05/11/2025
Sobre a presença do Surdo na gira de umbanda
E o porque sou contra.
A musicalidade de umbanda se da pela presença de 3 tons graves, semitonados entre si, e seus respectivos agudos. O grave se perde por completo ao se colocar um surdo, pela própria potência do grave do instrumento.
Junto a isso, vem a questão principal:
O surdo é um instrumento de marcação, enquanto a função primordial dos atabaques é criar fluência de energia. As pancadas do surdo criam pontos de impacto grave (no sentido sonoro) na onda fluida do toque dos atabaques, criando pontuações constantes, e "pesando", pelo seu grave, o som como um todo. É quase como se estivéssemos fazendo com que a água que sai de uma to****ra tivesse seu fluxo afetado por pancadas na to****ra enquanto jorra.
Musicalmente f**a bom? Encaixa no samba. Mas e congo, barravento, nagô, ijexá?
E o peso desse instrumento nesses momentos, especialmente se não for bem tocado, como é o costume em terreiros, que colocam as pessoas mais inexperientes em surdo e agogô, quando deveria ser o contrário?
"Ah, mas eu gosto." Poucas coisas, de fato, são questão de serem feitas por gosto ou capricho, na curimba. Temos a questão histórica, energética, sonora, de doutrina, de egrégora, de liturgia. São fatores diversos que influenciam a presença de instrumentos diversif**ados, fugindo à herança histórica do trio de atabaques.
Junto a isso, entramos na questão litúrgica da presença do couro nos instrumentos. Metal, madeira e couro, elementos da natureza. O couro do surdo, portanto, deveria ser de origem animal, para ao menos estar dentro dos conformes do pretendido para os instrumentos na umbanda. Mas, claro, tudo isso é a visão e opinião de uma pessoa, e não precisa ser levada em consideração, mas ao me deparar com pessoas me perguntando o pq de ser contra, achei válido escrever sobre.