Expressão Gráfica UFPR

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Bacharelado em Expressão Gráfica

13/05/2026

Expressão Gráfica mesmo para quem não sabe ler e escrever, criar símbolos para um alfabeto... salvou em parte a memória e a cultura de uma nação.

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Ele não sabia ler. Não sabia escrever.
E mesmo assim criou sozinho um sistema de escrita completo do zero.

No começo do século XIX, na Nação Cherokee, um ferreiro chamado Sequoyah observava fascinado os colonos brancos.
Eles usavam o que ele chamava de “folhas que falam”: papéis cheios de símbolos misteriosos capazes de enviar mensagens a quilômetros de distância e guardar conhecimento por gerações.

O povo dele não tinha nada disso.
A história, as leis e as lendas cherokees sobreviviam apenas na memória. Tudo era passado de boca em boca.
E Sequoyah percebeu algo assustador: se uma geração desaparecesse, séculos inteiros de sabedoria poderiam sumir junto para sempre.

Então ele tomou uma decisão que parecia impossível.

As pessoas riam dele. Chamavam ele de louco.
Sua própria esposa, cansada daquela obsessão estranha, chegou a queimar alguns dos seus primeiros trabalhos.
Porque como um homem completamente analfabeto poderia criar um sistema de escrita?
Nem estudiosos conseguiam fazer algo assim.

Mas Sequoyah tinha uma vantagem que ninguém percebia:
ele conhecia profundamente a alma da própria língua.

Durante doze anos, trabalhou praticamente sozinho.
Primeiro tentou criar um símbolo para cada palavra, mas eram símbolos demais.
Depois tentou desenhos e pictogramas, mas o sistema era limitado.
Qualquer outra pessoa teria desistido.
Ele não.

Até que um dia tudo fez sentido.

Ele percebeu que não precisava criar símbolos para palavras.
Precisava criar símbolos para os sons.

Então dividiu toda a língua cherokee em sílabas.
E criou um símbolo exato para cada uma delas.
Foram 85 caracteres.
Só isso bastava para representar todos os sons falados pelo povo cherokee.

Em 1821, chegou o momento decisivo.
Sequoyah apresentou sua criação aos líderes da tribo, que ainda desconfiavam dele.

Para provar que o sistema funcionava, pediu que alguém ditasse uma mensagem.
Ele escreveu tudo em símbolos e chamou sua filha, que estava em outro cômodo sem ouvir nada.
Ela pegou o papel… e leu a mensagem em voz alta, palavra por palavra.

Os líderes ficaram em choque.
O sistema funcionava de verdade.

E o que aconteceu depois foi algo histórico.

Em poucos meses, milhares de cherokees aprenderam a ler e escrever.
Pessoas que nunca tinham segurado uma pena começaram a escrever cartas e registrar a própria história.
Em 1825, a taxa de alfabetização da Nação Cherokee já era maior que a de muitos colonos americanos.
E em 1828 surgiu o Cherokee Phoenix, o primeiro jornal indígena de toda a América.

Sem nunca ter frequentado uma escola, Sequoyah realizou algo que hoje linguistas consideram um dos maiores feitos intelectuais da história humana.

Mas a parte mais triste dessa história ainda estava por vir.

Enquanto ele criava o silabário, o governo dos Estados Unidos já pressionava para tomar as terras cherokees.
A expulsão forçada estava chegando.

Em 1838 aconteceu a trágica “Trilha das Lágrimas”.
Milhares de cherokees morreram durante a marcha forçada após serem expulsos de suas casas.
Eles perderam terras, famílias e praticamente tudo o que tinham.

Mas houve algo que nunca conseguiram arrancar deles.

Nos bolsos e na memória, carregavam o silabário criado por Sequoyah.
A língua cherokee sobreviveu ao exílio, à repressão e às tentativas de apagar seu povo da história.

E até hoje esse sistema continua vivo.
É ensinado nas escolas, aparece em placas de estrada e até em celulares.
Hoje, um cherokee consegue mandar mensagem pelo telefone graças a um homem que se recusou a deixar sua cultura morrer.

Sequoyah nunca aprendeu a ler ou escrever em inglês.
Nem precisou.
Porque ele não criou apenas uma escrita.
Criou uma forma de resistência.

Foi um ato de amor, sobrevivência e memória… que atravessou os séculos.

06/03/2025

Desenhar não é apenas no papel ou em uma tela eletrônica...

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