26/05/2026
A ciência e a tecnologia são frequentemente celebradas como motores do progresso humano, promovendo transformações profundas na economia e na sociedade. No entanto, um estudo recente, publicado em 2026 na Revista DELOS, propõe um olhar crítico sobre essa trajetória, analisando a crise ambiental contemporânea como um processo histórico cumulativo, resultante de decisões científicas e tecnológicas.
Desde a Revolução Industrial, a expansão da indústria e o uso intensivo de combustíveis fósseis impulsionaram ganhos econômicos, mas também geraram impactos profundos que persistem no século XXI. A Química Industrial ocupa um papel central nessa ambivalência: se, por um lado, permitiu avanços na produção de alimentos e materiais, por outro, contribuiu decisivamente para a geração de resíduos tóxicos e a contaminação de ecossistemas inteiros.
O artigo destaca que a ideia de neutralidade científica funcionou historicamente como um véu, diluindo responsabilidades socioambientais e priorizando o crescimento econômico ilimitado sobre a preservação da natureza. Alertas sobre a degradação ambiental, presentes desde o século XIX, foram frequentemente minimizados em prol de modelos hegemônicos de
desenvolvimento.
A sustentabilidade surge, na segunda metade do século XX, como uma resposta a essas contradições. Contudo, os autores advertem que inovações tecnológicas isoladas, como energias renováveis ou economia circular, são insuficientes se não houver uma mudança estrutural nos padrões de consumo e uma reflexão ética sobre o papel social da ciência.
O estudo conclui que o colapso ambiental não pode ser compreendido sem o reconhecimento das responsabilidades científicas e sociais acumuladas historicamente. Para enfrentar os desafios do século XXI, é essencial que o ensino de ciências promova uma consciência crítica, apresentando o conhecimento científico não como algo neutro, mas como uma prática social que deve estar comprometida com a justiça socioambiental e a preservação da vida.
Por: Gabriel Lula Mapa
25/05/2026
O artigo “Uma década de disputa na política nacional de formação de professores no Brasil”, publicado na Revista Educação e Políticas em Debate, analisa as transformações ocorridas entre 2015 e 2024 nas políticas voltadas à formação docente no país. Nesse período, segundo os autores, houve intensas disputas sobre o papel da educação e o lugar do professor na sociedade.
A aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2015 é apresentada como um marco importante, pois propunha uma formação fundamentada em bases críticas, articulando teoria e prática e valorizando o ensino universitário. No entanto, esse modelo passou por mudanças significativas com a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, posteriormente, com as diretrizes de 2019. Essas novas orientações passaram a priorizar o desenvolvimento de competências e habilidades, alinhadas a uma lógica de padronização e avaliação de desempenho.
O estudo destaca que essas transformações não ocorreram isoladamente, mas fazem parte de um contexto mais amplo de reconfiguração das políticas educacionais. Esse cenário é influenciado tanto por agendas internacionais quanto pela atuação de setores privados, que contribuem para a valorização de modelos formativos mais técnicos e pragmáticos, em detrimento de uma formação crítica e reflexiva.
Além disso, o artigo ressalta a dimensão desse debate ao apontar que mudanças curriculares impactam diretamente milhões de estudantes e professores em formação, já que o Brasil possui um dos maiores sistemas educacionais do mundo. A ênfase em competências, segundo os autores, pode reduzir a autonomia docente e limitar a compreensão da educação como uma prática social mais ampla.
Por fim, a formação de professores no Brasil se tornou um campo de disputa entre diferentes projetos de sociedade: um voltado à formação crítica, científica e socialmente comprometida, e outro orientado pela eficiência, mensuração de resultados e adequação às demandas do mercado.
Por: Victória Ribeiro.
22/05/2026
No Brasil, há uma política de cota de tela que obriga cinemas a exibirem filmes nacionais. Essa legislação segue como um dos principais instrumentos de incentivo ao audiovisual brasileiro, mas ainda enfrenta desafios para acompanhar o crescimento da produção no país.
Criada na década de 1930 como forma de proteger o cinema nacional da concorrência estrangeira, a medida ganhou novas formas e adaptações a partir dos anos 2000, com a consolidação da Política Nacional do Cinema e a atuação da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Desde então, decretos anuais passaram a definir quantos dias, sessões ou títulos brasileiros devem estar em exibição.
Apesar dos avanços, dados históricos mostram um descompasso, enquanto o número de filmes brasileiros lançados aumentou significativamente nas últimas décadas, a proporção exigida pelas cotas não acompanhou esse crescimento. Em média, a política garantiu cerca de 15,7% de espaço para produções nacionais, um percentual inferior ao registrado no início dos anos 2000.
Segundo pesquisa feita por Fernando Gimenez, divulgada pela Revista Livre de Cinema em 2026, mostra que esse fator limita o alcance da política, já que muitos filmes continuam sem chegar ao público. Para o autor, o problema não está apenas na produção, mas sim na exibição. Ampliar lançamentos não garante, por si só, que as obras ocupem espaço nas salas de cinema.
Diante desse cenário, o estudo propõe calcular a cota com base em 25% da média de filmes lançados nos três anos anteriores. Isso ampliaria o número de títulos exibidos e tornaria a política mais compatível com a realidade do mercado.
A medida poderia fortalecer pequenas produtoras e distribuidoras, além de ampliar o acesso do público à diversidade cultural brasileira.
Mesmo com divergências, decisões do Supremo Tribunal Federal já consideraram a cota de tela constitucional, destacando sua importância cultural. Em um mercado dominado por grandes produções internacionais, a política segue como ferramenta central para garantir espaço ao cinema e à cultura brasileira e seu futuro depende de ajustes que equilibrem o mercado com o acesso.
Por: Manoel Inácio
21/05/2026
A doutoranda Monica Rodrigues de Farias, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), levou a zonas periféricas de São Luís do Maranhão um projeto chamado Cineclube, ele faz parte da pesquisa “O Cineclube como alfabetização audiovisual na escola”.
Esse “clube de cinema” atuava em três Centros Educa Mais (CEM) e trabalhava com alunos de ensino médio. Os encontros contavam com a transmissão de algum projeto audiovisual - dentre eles animações, curta-metragem, longa-metragem - produzidos no próprio estado. Monica optava por essas produções seguindo a lógica de Paulo Freire de adaptar o estudo à realidade do aluno.
A ideia central da pesquisa era incentivar adolescentes da era digital, que passam o dia rolando o feed, consumindo vídeos rápidos e acelerados a consumir e analisar conteúdos mais demorados. O clube se reunia de forma continua e realizava diversas oficinas para tratarem da ideia dos filmes ou questões mais técnicas, como enquadramento de câmera e roteirização.
Durante o período de análise a estudiosa se deparou com alguns problemas, dentre eles falta de interesse por parte de alguns alunos, pais reclamando de temáticas levadas para discussões em sala de aula, diversas adversidades técnicas e até falta de colaboração de professores. Entretanto, o resultado da pesquisa apontou um bom desenvolvimento dos alunos que ao final já estavam melhor adaptados a formatos mais longos e sabiam analisar criticamente as produções que consumiam.
O projeto abriu espaço para feedbacks e a autora recebeu inúmeras mensagens de alunos e professores elogiando a iniciativa e contando seus relatos pessoais e sensações sobre o Cineclube.
Monica Rodrigues reforça em seu artigo como a arte pode ser pedagógica e expõe como é necessário incluir as produções audiovisuais na rotina e estudo das crianças e adolescentes. Essa prática ensina não só a apreciar e extrair conhecimento das obras, mas também retoma o foco e capacidade de desenvolvimento que as redes sociais corrompem.
Por: Ana Paula Soares
20/05/2026
Em um cenário de mudanças rápidas no comportamento dos jovens e no mercado de trabalho, universidades têm buscado novas formas de ensino para manter os estudantes engajados. Um estudo publicado na Revista de Ensino em Artes, Moda e Design (2025-2026), desenvolvido pelas autoras Juliana Cararo, Isabela Altavini e Maria Clara Machado, mostra como a integração entre arquitetura, cenografia e moda autoral pode ser uma resposta inovadora a esse desafio.
A pesquisa apresenta uma experiência realizada em uma disciplina de Arquitetura de Interiores voltada à cenografia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A proposta rompe com o modelo tradicional de ensino ao adotar metodologias ativas nas quais os alunos assumem papel central no processo de aprendizagem.
Ao longo do 6° semestre do curso, os estudantes enfrentaram desafios práticos divididos em três módulos: cenografia de câmera, de palco e de experiência. Cada etapa envolveu atividades como estudos de caso, visitas técnicas, palestras com profissionais e desenvolvimento de projetos reais, aproximando o ambiente acadêmico da prática profissional.
Um dos destaques foi a criação de um talk show fictício sobre moda autoral brasileira. Nesse projeto, os alunos desenvolveram cenários completos, desde a definição do público-alvo até a construção de maquetes e produção de vídeos. A proposta valorizou a cultura local, a identidade brasileira e a estética “faça você mesmo”, estimulando criatividade e senso crítico.
Segundo as autoras, a integração entre arquitetura, moda e cenografia amplia as possibilidades de experimentação estética e conceitual, permitindo compreender o espaço como elemento de expressão cultural.
Os resultados indicam que práticas interdisciplinares e centradas no aluno tornam o ensino superior mais atrativo e alinhado às demandas contemporâneas, formando profissionais criativos, críticos e preparados para um mundo em constante transformação.
Por: Julya Rodrigues
18/05/2026
Um estudo publicado em 2026 na revista INTERCOM - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, desenvolvido pelos pesquisadores José Tarcísio da Silva Oliveira Filho (Universidade Federal de Roraima) e Norah Shallymar Gamboa Vela (Universidad Nacional Experimental Simón Rodríguez, Venezuela), investigou se o telejornalismo brasileiro pode atuar como ferramenta de descolonização.
A pesquisa analisou 234 unidades narrativas de quatro emissoras comerciais do estado de Roraima, região com as maiores proporções de indígenas e imigrantes do país. Utilizando seis indicadores baseados no projeto acadêmico-político decolonial, os autores avaliaram como os telejornais representam as chamadas “populações do Sul”: negros, indígenas, imigrantes, refugiados e outras vítimas da colonialidade.
Os resultados mostram que a maioria das notícias não ouve diferentes visões sobre os assuntos, limitando-se à versão oficial. Quando populações do Sul são entrevistadas (apenas 33% das unidades), frequentemente têm suas falas reduzidas a pautas de consumo ou violência. Imigrantes venezuelanos, por exemplo, só têm sua nacionalidade revelada em ocorrências policiais negativas; em matérias positivas, sua origem é ocultada.
Além disso, as narrativas raramente explicam conflitos sociais a partir de causas coloniais ou estimulam atitudes decoloniais. A conclusão aponta que, embora o telejornalismo tenha potencial pedagógico, as rotinas factuais e o modelo comercial das emissoras impedem o compromisso efetivo com a decolonização do saber, do ser e do poder. Os pesquisadores sugerem que iniciativas audiovisuais produzidas pelos próprios condenados podem ser um caminho mais promissor.
Por João Pedro Rocha
17/05/2026
O artigo “Alegria e preguiça: arte contemporânea em museus etnográficos”, da pesquisadora Geslline Giovana Braga, publicado na Revista de Estudos Culturais (USP), analisa como museus ao redor do mundo têm incorporado obras contemporâneas como resposta às críticas sobre suas origens coloniais.
Essas instituições buscam se atualizar e abrir espaço para debates sobre restituição de acervos e reparação histórica, especialmente diante de pressões pela devolução de objetos obtidos por meio de saque e violência. O estudo destaca exposições que abordam a devolução dos chamados “bronzes do Reino do Benin”, peças retiradas da África no século XIX.
Artistas contemporâneos africanos utilizam suas obras para denunciar esse passado e questionar o papel dos museus. Em muitos casos, a arte se mostra mais potente do que os próprios textos explicativos, provocando reflexões diretas no público.
Apesar disso, o artigo aponta limites importantes. Mesmo com discursos decoloniais, os museus ainda mantêm decisões centralizadas nos Estados, que detêm o poder sobre a restituição. Assim, a arte contemporânea pode funcionar tanto como crítica quanto como estratégia simbólica que não altera, de fato, as estruturas herdadas do colonialismo.
Outro ponto destacado é a separação entre obras contemporâneas e acervos históricos, o que reforça a ideia de que culturas não europeias pertencem ao passado. Quando há integração, o potencial crítico aumenta e novas leituras surgem.
A pesquisa conclui que a arte contemporânea pode contribuir para a transformação dos museus, mas não substitui ações concretas, como a devolução dos objetos e a participação das comunidades de origem. Sem isso, as chamadas políticas de reparação correm o risco de serem apenas simbólicas.
Por: Heloisa Benicio
13/05/2026
Após o impacto da pandemia de covid-19, professores da educação infantil tiveram que reinventar suas práticas para lidar com uma geração marcada pelo isolamento. É o que mostra o estudo “Criança ‘dentro e fora da caixa’”, publicado na revista “Educação em Revista” pelas pesquisadoras Michelly Greice e Pura Lúcia, que analisa o retorno às aulas presenciais em centros municipais de ensino no Paraná.
Durante o ensino remoto, crianças perderam parte essencial do desenvolvimento típico dessa fase: o convívio social. No retorno às salas de aula, educadores se depararam com dificuldades na fala, na interação com colegas, na coordenação motora e na autonomia. Muitas crianças apresentavam insegurança, medo do contato e até atraso na comunicação, reflexo do excesso de telas e da falta de estímulos sociais no período de isolamento.
Diante desse cenário, professores precisaram adaptar suas estratégias. Ganharam força atividades como rodas de conversa, contação de histórias com participação ativa, brincadeiras coletivas e reorganização dos espaços escolares para estimular interação. O objetivo passou a ser recuperar habilidades socioemocionais e garantir os direitos de aprendizagem previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O estudo também revela que o retorno presencial exigiu mais sensibilidade dos docentes. Planejamentos tornaram-se flexíveis e centrados nas necessidades das crianças, com maior valorização da escuta, do ritmo individual e do protagonismo infantil. Além disso, o uso de tecnologias - intensificado na pandemia - continuou como ferramenta de apoio.
Apesar dos desafios, a experiência trouxe aprendizados importantes. Professores relatam crescimento profissional, maior valorização da carreira e a certeza de que, na educação infantil, o contato presencial é insubstituível. O ambiente escolar segue sendo fundamental para o desenvolvimento integral, onde brincar, conviver e explorar são partes essenciais do aprender.
Por: Larissa Faria
11/05/2026
A derrota no esporte de alto rendimento representa um desafio emocional profundo para jovens atletas. Um estudo recente, publicado em 2026 na Revista Brazilian Journal of Sport Psychology & Human Development (BJSPHD), investigou como 483 atletas masculinos, de 17 a 19 anos, que participaram do Campeonato de voleibol da Liga do Interior de São Paulo em 2024, processam o insucesso em quadra.
Através de uma abordagem etnográfica, os pesquisadores observaram que o voleibol, por ser um esporte de forte interação coletiva, faz com que a derrota seja uma vivência compartilhada que afeta tanto o indivíduo quanto a coesão do grupo. Os resultados mostram que o insucesso tende a desencadear reações como raiva, frustração e tristeza, que podem impactar a motivação e o desempenho futuro se não forem bem trabalhadas.
No Brasil, essa pressão é intensificada por uma cultura que valoriza excessivamente a vitória, muitas vezes, vinculando o êxito esportivo à própria identidade do jovem. Entretanto, o estudo destaca que a derrota não é apenas um obstáculo, mas uma oportunidade pedagógica.
Quando mediada adequadamente por treinadores e psicólogos, ela pode fortalecer a resiliência, a capacidade de superar adversidades e crescer com elas. Atletas que encaram o fracasso como um evento temporário e base para aprendizado tendem a desenvolver melhores estratégias de enfrentamento emocional.
A pesquisa conclui que a derrota no voleibol juvenil é uma experiência rica em significados subjetivos que moldam o desenvolvimento humano. Para que o esporte cumpra seu papel educativo, é essencial que as comissões técnicas ofereçam suporte emocional, ajudando o jovem a transformar a frustração em amadurecimento e resiliência para a continuidade de sua trajetória esportiva.
Por: Gabriel Lula Mapa
10/05/2026
Pesquisa desenvolvida por Laíne Rocha Moreira e Tayane Moura Martins, divulgada em 2026, analisa as práticas pedagógicas antirracistas nas aulas de Educação Física em escolas públicas de Altamira (PA).O estudo mostra que a escola tem um papel importante no combate ao racismo, principalmente ao trabalhar conteúdos ligados à história e à cultura afro-brasileira e indígena.
O objetivo da pesquisa é entender como os professores de Educação Física lidam com as relações étnico-raciais no ensino fundamental e verificar se, na prática, conseguem desenvolver atividades com uma proposta antirracista. A pesquisa busca responder se essas práticas realmente acontecem no cotidiano escolar ou se ainda enfrentam dificuldades para serem aplicadas.
A pesquisa foi baseada nos Estudos Culturais, uma abordagem que não segue um caminho rígido, mas busca questionar verdades estabelecidas e refletir criticamente sobre a realidade. Nesse contexto, a Educação Física foi analisada como uma prática cultural, considerando que atividades como esportes, danças, lutas e jogos possuem origens históricas e significados sociais.
A partir disso, os pesquisadores procuraram identificar e problematizar a presença do racismo no ambiente escolar, especialmente na forma como corpos negros são representados e tratados, com o objetivo de repensar e transformar práticas pedagógicas, tornando-as mais inclusivas e antirracistas.
Os resultados mostram que, apesar da importância do tema, as práticas antirracistas ainda acontecem de forma limitada. Isso ocorre, principalmente, por falta de formação específica e de apoio dentro das escolas. Mesmo assim, o estudo destaca que a Educação Física pode ser um espaço importante para discutir cultura, identidade e diferenças, já que trabalha diretamente com o corpo e suas expressões.
A pesquisa conclui que existe potencial para avançar no combate ao racismo, mas ainda são necessários mais esforços para que isso aconteça de forma efetiva.
Por: Gloire Destinée P***a
07/05/2026
Um estudo recente publicado na Revista Intercom analisa a presença da música
sertaneja no ambiente universitário, mostrando que esse gênero vai muito além do entretenimento. Presente no cotidiano de estudantes, ele também desempenha um papel importante na construção de identidades e na forma como os jovens se relacionam culturalmente.
A pesquisa foi desenvolvida por Ricardo Pavan, da Universidade Federal de Goiás (UFGO), e José Licínio Backes, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a partir de uma abordagem qualitativa. Os autores analisaram o consumo musical de estudantes universitários em cidades como Goiânia (GO) e Campo Grande (MS), buscando compreender como o sertanejo está inserido no cotidiano acadêmico e nas práticas sociais desses jovens.
O estudo investiga não apenas o que os estudantes ouvem, mas também os significados atribuídos a esse consumo. Para isso, os pesquisadores observaram contextos de convivência, como festas universitárias, espaços de interação social e momentos informais do dia a dia, além de considerar o papel da mídia e da indústria cultural na consolidação do chamado “sertanejo universitário”.
Os resultados mostram que o consumo musical não é apenas uma escolha individual, mas um processo profundamente influenciado por fatores sociais, culturais e midiáticos. Ao ouvir sertanejo, os estudantes não só consomem música, mas também
expressam pertencimento, identidade, estilo de vida e conexão com determinados grupos sociais.
Além disso, a pesquisa mostra que o sertanejo passou por diversas transformações ao longo do tempo, deixando de ser associado exclusivamente ao meio rural para se tornar um produto midiático amplamente difundido, adaptado ao público jovem e urbano. Esse processo foi impulsionado pela mídia, pelo mercado fonográfico e pelas novas formas de circulação digital da música.
Dessa forma, o estudo conclui que a música sertaneja ocupa um papel relevante na relação entre comunicação, cultura e identidade, especialmente no contexto universitário, funcionando como um elemento de integração social, expressão simbólica e construção de sentidos entre os jovens.
Por: Caroline Monteiro