06/08/2026
Hoje é um dia deveras especial. Há exatos 30 anos, no dia 06/08/1996, eu entrava pela primeira vez numa sala de aula, na EE Luiza Marcelina Branca Chaib (hoje, municipalizada).
Ainda me recordo do frio na barriga, da ansiedade, jovem professor, ainda estudante de Letras na Universidade de São Paulo.
Foram quase seis anos como professor do estado, pulando de escola em escola, sem estabilidade, sem direitos básicos, com muita insegurança, até entrar, via concurso público, nas prefeituras de São Paulo em 2002 e na prefeitura de Diadema em 2003.
Em São Paulo, desde então, trabalho na mesma escola, a EMEF Dep João Sussumu Hirata, na Pedreira. Em Diadema, na Educação de Jovens e Adultos, comecei atuando na EM Hercilia Alves da Silva Ribeiro e depois na EM Dr. Átila Ferreira Vaz (então municipalizada), na região do Eldorado.
Nesses 30 anos dedicados quase que exclusivamente à educação pública (trabalhei também 1 ano e meio numa escola privada, o Colégio Certus), vivi muitas coisas. Vi crianças virarem adultas, vi muita gente se formando, vi também, infelizmente, gente que desviou e tomou um rumo sem volta. Ex-alunos que se tornaram pais, cujos filhos hoje são meus alunos. Estou na fase de receber a terceira geração.
Como educador, conquistei minha dignidade financeira e alguns bens materiais, mas o principal foi minha família, com minha esposa, enteada, filha e neto nesse período.
Foram muitas experiências, vivências, trocas, formações, congressos, contribuições. Muitas saídas pedagógicas (excursões), muitos eventos, muitos saraus, slams, muitas formaturas, encontros (literários ou não), algumas homenagens. Já virei até patrono de AEL. Alguns desencontros também. Alunos e famílias com algum desacerto temporário...Nada que não tenha sido pedagogicamente resolvido. Paralisações, greves, manifestações, muita luta em prol daquilo que acredito ser justo e necessário.
Fiz amizades, mas também perdi alguns amigos da educação para a dama do tempo que sabemos que não poupa ninguém.
São tempos difíceis para a educação, com muita desinformação, pressão ideológica e acusações infundadas sobre os educadores, que têm que matar seu leão diário sem perder a esperança e a amorosidade freiriana. Acredito que a educação transforma e continuo sonhando com uma sociedade mais justa, humana e solidária e a educação é a principal ferramenta dessa mudança. Coincidência ou não, em 2014, o dia 06 de agosto foi escolhido como Dia Nacional dos Profissionais da Educação (Lei 13.054/14). Olha só!
Tenho muito orgulho da minha trajetória. Aprendi e continuo aprendendo muito na educação. Sabe o que é ser chamado de "senhor" por uma pessoa que tem o dobro da sua idade? Sabe o que é ver alguém formado, estabilizado na vida, com família constituída, visitar a escola e procurar por você depois de anos e anos? Sabe o que é ouvir de alguém que você mudou a vida dele? É uma responsabilidade e tanto. E uma satisfação sem tamanho. Tenho certeza de que também tenho contribuído bastante também. E assim pretendo continuar.
Ah, e sobre aposentadoria, ainda está cedo. Ainda sou novo, sem a idade exigida depois de tantas reformas providenciárias. Mas esse momento chegará.
Até lá, sigo na luta e na labuta, porque "Ainda não temos a escola que a gente sonha e merece. Ainda não! "
Ainda não!
A gente ainda não tem a escola que sonha e merece,
Ainda não tem a justiça social,
Ainda não tem uma sociedade
Livre de preconceitos e intolerância,
Ainda não venceu o machismo, racismo e todo e qualquer tipo de discriminação.
Mas em vez de enxergar isso com olhar presunçoso ou pessimista,
Meu olhar é esperançoso...
Ainda não!
Professor Roberto Bezerra dos Santos
Professor Betinho