23/02/2026
RUAS TALHADAS EM FERRO,
CORAÇÕES CEVADOS EM MATE
I
Onde toquem a música certa,
ali se cria o mundo,
“o mundo, mundo, vasto mundo”
do poeta de Minas,
das ruas talhadas no ferro,
impressas na caligrafia de saudades de Itabira.
Itabira do Mato de Dentro.
II
Logo adiante, seguimos,
certa incerta lunação,
apagou-se a luz
e fez-se a confusão.
Ah, há o anjo da anunciação.
“Vai, Carlos! Ser gauche na vida”.
III
Oh! Impropérios!
Ó desdita, que escreve o caminho dos aflitos.
Revelou-se, para além de Itabira,
duas criações desprovidas,
tolamente desprovidas de identidade,
de sintomas de vida: “GAUCHE” X “DROITE”.
Sintomas ou resquícios de vida inteligente
Ali já não se encontram.
IV
E OS HOMENS SÃO FRACOS.
O poeta já confessara.
Vestiram a fantasia de gladiadores sem “gládio”
ou, talvez , de fantoches e bipolar tornaram-se.
Cenário da dislexia ou da conexão reversa.
A Fé já não os liberta.
Escraviza-os em seitas diversas.
Onde o certo traduz-se em:
o fio da lâmina é sutil, finíssimo, transparente,
na fronteira entre fé e fanatismo
nas mais diversas correntes incoerentes.
V
Nas montanhas do mundo,
homens embriagados despem-se,
o néctar pútrido do poder golfejando,
reverberam destinos
na fina lâmina do aço.
Estardalhaços.
VI
Nas estradas do mundo,
muito ferro, chumbo e aço.
Lamaçal na praça.
VII
Apesar das tiranias e devassas,
nos ombros do “mundo vasto mundo”,
cevamos com galhardia, genuína alegria,
o “mate da Esperança”,
simbólico contraste.
Sandra Regina Klippel. In: A Gazeta do Amapá, 22.02.2026