08/06/2020
Oi, tudo bem? Hoje eu quero conversar com você mãe ou pai de uma (ou mais) crianças de 4, 5, 6 anos...
Aqui é a Marianna Canova, pedagoga ou “pedagogenta” como diz um amigo meu… Quero pedir licença para entrar na sua casa… eu que sempre achei que não tinha o direito de invadir residências me vejo em uma delicada situação de fazer uma nova escola totalmente online… E aqui estamos tentando… sem nem bater na porta!
Não existe manual de como fazer uma escola na pandemia. Se porventura você conhecer algum me avisa, tá?
Está sendo um desafio… Aulas online, reuniões por plataformas antes nunca exploradas, atendimentos à distância… Me sinto explorando uma terra nunca antes visitada!
Mas estamos tentando… dezenas de webinars, dúzias de reuniões… Como encontrar a fórmula para ajudar a família a entender que o processo de aprendizagem não está só na escola? Como sugerir propostas sem invadir espaços e sem deixar as mães e pais descabelados…
Sei que vocês (nós!) estão estressados… Cuidar da casa, do home office, da comida, da rotina das crianças… Eu também estou! Também sou mãe! Hoje meu filho ficou enchendo uma bexiga no meio da minha reunião de trabalho.. Meus colegas riram… eu tive vontade de dar um safanão… Respirei fundo e fiquei na vontade!
Estamos todos preocupados se o filho será ou não estimulado, se estamos sugerindo atividades adequadas, sedeixamos o feijão no fogo e se vamos conseguir atender a reunião online agendada para às 11:45 da manhã… Não podemos esquecer do lanche saudável da tarde nem de colocar a roupa na máquina de lavar… Amanhã vai faltar água aqui em casa por conta de estiagem. E as 21:00 tem uma live da escola: como manter o equilíbrio emocional na pandemia… Seria cômico se não fosse irônico… Eu que escolhi o tema...rs
Gente, está difícil para todo mundo! Meu coração anda dividido e acredito que o de muita gente está!
Mas achei importante escrever esse texto… Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada pelo processo de aprendizagem e hoje tenho um convite… Pare e pense como você acha que a aprendizagem surge no seu filho. Foi feito uma pesquisa pelo Instituto Avisalá onde se questionou às famílias sobre quando e onde as crianças aprendiam. 85% das respostas disse que era na escola. Sim! As crianças aprendem muito na escola mas não é só lá!! A aprendizagem começa no útero… sim, no momento em que o bebê chuta quando ouve a voz de alguém demonstra que já aprendeu… Já ao nascer aprende em casa e só depois na escola. Sei que você não é pedagoga (o) e talvez nunca tenha parado para pensar nisso… Então vou tentar te ajudar. Tenho certeza que você está fazendo o melhor possível! Mas pensei em algumas sugestões para te ajudar a despertar o vínculo da aprendizagem no seu flho a partir do cotidiano, e tudo isso é possível fazer no meio de uma pandemia:
Você sabe o que é consciência fonológica? É ter a consciência dos sons ao nosso entorno, mais precisamente dos fonemas… Isso é fundamental para um futuro processo de alfabetização… então que tal brincar com as palavras? O bom é que você pode fazer isso a qualquer momento… Está pendurando a roupa no varal, dirigindo ou cozinhando? Bora lá… Rimas, trava línguas, poesias… Jogo de palavras também são interessantes… O que é um Jacarafa? Jacaré + Girafa, dessa forma a criança começa a ter a consciência que palavras são feitas de sons;
Não existe melhor laboratório de aprendizagem que a cozinha! Cheiros, sabores, cores… Tá Mari, mas meu filho já sabe tudo isso! Será? Que tal uma coleção de cheiros? Fez sucesso aqui em casa… Separe temperos em tampinhas de garrafa… Você desenvolve organização e classificação. Se seu filho tiver uns 5 anos comece a estimulá-lo a pensar sobre a escrita da coleção… Mas cuidado, você não deve ditar as letras para formar as palavras. Nem deve cobrar para ele fazer isso, mas pode trazer algumas sugestões… “Filho como será que se escreve CANELA?” Ajude-o a pensar nos sons! Se a criança transformar CANELA em K - E - A… um som por sílaba, ótimo!! Já percebeu que quando falamos saem 3 sons da nossa boca? Isso se chama fase silábica. Se só disse que começa com K bom também… essa construção é gradativa, mas precisa do estímulo social e de uma ambiente que traga algum estímulo..
Também te sugiro a inspirar a pesquisa… Seu pequeno gostou de uma formiga do jardim? Que tal ver vídeos sobre a formiga, escolher uma foto e redesenhar? Se tiver interesse, a tentativa da escrita também é válida… Aqui em casa o Estegossauro foi o escolhido! Sabia que ele era o dinossauro mais feroz?... Não? Eu também não… A gente também aprende!
Vamos trabalhar matemática? Quantas árvores tem em frente de casa? Que tal contar pela janela e realizar a tentativa da escrita do número? Receitas também são ótimas oportunidades de desenvolver habilidades matemáticas… 3 xícaras de farinha, 2 ovos, 1 xícara de açúcar etc… vale desenhar os ingredientes!
A hora da história é sagrada… Leia um livro até o final de acordo com a idade da criança… Trabalha concentração, imaginação, memória… Se quiser vale desenhar o personagem depois ou escutar a história (sem vídeo) pelo spotify! Um super desenvolvimento de percepção e memória auditiva.
Você tem um espaço organizado para o processo de aprender em casa? Uma mesinha, tesoura, caneta, papel, revistas, massinha? O ambiente também é educador. Organize esse espaço, você vai se surpreender…
Pare e aproveite o tempo em casa para observar os brinquedos do seu filho. Estão coerentes com a idade? Os brinquedos também são motivadores para a aprendizagem… Nessa idade os jogos começam a ter grande valia, construindo regras e ajudando-o a aprender a ganhar e perder, habilidade essa fundamental para a vida!
Tudo isso pode parecer meio mirabolante para quem não é da área pedagógica, mas pare e pense… A responsabilidade de vincular seu filho com a aprendizagem não é só da escola! Se ele perceber seu vínculo com o aprender isso o estimulará ainda mais a aprender e como eu sempre digo: Quem gosta de aprender não tem limites… Muitas portas se abrem para quem é curioso e se disponibiliza a aprender!
Puxa Mari, eu não estou dando conta de tudo o que faço e ainda tenho que fazer mais essas sugestões? Não, você não precisa… sei que está fazendo o melhor que você pode, mas volta e meia a gente tenta melhorar! E muitas vezes nem pensamos sobre isso… minha intenção é só ajudar!
Com carinho
De uma mãe pedagoga e autora do livro "Maternidade (im)possível, crônicas de uma mãe pedagoga", Marianna Canova