranças queridas do passado, quando, aos 13 anos, ansiosamente aguardava a coluna de domingo da Zero Hora.

Sempre soube que queria escrever, não apenas profissionalmente, mas também como terapia, paixão, organização mental, desabafo e autoconhecimento. Escrever é comunicar, contar o que vivenciamos diariamente, desde o trivial até os grandes fatos da vida. Somos movidos a narrativas. As palavras nos constituem: é com elas que damos sentido ao mundo.

Passado o entusiasmo inicial do convite, o próximo passo era decidir sobre o que escrever. Como disse Manoel de Barros, "Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia." A poesia encontra valor e significado nas coisas triviais e cotidianas. Assim, me atrevo a dizer que este espaço será para refletir tanto os grandes fatos quanto as "coisas simples da vida". O ordinário e trivial são tão fascinantes quanto os momentos que transformam nossas vidas.

Se não fossem, por que continuaríamos narrando o que nos acontece diariamente? Por que continuaríamos a comunicar o que acontece no mundo? Aqui, o simples também é extraordinário. Antoine de Saint-Exupéry uma vez disse que "o essencial é invisível aos olhos". Mesmo sem saber como começar, comecei, no seguindo o conselho de Paulo Freire: "o caminho se faz caminhando".

Espero que tenham gostado. Nos vemos em breve!

Texto inédito originalmente publicado no site e redes sociais do Encruzilhada Online em 27/10/2024

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