10/09/2016
HISTÓRIA QUE LEVOU À ALFABETIZAÇÃO PELA BÍBLIA
Cheguei a Frederico Westphalen, RS, recém casado, para organizar a igreja e pastorear. Falei com alguns irmãos: vamos organizar, oficialmente, a Igreja nesta cidade. Naqueles anos o lugar era bem pequeno - umas 4 mil pessoas, se é que tinha. Reunimos poucas pessoas que conheciam a Palavra de Deus. Propus a elas um caminho de fidelidade ao Senhor. Era os primeiros dias de outubro de 1961. Somente cinco irmãos falaram que aceitavam os termos de fidelidade ao Senhor (nada tinha a ver com dinheiro, dízimos ou coisas materiais) Tratava-se apenas de viver entre as pessoas da cidade como viviam os crentes, diferentes da vida mundana.Tendo a Maria e eu declarado também nossa fidelidade a Deus, a Igreja foi organizada e os termos de consagração total ao Senhor, nosso Deus, e a Jesus nosso Salvador, foram lavrados em Ata e por todos, sete pessoas, chamada de Igreja Evangélica Batista. Foi a primeira e única Igreja Evangélica naquela região, que compreendia uns 70 quilômetros em todas as direções.. Hoje, com modernas estradas, sem muitas curvas, as distâncias ficam menores. As pessoas não nos convidavam para entrar em suas casas quando íamos falar de Jesus para elas. Ficávamos na porta, pois nem muro tinham as casas.Todavia percebi que o número de pessoas que não sabiam ler era enorme. Eu e minha esposa oramos e dissemos: vamos alfabetizar essas pessoas. Alugamos uma pequena casa de madeira e ali começamos, no dia 2 de fevereiro de 1962, nossa primeira jornada de alfabetização. Estavamos antecedendo a ONU que só determinou o dia 8 de setembro de 1967 como o Dia da Alfabetização e antecedemos o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). Foi um projeto do governo militar brasileiro criado pela Lei n° 5.379, de 15 de dezembro de 1967, e propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, que abandonaram a escola, visando conduzir a pessoa a adquirir a leitura, escrita e cálculo. O Governo Brasileiro oficializou pelo decreto nº 62.455, de 22 de Março de 1968. De maneira que a Escola de Alfabetização Joahn Ongman que criamos antecedeu, pelo menos 5 anos, estes conhecidos programas alfabetizadores. Como antecedemos até as famosas "brisoletas", propostas pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brisola, jamais estava pensando que seria um pioneiro na Alfabetização do Brasil. Naqueles anos ninguém dava muito valor à Alfabetização de jovens e adultos, aliás até hoje ainda muito pouco se valoriza, passados 54 anos. Será que o Governo Temer me daria uma chance de alfabetizar o Brasil durante seu governo?
A VEJA escreveu em sua edição de 27 de julho que o governo de Dilma deu 2 bi e 600 milhões para o programa de alfabetização. Ao perguntar ao atual Ministro da Educação o que fizeram com este montão de dinheiro, a resposta está lá, no artigo da Veja: NADA! Por favor, envie este escrito e fotos abaixo para os senadores e deputados. Quem sabe minha esposa e eu, junto com todas as Igrejas evangélicas, em muito pouco tempo tiraremos o Brasil deste quadro triste do analfabetismo!
Fotos abaixo:
1. Casa alugada para alfabetizar, em 1962. Um ano depois tínhamos três lugares onde funcionavam nossas escolas de primeira a quarto ano para jovens e adulto.
2. Minha esposa e eu com Dr Valter dos Anjos estudou conosco em 1962, se formou ali, porque antecedendo o supletivo, promovíamos nossos alunos de 5 em 5 meses. Foi o primeiro professor com apenas o quarto ano a ser nosso professor alfabetizador. Hoje, Dr Valter é advogado aposentado e seus filhos também são advogados especializados.
3. Desfile no dia 7 de setembro de 1964. Eu tinha 24 anos quando comandei este desfile de nossos alunos. Éramos uma grande Escola e ganhamos, não somente o respeito das autoridades locais, mas muitas almas para Jesus.