09/02/2025
Ser professor nunca foi tão difícil…
Com o início do ano letivo na rede pública se aproximando, o professor Renato Casagrande de Curitiba (PR) — um dos especialistas mais influentes em gestão educacional do Brasil e pesquisador de estratégias e políticas voltadas ao ensino — foi o convidado, ontem, do Podcast do Correio Braziliense.
Para ele, “a escola está sofrendo, está doente” devido à sua lentidão em se adaptar aos novos tempos. Às jornalistas Mariana Niederauer e Mayara Souto, o educador comentou sobre a proibição dos celulares nas escolas e a chegada da inteligência artificial.
A sala de aula já não é a mesma. Os alunos mudaram. As famílias mudaram. O mundo mudou. Mas o professor continua lá, muitas vezes sozinho, tentando segurar as pontas de um sistema que não o acompanha.
Vivemos a era da velocidade. As novas tecnologias avançam em ritmo frenético, enquanto as escolas ainda tentam se adaptar a um modelo que já não dialoga com a realidade dos alunos. O professor, pressionado por resultados, precisa inovar sem ferramentas, engajar sem apoio, transformar sem estrutura.
E como se não bastasse, há uma carga emocional avassaladora. Os alunos trazem angústias que refletem uma sociedade em crise. Os pais, muitas vezes, delegam à escola um papel que não deveria ser apenas dela. E o professor, exausto, precisa ser educador, psicólogo, mediador de conflitos e, acima de tudo, resistente.
Mas resistir tem um preço. Professores estão ansiosos, doentes, emocionalmente desgastados. Sentem-se desamparados em um sistema que cobra, mas não acolhe. São pressionados por índices, metas, avaliações… mas quem avalia a saúde mental do professor? Quem cuida daquele que cuida de tantos?
A docência sempre foi movida por paixão. Mas paixão também se esgota quando não encontra condições para florescer. É urgente olharmos para essa realidade. Sem professores saudáveis, não há educação. Sem educação, não há futuro.
Que possamos não apenas reconhecer essa dor, mas agir para transformá-la. Porque uma sociedade que adoece seus professores está fadada ao colapso.