12/09/2026
Setembro Amarelo costuma vir acompanhado de uma expectativa silenciosa: a de que saúde mental seja sinônimo de estar bem o tempo todo. Entretanto isto não é real.
A Organização Mundial da Saúde descreve saúde mental como a capacidade de reconhecer as próprias habilidades, lidar com as tensões normais da vida e seguir contribuindo com o mundo ao redor. Em nenhum momento isto quer dizer viver sem tristeza, sem frustração ou sem medo. Dias difíceis fazem parte da vida de qualquer pessoa. O que faz diferença é o que conseguimos fazer com eles, e quem está por perto quando eles chegam.
Para quem tem altas habilidades ou superdotação, esse assunto tem uma camada a mais. A mesma mente que processa o mundo com profundidade também o sente com mais intensidade. A intensidade emocional, a sensibilidade aguçada e as perguntas muitas vezes inadequadas para a idade não são sinais de fragilidade. São características.
E existe um ponto que precisa ser dito com clareza: a superdotação, por si só, não é fator de risco para ansiedade ou depressão. O que adoece são outros fatores. É o ambiente que não compreende, a escola que ainda está aprendendo a acolher, a ausência de pares, o cansaço de se explicar todos os dias e a cobrança de tentar se diminuir para caber.
Cuidar disso não exige nada de extraordinário. Exige nomear o que se sente, encontrar pessoas que entendam sem tradução e parar de tratar a intensidade como defeito.
Neste Setembro Amarelo, o nosso convite é simples: converse. Com quem você ama, com quem você educa, com um profissional. E, se o assunto for a superdotação de alguém que você acompanha ou a sua própria, fale conosco. Link na bio.
Vale lembrar: se você está passando por um momento muito difícil, o CVV atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188.