Luto: Vivências e Possibilidades

Luto: Vivências e Possibilidades

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Essa página é dedicada à discussao do luto e à divulgação dos trabalhos de pesquisa e extensã

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 29/02/2024

O projeto “Lutos Vivências e Possibilidades II” irá passar por mudanças!

Por conta disso, ficaremos algum tempo sem postagens novas. No entanto, você ainda pode acessar nosso conteúdo por aqui e ver tudo o que produzimos nos últimos anos!

Gostaríamos de agradecer a todos os extensionistas, estagiários, alunos da graduação e pós-graduação que fizeram parte da história do projeto.

À nossa coordenadora, , agradecemos pela orientação atenta e sensível.

Um agradecimento especial a você, seguidor da nossa página, por acompanhar nosso trabalho e torná-lo possível.

Até breve!

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 26/12/2022

26/12 - Indicação: Cartilha “Como falar de luto com crianças?”
A cartilha “Como falar de luto com crianças?” foi publicada em dezembro de 2022 e é de autoria de Carla Cristina Karpem, Carolina Cristine Martins de Souza e Letícia Venturi da Silva e foi escrita sob orientação da professora Drª. Joanneliese de Lucas Freitas.
Nela, são discutidas questões como: o que é o luto, como falar sobre morte com crianças, quem pode falar com a criança após uma perda, entre outros temas. O objetivo deste trabalho é o de “orientar pais e responsáveis sobre como lidar com crianças no que se refere ao tema da morte e do luto, bem como ajudá-los a proceder diante de uma situação de morte e de luto na infância”.
Feriados e confraternizações de final de ano tendem a ser especialmente difíceis para aqueles que perderam os seus entes queridos por morte. Por isso, é importante que criemos espaços para poder dialogar sobre esses temas - inclusive, com as crianças, que têm, por muitas vezes, sua experiência de luto não validada e não reconhecida pelos adultos e demais figuras de referência. Nesse sentido, separamos um trecho da cartilha que pode sugerir caminhos possíveis em relação a como acolher e conversar sobre morte e luto com as crianças.
“Existe um momento certo para dar a notícia do falecimento à criança? A informação sobre a morte de um ente querido deve ser dada de preferência o mais rápido possível à criança, de maneira direta e com linguagem simples: trate do assunto com verdade e transparência!”
“Quem pode falar com a criança após uma perda? Em uma situação de morte, é importante que a criança receba a notícia de alguém próximo, com quem ela tem confiança e uma boa relação. Dessa maneira ela terá mais condições de se sentir amparada e protegida. É essencial que essa pessoa esteja capaz de dar a notícia. Não tem problema chorar, porém quem vai dar a notícia deve ter condições de explicar à criança o que aconteceu.“

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 15/12/2022

O curta-metragem “Memórias à venda” foi lançado em 2020 e é de autoria de Manu Mercurial. Nele, é retratada a história de um jovem que perdeu o pai e que, em dado momento, decide vender o táxi dele. Ao longo de sua experiência com o luto, o jovem rapaz
entra em contato com objetos que despertam memórias e sentimentos distintos em relação ao seu pai e ao seu presente e passado.

Somos levados por uma jornada que nos faz refletir sobre a relação de um filho com o seu pai. Relação essa que não se limita apenas à infância e ao início da vida adulta, mas que se reconstitui após a morte. O curta retrata o processo de ressignificação da vida e da relação do filho para com os seus pais após a morte do genitor, desenhando memórias e sentimentos que compõem esse movimento.

Título Original: Memories For Sale (2020)
Onde assistir: Youtube

Texto alternativo:
Texto alternativo: Post em carrossel com seis imagens contendo o texto da legenda na cor verde em fundo bege e detalhes em marrom de folhagens em aquarela, círculos e linhas. Na primeira imagem há o título “Indicação” e uma imagem em que está escrito “Memories for sale”, em que há a ilustração de um jovem rapaz sentado em um banco e atrás dele há um táxi com as luzes acesas o iluminando. A última imagem convida o leitor a compartilhar, salvar, acessar as referências e comentar, caso tenha gostado do conteúdo.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 03/12/2022

O projeto Luto: Vivências e possibilidades participou semana passada do 3° Festival de Ciência, cultura e inovação, apresentando-o à comunidade, através da exposição sobre os projetos de extensão da UFPR.

As nossas atividades buscam aproximar alunos e comunidade, sendo algumas delas: o suporte ao grupo Amigos Solidários na Dor do Luto, o plantão psicológico, as pesquisas, os eventos e as cartilhas gratuitas, além da divulgação de conteúdo científico, filosófico e cultural através das redes sociais.

Acompanhe e divulgue as nossas redes para saber mais sobre nosso projeto e o tema da morte e luto!

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 01/12/2022

A canção “É doce morrer no mar” é de autoria de Dorival Caymmi e Jorge Amado e foi escrita em 1941 na casa do pai de Jorge. A música é um poema cantado que retrata a odisseia dos pescadores brasileiros que, ao buscarem a alimentação para si e para as suas famílias, morrem no mar e ao deixarem seus barcos e jangadas vazios, deixam também saudade daqueles que ficam.
A música fala sobre a vida e a morte de uma forma muito potente, atravessada pelo sincretismo religioso e construída a partir de uma cadência que remete aos movimentos ondulatórios do mar- ora calmo ora rápido e sempre impermanente.
“É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar” retrata, com delicadeza, o mistério da vida e da morte. Cantar sobre o luto daqueles que se foram parece ser a forma encontrada por Dorival Caymmi e Jorge Amado de manter presente o amor.

Referências:
https://www.youtube.com/watch?v=5qAQLCfZnmo&t=62s&ab_channel=DorivalCaymmi-Topic
Brandão, José Maurício. (2020). Acerca da doçura de morrer no mar, por Caymmi e Widmer. ICTUS Music Journal vol. 14 n.2. Orcid: 0000-0003-2775-1587
Armando Pacheco / Fotos: Chico Vizzone "É DOCE MORRER NO MAR!" DORIVAL CAYMMI CONTA A HISTÓRIA DOS PESCADORES QUE NÃO TÊM HISTÓRIA. https://www.jobim.org/caymmi/handle/2010.1/12672
https://www.suspeito.com.br/post/%C3%A9-doce-morrer-no-mar-108-anos-de-dorival-caymmi
http://365cancoes.blogspot.com/2010/02/37-e-doce-morrer-no-mar.html

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 25/11/2022

O abortamento provocado é um processo complexo e envolve diversos fatores, tais como a falta de educação sexual, gravidez indesejada, desemprego e a falta de apoio do parceiro e/ou família.
Embora encoberto por tabus e preconceitos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, no Brasil o ab**to representa a quarta causa de morte materna, configurando-se como um problema de saúde pública.
A decisão de interromper a gravidez até o abortamento inaugura um período de extrema sensibilidade emocional, o que demanda não apenas assistência técnica, mas também apoio em relação ao processo de perda e, então, à vivência de luto.
No entanto, comumente, o processo de luto nessa situação não é reconhecido e, portanto, a sua manifestação pode ser problemática, sendo vivenciada como um trauma e podendo levar ao adoecimento.
Para que a dor subjetiva de uma perda seja dissipada, é necessário que “ela seja dita, vivida, sentida, refletida e elaborada, mas nunca negada” (Gesteira, Barbosa & Endo, 2006, p. 465). Nesse sentido, espaços solidários, de escuta, cuidado e acolhimento, quando ofertados, desapontam as possibilidades de enlutamento e de ressignificação dessa experiência.

Referências:
Gesteira, S.M.A.; Barbosa, V.L; Endo, P.C. (2006). O luto no processo de ab**to provocado. Acta Paulista de Enfermagem, 19 (4), p. 462-467. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0103-21002006000400016

Texto alternativo: Post em carrossel com cinco imagens contendo o texto da legenda em fundo branco e detalhes em verde e marrom de folhagens, círculos e linhas. Na primeira imagem há o título " O luto em ab**to provocado". A última imagem convida o leitor a compartilhar, salvar, acessar as referências e comentar, caso tenha gostado do conteúdo.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 17/11/2022

A indicação de hoje é o podcast Conversas sinceras sobre Viver e Morrer EP72- “E quando minha hora chegar no Brasil?” de Tom Almeida com Luciana Dadalto.
A convidada Luciana Dadalto é advogada especialista em Testamento Vital há mais de uma década no Brasil e nesse episódio ela fala sobre, e explica com exemplos práticos, os processos de eutanásia, ortotanásia e distanásia. Também traz para a conversa os temas do Suicídio Assistido, dos Cuidados Paliativos e do Testamento Vital, utilizando como exemplo seu próprio testamento para nos ensinar como construí-lo.

Todos estes assuntos são atravessados pelo tema da autonomia, e em que medida esta pode ser exercida na hora da morte.
Como tomar decisões sobre a própria morte em um país onde as leis ainda são bastante restritas quanto ao morrer?
O que QUEREMOS e o que NÃO QUEREMOS que aconteça caso nos encontremos em um leito, ou com uma doença grave, limitados de expressar a nossa vontade?

Texto alternativo: Post em carrossel com cinco imagens contendo o texto da legenda em fundo bege e detalhes em verde e marrom de folhagens, círculos e linhas. Na primeira imagem há o título do posdcast e a imagem de Tom Almeida, um homem branco de cabelos e barba grisalhos, e Luciana Dadalto uma mulher branca de cabelos escuros e ondulados. A última imagem convida o leitor a compartilhar, salvar, acessar as referências e comentar, caso tenha gostado do conteúdo.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 11/11/2022

Eros Funéraire e o luto na Macedônia romana

Eros era considerado o deus do amor pelos gregos e conhecido como o cupido pelos romanos. A imagem de Eros foi, historicamente, associada à de um homem branco, belo, jovem e com cabelos claros e cacheados. Em algumas representações o deus aparece como uma criança, com asas brancas.

Um estudo de Georgia Aristodemou identificou monumentos e figuras de Eros em que ele aparece dormindo ou segurando uma tocha invertida, em sepulturas localizadas na região da Macedônia durante o período do domínio romano (145 a.c.- 395).

As esculturas e relevos representam os falecidos homenageados na forma divina de Eros, com elementos como tochas, flores, animais e objetos diversos, que remetiam aos rituais funerários, além da associação às simbologias de beleza e juventude eterna, a esperança de um vida após a morte feliz, despreocupada e protegida pelas divindades.

A autora descreve que as imagens de Eros eram utilizadas em sepulturas de crianças na região da Macedônia durante o período do domínio romano e que representavam o luto intenso sofrido pelos pais e pela comunidade. Segundo Aristodemou, a imagem de Eros possivelmente estaria associada ao "sono eterno", "morte", "tristeza eterna" e a pureza das crianças.

Ela acredita que indicariam também o sentimento de ansiedade e a impotência diante do destino, da morte e do rumo póstumo, além da crença na imortalidade, seja pela vida após a morte ou pela memória dos entes falecidos.

Referência: Aristodemou, G. (2021). Eros Figures in the Iconography of Death. Eikon / Imago, 10, 25–42. https://doi.org/10.5209/eiko.74134

*Todas as imagens foram retiradas do artigo, a não ser ilustração de Eros.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 09/11/2022

A indicação dessa semana é o episódio 8: “Como eu nasci” da série animada da Netflix The Midnight Gospel.

Criada pelo comediante Duncan Trussell e pelo animador Pendleton Ward, “The Midnight Gospel” utiliza o áudio de entrevistas dadas no podcast de Duncan, recontextualizando-as na narrativa do desenho como um podcast interdimensional gravado por Clancy Gilroy (dublado pelo próprio Duncan) que entrevista pessoas em mundos distantes.

Nas conversas, acompanhadas de visuais alucinantes e bem humorados, são discutidos temas como meditação, espiritualidade, a morte e outras questões existenciais tanto com irreverência como profundidade.

O último episódio da série adapta a conversa de Trussell com sua mãe Deneen Fendig (psicóloga), que foi gravada em seu podcast 3 semanas antes dela falecer de um câncer de mama. Duncan e Deneen inicialmente discutem a infância e maternidade, Deneen revela então a sua situação terminal e se inicia um profundo e íntimo diálogo entre mãe e filho sobre a aceitação da morte de si e a morte do outro.

Texto alternativo: Post em carrossel com cinco imagens contendo o texto da legenda em fundo bege e detalhes em verde e marrom de folhagens, círculos e linhas. Na primeira imagem há o título da série e uma imagem dos dois personagens principais sentados conversando diante de um fundo de universo, com nebulosas e galáxias. A última imagem convida o leitor a compartilhar, salvar, acessar as referências e comentar, caso tenha gostado do conteúdo.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 06/11/2022

Gostaríamos de agradecer aos palestrantes Luciana Tiemi Kurogi e Henrique Shody, organizadores e ao público por possibilitarem um espaço de discussão sobre os tabus e as possibilidades de vivência quando se fala do que abrange luto, envelhecimento e morte.

Kurogi:

“... na envelhecência não há um espaço para a crítica social destrutiva, pelo discurso juvenil dominante, podendo substituir esses discursos por novas interpretações que mostram a experiência, que mostram a habilidade de pensar em prol da vida.”

Shody:

“... o que a gente da psicologia defende, é que a gente saia da mentira piedosa, dessa ideia de que as pessoas não vão ter capacidade de lidar com essa informação, mas que a gente caminhe em direção à uma honestidade que é cuidadosa…”

Tem algo que o marcou nesse evento? Compartilhe com a gente como esses temas tocaram vocês!

Perdeu o evento e gostaria de assistir? Acesse ele por https://bit.ly/lutoenvelhecimentomorte ou pelo link na bio.

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 02/11/2022

A morte, certeza única que temos em vida, é também o acontecimento que mais nos traz a sensação do inesperado.
Não importa o quanto nos preparemos para ela ou o quanto vivamos cercados pela sua possibilidade, seja em uma doença terminal, seja em um contexto de violência, quando ela chega, vem como uma bomba inesperada em nossas estruturas, destruindo nossos castelos de sonhos e abrindo uma fenda em nós.
Diante da morte, se faz o silêncio.
Não existe palavra capaz de consolar o absurdo da morte. Assim como não há no dicionário palavra plausível para capturar os afetos que transbordam da fenda aberta por tal experiência. Chega a ser violenta a pretensão de estatizar a morte em palavras tão pequenas quanto as nossas.
Diante de tal situação, desde tempos remotos, a solução para lidar com esse absurdo foram os rituais de despedida. Em determinadas culturas, eles são mais reservados. Em outras, remontam um clima de celebração da vida daquele que se foi.

No Brasil, celebramos no dia 2 de novembro, o Dia de Finados. Mas você conhece a origem desta celebração?
Ela aconteceu pela primeira vez no ano de 998, de acordo com o site oficial da Igreja Católica. Entre os séculos 2 e 10, os rituais em lembrança dos mortos aconteciam em dias variados, e não havia uma data no calendário cristão reservada para isto.
Segundo o Vaticano, a realização das homenagens aos mortos em apenas uma data foi uma criação do abade francês Odilo de Cluny, que viveu entre os séculos 10 e 11. Inicialmente, a data era conhecida como “Dia de todas as almas”.
Ainda que Odilo de Cluny tenha estabelecido o dia 2 de novembro com este propósito, foi apenas em 1915 que o papa Bento XV permitiu que os sacerdotes celebrassem missas pelos mortos.
No Brasil, onde a data virou feriado estabelecido por lei em 2002, o Dia de Finados é caracterizado por missas solenes em igrejas católicas e muitas visitas ao cemitério.

No dia de hoje, nós deixamos nossos sentimentos para todos que perderam pessoas queridas, sobretudo aos que vivenciaram o absurdo da morte durante a pandemia.

Referências:
CNN. (2021). Dia de Finados: entenda a origem da data que celebra os que se foram. Recuperado de https://bit.ly/3UfedIY

Photos from Luto: Vivências e Possibilidades's post 21/10/2022

A indicação de hoje é a entrevista realizada pelo Podcast Aptare, com o médico gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil. Nesta, ele parte da polêmica sobre a inclusão da velhice na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) para trazer a reflexão “velhice é doença?” e seus desdobramentos.
Kalache pontua o papel da CID na prática de profissionais de saúde e diante disso o perigo de se declarar que uma pessoa morreu de velhice. Ele diz ser importante classificar a morte de uma pessoa idosa não por velhice mas pelos processos da senescência, trazendo por meio dessa mudança a noção de que velhice não é doença.
O especialista nos convida a refletir sobre as hegemonias e hierarquizações que geramos entre grupos, passando para alguns a mensagem de que valem mais e a outros de que valem menos. Assim é com a velhice, os idosos são estigmatizados e punidos por “ousarem envelhecer”, e levados a carregar o fardo de tal imposição.
Aquele que envelhece é excluído de diversas formas do convívio social que não é desenvolvido para comportar a velhice e tratado com tons de invalidez e descarte, tanto no que diz respeito à maior limitação que encontram pra acessar os serviços de saúde, quanto às diversas outras limitações que são colocadas sobre eles pelo olhar de quem os julga com base em sua idade e não necessariamente que estão sendo expressas no viver de cada um.
Por fim, o gerontólogo nos traz informações e dicas para auxiliar a virar essa chave e deixar de tratar o envelhecer como um adoecer. O ponto de partida está em aprender sobre o envelhecimento, pois pra valorizar ou ao menos respeitar, é preciso conhecer.

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