22/03/2021
A maior edição de todos os tempos da Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste está no ar com o maior número de artigos e páginas já publicados em suas edições: 27 trabalhos em 404 páginas compõem esta décima quinta edição, entre artigos, ensaios, resenhas e ensaios fotográficos. O periódico científico on-line do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), da Universidade Federal de Mato Grosso, dá continuidade a seu projeto de se tornar um espaço de difusão científica da Antropologia e das Ciências Humanas, apresentando pela primeira vez seu terceiro número em um mesmo ano – consolidando seu projeto de tornar-se quadrimestral.
O dossiê temático desta edição tem como título Formas de habitar, vizinhança e ação política e conta com 16 artigos que trazem ótimas etnografias sobre coletividades das mais diferentes regiões brasileiras. O dossiê coordenado por Flávia Carolina da Costa (UFMT) e João Vicente Marques Lagüéns (UFRJ) mostra a vitalidade do tema da vizinhança e como ele permeia tanto as antropologias urbana e rural quanto as etnologias indígenas e quilombolas, tornando-se uma arena para se pensar nas políticas do habitar no mundo contemporâneo.
Na sessão de Artigos Livres, três trabalhos de áreas distintas trazem tanto uma reflexão de cunho bibliográfico, como em “Subalternidade nas sociologias brasileira e indiana: um estudo comparativo da obra de Jessé Souza e Gayatri Spivak”, de Fabio Alves Ferreira, quanto dois trabalhos etnográficos: um sobre uma forma de violência de gênero – “Visibilidade compulsória e moralidade feminina: reflexões sobre gênero a partir das práticas de pornografia de vingança”, de Roberta de Sousa Mélo et al.; e outro um trabalho de antropologia visual que analisa uma produção do projeto Vídeo nas Aldeias – “Caminhos, abelhas e passarinhos: um estudo da mise en scène no documentário Duas aldeias, uma caminhada”, de José Francisco Serafim e Francisco Gabriel Rêgo.
Na sessão Ensaios, onde passamos a publicar trabalhos dos integrantes do PPGAS/UFMT, Marcos Aurélio da Silva e Susana Sandim Borges apresentam o trabalho “Corporalidades, bem viver e saberes urbanos: entre paradas LGBTs e ‘cracolândias’, a quem pertence a cidade?”, em que elaboram uma inusitada comparação entre coletividades urbanas e seu direito à cidade. Já o ensaio “Jogos eróticos de sedução? Simmel, Freud e um ensaio sobre coquetismo e histeria”, de Clark Mangabeira, elabora uma interessante reflexão crítica sobre temas bastante caros à sociologia e à psicanálise.
Continuamos com a sessão Memória: Série Antropologia, com a reedição de mais um artigo publicado, no ano de 2002, pelo Departamento de Antropologia da UFMT. Dessa vez, “O imaginário da fronteira no Guaporé lusitano no século XVIII”, de Suelme Evangelista Fernandes, mostra-se atemporal ao trazer interessantes reflexões sobre a colonização de Mato Grosso que servem para pensarmos no contexto atual.
A sessão de Ensaios Fotográficos conta, pela primeira vez com dois trabalhos de belíssimas imagens: “Os Avá Guarani/Ñandeva de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu: terra, território e palavras guardadas”, de Yan Leite Chaparro, traz a poesia da relação com a terra de grupos indígenas que lutam pelo direito à existência; já “Tornando visíveis os atores sociais que lutam contra o invisível”, de Marina Garcia Lara, busca dar visibilidade ao cotidiano da pandemia de 2020 e suas “novas normalidades”.
A sessão Resenhas nunca contou com tantos trabalhos e traz quatro obras de peso nas produções recentes do campo das humanidades. Before Brasília: frontier in Central Brazil, de Mary Karasch; O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos, de Alberto Acosta; Feminismo para os 99%: um manifesto, de Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser; Política Nacional de Atenção à Saúde Indígena no Brasil: dilemas, conflitos e alianças a partir da experiência do Distrito Sanitário especial indígena do Xingu, de Reginaldo Araújo, foram resenhados por Felipe Vander Velden, Kesley Gabriel Bezerra Coutinho, Isabela Alves Mercuri e Ana Carolina Magalhães Rocha, respectivamente.
A Aceno se sente honrada por contribuir no fortalecimento da Antropologia brasileira e agradece a todos os colaboradores que fazem parte deste número.
Boa leitura!
Os editores
https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/aceno/issue/view/583