23/07/2026
PALAVRAS DO PROFESSOR
"Iniciando o segundo semestre 2026, já começo a me flagrar pesando nas "Pitangas de Outubro", em especial as da Rua Princesa Isabel, e da Praça Nossa Senhora de Salete. E então me percebo que vou comemorar mais um aniversário de profissão perante o Tribunal do Júri. 31 ANOS DE PLENÁRIO, NO PALÁCIO DAS PITANGUEIRAS.
O que é o sucesso? Seria ela a lata intelectual que lhe foi entregue em algum coaching que se faz por internet? A conta no Banco? O carro na garagem? Nada disso. Eu me dei conta que o sucesso é uma caixa enorme que lhe é entregue, e só então se percebe o peso que tem. O Sucesso inclusive, sempre vem acompanhado de alguma falha. Para me dedicar tato ao júri e aos meus clientes, falhei com a família, com os amigos, com tantos outros amores. Para cada escolha uma renúncia.
E O QUE VALEU A PENA?
Valeu a pena receber o respeito de profissionais que eu admiro. Encontrar portas destrancadas para a minha visita que sempre se pautou pela ética. O respeito de Juízes, Promotores, Delegados, Oficiais de Justiça, Serventuários e Colegas Advogados que também mereciam o meu respeito.
Valeu a pena cada renúncia, ao receber o Jurista cujo nome eu admirava em livros que comprei sedento de aprendizado. Valeu a pena receber o elogio de um doutrinador. Valeu a pena ir buscar o outro doutrinador no aeroporto, para debater com ele em um programa de TV sobre assunto sobre o qual divergíamos. E dele, receber o respeito.
Valeu a pena ter conquistado de tal forma o respeito de meus colegas, que tive a honra de defender juízes, promotores, delegados, advogados, inclusive, advogados atuantes perante o Tribunal do Júri.
Sim! Valeu a pena!
O que me entristece? A justiça pensada por computadores, as audiências feitas pelo telefone, as partes envolvidas sendo tão somente um rosto em um aparelho.
Me entristece ter pedido a prisão do delegado que mentia em juízo em uma audiência por videoconferência, ao me dar conta de que não se prende em flagrante por telefone.
Me entristece perceber a atuação de profissionais que não conhecem o cheiro da prisão, a história do réu, ou o choro da vítima.
Sim. Tenho minhas tristezas, mas ainda assim, valeu a pena! Valeu Muito a Pena!"
Samuel Rangel