21/05/2025
Especialistas alertam que ficar muitas horas por dia no celular, no tablet, no computador e na televisão pode afetar o comportamento e o desenvolvimento de habilidades importantes na infância. Algumas regras básicas ajudam a melhorar a relação da família com as telas.
"As telas são um veneno. Eu não sabia o mal que estava fazendo ao meu próprio filho."
Nadia David Peres, de 45 anos, precisava aliar uma rotina atribulada no trabalho como médica aos cuidados com o pequeno Breno, que hoje está com três anos. Ela cumpria parte das horas do expediente em casa, realizando atendimentos à distância no período da tarde — e encontrou nas telas uma maneira de manter o filho entretido por longas horas.
Segundo a mãe, Breno passava uma média de seis horas por dia assistindo desenhos.
"Muitas vezes, para conseguir trabalhar, precisava deixá-lo no celular ou no tablet. E ele ficava ali quietinho, assistindo", relata ela.
Em março deste ano, porém, a situação começou a mudar de figura.
"Recebi uma carta da escola em que ele estudava que chamou a atenção para um comportamento muito parecido com alguns sintomas típicos do autismo", diz Peres.
"Ele não olhava nos olhos dos outros durante interações sociais, era agressivo com outras crianças, mordia, batia, não se concentrava em nenhuma atividade, se recusava a comer certos alimentos, tinha birras excessivas e não podia ser contrariado", lista ela.
Um estudo feito na Universidade de Yamanashi, no Japão, por exemplo, analisou 84.030 mães e filhos — e concluiu que, entre meninos, a exposição prolongada a conteúdos audiovisuais no primeiro ano de vida "esteve significativamente associada ao diagnóstico de TEA aos três anos de idade". Já uma revisão sistemática (que compila resultados de vários artigos) feito no Instituto de Neurociências Comportamentais e Psicologia da Califórnia, nos EUA, aponta que "quanto mais longa [e precoce] a exposição às telas, maior o risco da criança desenvolver TEA".
Mas as evidências apontam que as telas podem ser um fator a mais a contribuir para o agravamento de determinadas manifestações do quadro.
Fonte: G1