18/09/2026
Quando paro pra reunir fotografias das turmas, sempre demoro mais do que pretendia. Vou escolher algumas para publicar e acabo lembrando de uma conversa, tentando situar uma cena. Certas fotos me devolvem até o motivo da risada. Outras me deixam apenas com a vontade de encontrar aquelas pessoas novamente.
É curioso ver o trabalho assim, espalhado em fotografias. No cotidiano, estamos ocupados com o que precisa ser feito. Há uma aula para preparar, uma dúvida que merece atenção. Durante as práticas, acompanho o que cada pessoa está fazendo e penso no que ainda precisamos estudar. Depois, nas imagens, vejo também quanto da nossa convivência aconteceu enquanto cuidávamos de tudo isso.
Nas viagens, essa convivência ganha outras proporções. Passamos mais tempo juntos, conhecemos um pouco da pessoa que costuma aparecer mais como aluna ou professora. E descobrimos que alguém pode fazer uma pergunta dificílima durante a aula e, pouco depois, nos fazer rir até perder o fio da conversa.
Gosto muito dessa possibilidade de estar inteira no meu trabalho. De me dedicar a um assunto que exige tanto estudo e poder me divertir com as pessoas que vieram estudá-lo comigo. O compromisso está presente quando nos demoramos numa explicação, quando repetimos uma prática até compreender melhor o que estamos fazendo. Há espaço para a alegria dentro desse tempo.
Olho essas fotos com carinho também por isso. Sei quanto trabalho existe ali. Lembro do cansaço ao final de alguns dias e da disposição que reaparecia quando alguém sugeria fazermos alguma coisa juntos.
Na hora da despedida, quase sempre sobra uma conversa por terminar. Algumas, sempre f**arão para a próxima turma encontrar.