21/08/2026
Durante muito tempo, eu achei que coragem fosse chegar até aqui sem medo. Hoje eu sei que coragem foi sentir medo de tudo e, ainda assim, atravessar aquela porta.
Quando o centro cirúrgico se fechou atrás de mim, eu carreguei comigo uma vida inteira. Minha família, minha casa, meus pacientes, cada pessoa que esteve ao meu lado, cada dia difícil desses últimos meses. E, principalmente, a Catarina. Lembro de começar a contar de 10 até 1. Lembro do 10, do 9, do 8. Do 7, eu já não lembro mais.
Mas eu lembro de abrir os olhos.
E talvez nenhuma imagem consiga traduzir o que aquele momento significou para mim. Eu estava do outro lado. Depois de tudo o que meu corpo enfrentou, de cada sessão, de cada desafio e de todas as vezes em que precisei escolher continuar, eu tinha atravessado.
Eu achei que sairia daquela sala diferente. E saí.
Mas não menos eu.
Saí mais inteira. Mais consciente da vida. Mais grata por ainda poder vivê-la.
O centro cirúrgico não foi apenas o fim de uma etapa. Não foi medo. Para mim, foi um renascimento.
Eu atravessei.
Eu ainda estou aqui.
E, depois de tudo, eu ainda sou Paola.