27/10/2025
UFPR
A universidade mais antiga do Brasil Fundada em 1912, a UFPR é uma universidade dinâmica, atual, e fará 100 anos este ano.
27/10/2025
28/10/2024
ROSAS DO DESERTO
Outubro rosa.
Rosa das rosas...
Rosa dos lírios, crisântemos, gerânios, peônias,
hortênsias, azaléas, tulipas...
Rosa da flor-de-maio e rosa da flor de outubro,
das orquídeas, violetas, portulacas, prímulas, azedinhas e begônias...
Árvores em festival de tons rosas, róseas pétalas a espalhar.
Rosa dos ipês e dos jacarandás, dos hibiscos e das cerejeiras,
da calliandra, da bougainvillea, da petúnia e da magnólia...
Ou da Rosa de Saron.
Outubro mês dos poetas, aquele necessário ser, como disse Leminski,
para que a humanidade consiga respirar...
Outubro do Prêmio Nobel de Literatura.
Em 2024, ele tem referência de róseo ser - Han Kang .
A sul-coreana da narrativa poética,
onde muito mais do que estética sobressai a mulher,
seus dramas e suas confidências em épocas nada resilientes.
Uma denúncia contundente na metáfora surpreendente da cor branca.
Sua obra , o Livro Branco, um título metafórico, espalha névoas nos ares.
Fantasmas de situações ordinárias e da fuga primária - é a mulher escondida.
Aquela que se anula ou é anulada, suprimida, desconsiderada...
Busca, então , nas palavras ou na escrita o sentido oculto, a fuga da fuga:
“Será que estaria tudo bem se eu me escondesse entre essas frases cobertas de gaze?”
Ou outubro o mês rosa das róseas “rosas do deserto”?
Sandra Regina Klippel. In: A Gazeta do Amapá, 27.10.2024
20/10/2024
AMAR, VERBO OU CORPO, OU ESCOPO?
Ela de si para consigo sorria...
Aquela paz que apascenta não homens ou feras,
mas as esferas do coração, mente e consciência.
Ato contínuo...
Quebrar os muros, as invisíveis paredes de vidro, saltar livre!
Respirar!
Com júbilo, o caminho percorrido decorar.
Azáleas róseas, rosas carmim, begônias laranjas,
violetas violáceas.
Quantos laços para desatar...
Abraçar o ar, dar piruetas até nunca cansar,
o aroma dos jasmineiros em flor, então, aspirar.
Livre, liberta dos preconceitos sepulcrais,
sejam eles sociais, econômicos ou geracionais;
estender as mãos para outras mãos segurar;
lançar os braços para abraços oferecer ou colher;
esparramar amores e louvores ou odes triunfais;
embalar sonhos e distribuir afetos sem desafetos...
Enfim, ir catar estrelas na névoa azul do mar
e fazer uma espiral até onde a imaginação ousar saltar.
Venha, a vida emana amor, ação de amar,
incontrolavelmente amar, explosão, emoção
feito o bater das ondas nos cais.
Sandra Regina Klippel. In: A Gazeta do Amapá, 20.10.2024
13/10/2024
ALMA DANÇARINA
Tu estavas tão sereno orvalhado pelo sereno,
semblante e olhar de madrugas interrompidas.
Eu dançava de mãos dadas com o destino e alguns desatinos.
Tenho alma dançarina...
Encantei-me em prospecções de sentimentos,
embalei-me aos acordes do infinitivo nos passos do subjuntivo.
Assim, do futuro do pretérito chego ao auge no pretérito-mais-do que perfeito.
Nestes embalos que independem dos sábados ou domingos,
já viajei nos braços do fado nas escadarias de Coimbra
mergulhei nos mares azuis da Grécia ao som de Zorba – O Grego,
como se fora o amor compassado, ritmado,
a embeber-me em olhares e sorrisos.
Fiz-me espiral de ar para receber uma chuva de folhas.
Folhas multicores de árvores descabeladas,
surpreendente ballet de uma só bailarina,
ao ritmo de um frevo nordestino.
Teu semblante sereno esfumaçou-se entre nuvens.
Teu olhar enigmático já não diviso.
Ficou o trajeto, um risco no ar, o ocaso,
o eterno presente que poderia ter sido.
Sandra Regina Klippel. In: A Gazeta do Amapá, 13.10.2024
07/10/2024
TERRA AZUL
A Terra é azul! Azul, azul, azul…
De Norte a Sul.
“A Terra é azul!”
E inaugurou-se uma era em que as naves partem céleres furando as camadas da estratosfera.
Cá embaixo, cabisbaixos, rememoramos as lendas dos viajantes encantados.
Redescobrimos o verde das florestas, seus segredos, sua magia – quase uma liturgia.
Em toda situação há bônus e há ônus. Confusos e inoperantes assistimos ao mergulho da ignorância nos canais de rios e riachos a envenenar a vida em camadas visíveis e em malhas submersas.
Os saberes esquecidos, os sabores comprometidos – os abalos do clima ou crise climática, legião de fanáticos e o estertor da vida.
O meio ambiente é notícia nas páginas de jornais, nas TVs e redes informais.
O meio ambiente estremece diante do fogo que queima e das águas que isolam.
A Natureza reclama seu espaço sagrado, a falta de cuidados, amor e sabedoria.
É seca – chão tórrido, calor abrasador, seres em extinção.
São águas volumosas enjauladas em espaços roubados ao seu livre fluir.
Os artefatos tecnológicos vagueiam no espaço traçando rotas e alertas sobre a situação deflagrada, mas há a necessidade de ligar o pisca alerta da consciência da humanidade, sem a ação do ser humano nada se faz factível.
Já nos ensinaram os povos tradicionais, os nativos da terra, que meio ambiente não é apenas espaços e coisas ou o entorno, somos nós inseridos em todas as coisas, vidas e espaços e vice-versa – Tudo se reconecta em cada gesto recriando ou reduzindo a vida.
A Terra é azul! Azul, azul, azul…
Exclamou Gagarin, o Yuri, o da nave a circundar a Terra esférica.
O espaço se abriu em um mergulho da nave para o futuro.
Foi breve, foi a imersão dos humanos em novas dimensões.
Sandra Regina Klippel. In: A Gazeta do Amapá, 06.10.2024
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