26/05/2026
A ciência e a tecnologia são frequentemente celebradas como motores do progresso humano, promovendo transformações profundas na economia e na sociedade. No entanto, um estudo recente, publicado em 2026 na Revista DELOS, propõe um olhar crítico sobre essa trajetória, analisando a crise ambiental contemporânea como um processo histórico cumulativo, resultante de decisões científicas e tecnológicas.
Desde a Revolução Industrial, a expansão da indústria e o uso intensivo de combustíveis fósseis impulsionaram ganhos econômicos, mas também geraram impactos profundos que persistem no século XXI. A Química Industrial ocupa um papel central nessa ambivalência: se, por um lado, permitiu avanços na produção de alimentos e materiais, por outro, contribuiu decisivamente para a geração de resíduos tóxicos e a contaminação de ecossistemas inteiros.
O artigo destaca que a ideia de neutralidade científica funcionou historicamente como um véu, diluindo responsabilidades socioambientais e priorizando o crescimento econômico ilimitado sobre a preservação da natureza. Alertas sobre a degradação ambiental, presentes desde o século XIX, foram frequentemente minimizados em prol de modelos hegemônicos de
desenvolvimento.
A sustentabilidade surge, na segunda metade do século XX, como uma resposta a essas contradições. Contudo, os autores advertem que inovações tecnológicas isoladas, como energias renováveis ou economia circular, são insuficientes se não houver uma mudança estrutural nos padrões de consumo e uma reflexão ética sobre o papel social da ciência.
O estudo conclui que o colapso ambiental não pode ser compreendido sem o reconhecimento das responsabilidades científicas e sociais acumuladas historicamente. Para enfrentar os desafios do século XXI, é essencial que o ensino de ciências promova uma consciência crítica, apresentando o conhecimento científico não como algo neutro, mas como uma prática social que deve estar comprometida com a justiça socioambiental e a preservação da vida.
Por: Gabriel Lula Mapa