25/07/2023
Colóquio de Antropologia da UFMT
Evento realizado desde 2014 pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Fed
O II Colóquio de Antropologia da UFMT pretende reunir pesquisadores da área de Antropologia Social e áreas afins (Sociologia, Filosofia, Serviço Social, História, Geografia, Museologia, Direito e Ciências Sociais da Saúde) interessados em discutir as temáticas de gênero, sexualidade, subjetividades, sociabilidades, e identidades e diferenças, relações interétnicas, patrimônio cultural e teoria etn
25/07/2023
13/06/2023
Submissões de Comunicações Orais até 15 de julho
17/03/2023
V Reunião de Antropologia da Saúde Reunião de pesquisadores da Antropologia e das Ciências Humana que se dedicam aos estudos de saúde e de políticas públicas.
A primeira edição da Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste do ano de 2022 está no ar. Nosso carro-chefe desta edição é o dossiê Patrimônio, diversidade sexual e de gênero e poder, organizado pelos professores Fabiano Gontijo (UFPA) e Daniel Reis (IPHAN), com a participação de oito artigos que exploram a riqueza e as tensões que se dão na confluência entre os campos que dão nome ao dossiê. Muito provavelmente esta é uma das primeiras obras coletivas no Brasil a explorar as relações entre patrimônio, sexualidade e gênero. Com pesquisas que vêm de diferentes estados de quatro regiões brasileiras, os artigos enfocam as dinâmicas e as tensões em processos de patrimonialização que cruzam teatros, juventudes, concursos de beleza, direitos humanos, nacionalismos e até o Pão de Açúcar, na chave do gênero e da sexualidade.
De acordo com os coordenadores: "Tem-se observado uma crescente produção acadêmica que se debruça sobre as conexões entre os discursos do patrimônio cultural, gênero, diversidade sexual e poder a partir, sobretudo, dos anos 1990. Apesar disso, nota-se um território ainda pouco mapeado por estas áreas de pesquisas – patrimônios, gênero e sexualidade. Percebe-se, no entanto, que as interfaces entre os patrimônios culturais e as questões relativas às expressões de gênero, às experiências da diversidade sexual e às relações de poder apresentam: por um lado, múltiplos mecanismos, dispositivos, tecnologias, instrumentos, estratégias e símbolos das práticas de poder da governamentalidade estatal que agem para manter as coesões morais nas bases das ordens sociais vigentes; e por outro, múltiplos saberes, discursos e práticas de resistência aos efeitos daquelas práticas de poder."
A seção de Artigos Livres conta com três trabalhos com instigantes reflexões nos campos da história, mídia e saúde. O primeiro se debruça sobre uma etnia indígena do pantanal mato-grossense e as representações construídas em uma expedição científica do século XIX. Os Guató pelo olhar de Hercule Florence: historiografia e ensino de história indígena, de Marco Matos, discute o olhar eurocentrado dessas representações coloniais, ao mesmo tempo em que elas se constituem em importantes documentos históricos que podem renovar o ensino de história indígena, que vem sendo implantado nas escolas públicas nas últimas décadas.
Já o artigo Do “segredo” ao “nós existimos!”: alguns apontamentos sobre expectativas de gênero em torno das transmasculinidades na mídia brasileira, de Camilo Braz, traz uma interessante análise etnográfica dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo em que há a celebração de personagens trans, contando até com certa delicadeza na construção de suas histórias de vida em telenovelas, parece-se andar mil passos atrás quando se explora com sensacionalismo, em reportagens, a morte de pessoas como Lourival, um homem trans que teve seu “segredo” revelado no fim da vida e corria o risco de ser enterrado como mulher. Uma sucessão de transfobias que iam de instituições à própria mídia que não teve a mesma delicadeza da ficção.
Por fim, Mario Ribeiro, no artigo Geonosografia: a contribuição da ciência geográfica na área da saúde, realiza uma importante contribuição aos campos da saúde coletiva e da geografia. O autor defende que “conceitos das áreas ambiental e social podem contribuir para a compreensão de doenças” e propõe-se o conceito de Geonosografia como o estudo geográfico de doenças.
Na seção de Ensaios, temos o trabalho de docentes e discentes do PPGAS/UFMT, que aproveitam esse espaço para suas experimentações acadêmicas. O trabalho de Letícia Corrêa Gonçalves e Marcos Aurélio da Silva, com o título A pluralidade feminina no campo da saúde reprodutiva: uma reflexão etnográfica sobre o conflito de saberes na Rede Cegonha, centra-se num evento paradigmático, acontecido em campo, que ilumina o conflito de conhecimentos implicados no campo da saúde reprodutiva, nas relações entre usuárias e profissionais de saúde.
Finalizando, temos a seção Resenhas que conta com um livro que já se tornou um clássico da antropologia contemporânea: Antropologia, para que serve?, de Tim Ingold, resenhado por Arantxa Santos.
A Aceno se sente honrada por contribuir no fortalecimento da Antropologia brasileira e agradece a todos os colaboradores que fazem parte deste número.
Boa leitura!
v. 9 n. 19 (2022): janeiro a abril de 2022 | ACENO - Revista de Antropologia do Centro-Oeste ACENO - Revista de Antropologia do Centro-Oeste, ISSN: 2358-5587Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Cidade Universitária do Coxipó, Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)Av. Fernando Correa da Costa, 2367, Bairro Boa Esperança, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, CEP: 78060-900Secreta...
02/03/2022
CHAMADA DE ARTIGOS PARA DOSSIÊS TEMÁTICOS
A Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste (ISSN: 2358-5587– Qualis A3), publicação eletrônica semestral de caráter público, ligada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Mato Grosso, convida membros da comunidade acadêmica e pesquisadores a apresentarem artigos aos dossiês temáticos Patrimônio, Diversidade Sexual e de Gênero e Poder: interfaces, práticas e tensões contemporâneas, a ser publicado em sua edição de número 19 (v. 9, 2022) e Educação, Políticas Públicas, Processos Formativos e Direito à Diferença, a ser publicado em sua edição de número 21 (v. 9, set./dez., 2022), conforme propostas abaixo.
DOSSIÊ TEMÁTICO: Patrimônio, Diversidade Sexual e de Gênero e Poder: interfaces, práticas e tensões contemporâneas (v. 9, n. 19, 2022)
COORDENADORES:
Prof. Dr. Fabiano Gontijo (UFPA)
Prof. Dr. Daniel Reis (IPHAN)
PRAZO FINAL DE SUBMISSÃO: 31 DE MARÇO DE 2022
É notório o renovado interesse pelos estudos sobre os patrimônios culturais nos últimos anos. A emergência do chamado Patrimônio imaterial somada a novos olhares sobre monumentos, objetos, museus, o espaço urbano, assim como as reconfigurações de disputas por memórias, passados e culturas impulsionaram toda uma gama de pesquisas e políticas públicas de cultura que vem impactando de modo decisivo as formas de olhar e agir sobre este campo. Também é notória a consolidação, no Brasil, do campo dos estudos de gênero, assim como daquele sobre a diversidade sexual, ao longo das últimas quatro décadas com temas diversos e abordagens múltiplas. Mas, o que dizer sobre a relação entre os patrimônios culturais, as perspectivas de gênero, as experiências da diversidade sexual e as relações de poder? Falamos de um território ainda pouco mapeado por ambas as áreas de pesquisas, noutros termos, as interfaces entre os patrimônios culturais e as questões relativas às expressões de gênero, experiências da diversidade sexual e relações de poder. Essas interfaces apresentam, por um lado, os múltiplos mecanismos, dispositivos, tecnologias, instrumentos, estratégias e símbolos das práticas de poder da governamentalidade estatal que agem para manter as coesões morais nas bases das ordens sociais vigentes. Por outro lado, essas interfaces apresentam também os múltiplos saberes, discursos e práticas de resistência aos efeitos daquelas práticas de poder.
Nossas indagações surgiram a partir de trabalhos anteriores em que buscamos refletir sobre as relações entre arte e culturas populares, gênero e diversidade sexual e por meio dos quais percebemos uma série de questões que cruzavam também o campo dos patrimônios culturais. A partir daí, identificamos alguns estudos recentes para além de ações como o “Seminário Patrimônio e Gênero”, realizado em Pernambuco por um conjunto de instituições como SecMulher-PE, Secult-PE, Fundarpe, Iphan-PE e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA/UFPE), e que chega a sua sexta edição em 2021. Mencione-se também a Rede de Arquivos de Mulheres (RAM), coletivo de pesquisadores/as e instituições formado recentemente com objetivo de pesquisar e difundir os acervos de mulheres presentes e, não raramente invisibilizadas, nas instituições. Estas experiências nos confirmam a importância sobre o debate acerca das interfaces dos patrimônios culturais e das questões de gênero, diversidade sexual e poder.
Os discursos sobre patrimônios culturais podem ser pensados enquanto formas de ação no mundo. Entre a perspectiva mais formal e regulada por agências dedicas ao assunto, até a dimensão mais íntima do sujeito que percebe e o aciona para reivindicar passados, memórias e culturas existe um emaranhado de significados, tensões e formas de se pensar, definir e identificar patrimônios. A sua forma frequente de se materializar na vida social é por meio de situações ritualizadas. Os rituais são aqueles espaços-tempo em que são formuladas e reformuladas culturalmente, negociadas e renegociadas socialmente, editadas e reeditadas simbolicamente e tensionadas politicamente as múltiplas formas de pertencimento e as mais variadas demonstrações identitárias, entrecruzando os eixos da identidade (indivíduo versus coletividade) e da alteridade (mesmo versus outros). A maneira como determinados saberes, celebrações, monumentos, objetos, ritos cívicos, entre outros são performados, acionando a categoria patrimônio cultural, portanto, não são apenas um mecanismo de reprodução da vida social por meio da repetição, mas sobretudo um conjunto de dispositivos acionados para produzir reflexões críticas acerca dos arbitrários culturais sobre os quais se assenta a ordem social e as coesões morais que a sustentam e, assim, silenciar e/ou denunciar, os efeitos de poder instituídos nos discursos e práticas sociais.
Num aparente paradoxo, se pensamos no âmbito do patrimônio imaterial, em suas íntimas relações com as culturas populares por exemplo, a liminaridade dos rituais parece contribuir para a naturalização do status quo hegemônico, no que diz respeito às expressões de gênero e às experiências da diversidade sexual, representado por um regime de verdade médico-científico e jurídico-moral (e religioso) instaurador do binarismo de gênero, do dimorfismo sexual e da heterossexualidade compulsória, ao mesmo tempo em que subvenciona potentes críticas a essa naturalização, ao promover, ainda que momentaneamente, a subversão, a transversão, a reversão ou a inversão da ordem ou, pelo menos, a ponderação sobre a sua versão oficial e a possibilidade de sua desestabilização. Além disso, podemos notar também que o impacto das discussões sobre identidade, gênero e sexualidade resultaram na pressão crescente para o reconhecimento e a abertura de novos espaços, dentro de tais manifestações antes ocupadas majoritariamente a partir de uma lógica predominantemente heteronormativa. Tais reivindicações possibilitaram a emergência de novos agentes e narrativas, bem como tornando visíveis aquelas até então silenciadas. Assim, à potência das ambiguidades do espaço da liminaridade ritual, somou-se também o da reivindicação e luta política.
No campo dos patrimônios culturais tais questões reverberam em diversos âmbitos. Entre mestres/as, brincantes e detentores/as de um determinado bem cultural; o corpo técnico das instituições; as formas de uso e ocupação de monumentos e espaços patrimonializados; as presenças e ausências em coleções de objetos e conjuntos documentais; etc. Deste modo, este dossiê pretende reunir estudos que se investiguem esse tema num sentido amplo e com objetivo de fomentar e potencializar a gama de estudos em que ainda há muito a se explorar, sobretudo no contexto brasileiro.
Mobilizam o dossiê as questões a seguir: Qual é o panorama atual dos estudos sobre gênero e/ou experiências da diversidade sexual nos contextos de produção cultural, situações ritualizadas, festividades ou processos de patrimonialização? Que expressões, conflitos, tensões, silenciamentos e resistências perpassam esses campos em suas interações? Como estas questões impactam a reflexão sobre coleções, museus, fundos arquivísticos no mundo atual? O que este olhar pode nos oferecer como possibilidades de visualizar a produção de sujeitos e instituições no mundo contemporâneo?
DOSSIÊ TEMÁTICO: Educação, Políticas Públicas, Processos Formativos e Direito à Diferença (v. 9, n. 21, set./dez., 2022)
COORDENADORES:
Prof. Dr. Alexsandro Rodrigues (UFES)
Prof. Dr. Marcio Caetano (UFPEL)
Prof. Dr. Pablo Cardozo Rocon (UFMT)
PRAZO FINAL DE SUBMISSÃO: 30 DE ABRIL DE 2022
Buscamos com este Dossiê congregar pesquisas e problematizações que envolvam os processos formativos, o direito à diferença e os efeitos das políticas públicas na saúde e na educação. Com isso objetivamos diálogos com os/as praticantes no cotidiano das instituições em sua relação com as artes do fazer com o/a outro/a. Neste Dossiê tomamos os campos da Saúde e Educação numa perspectiva ampliada e implicada com os processos formativos tramados pelas invenções, criações, resistências e negociações daqueles/as praticantes que não desistem da vida diante das forças que buscam silenciá-lo/a, enfraquecê-lo/a e/ou exterminá-lo/a. Compreendemos que os processos formativos, como suas tecnologias políticas, afirmam modos de existir e intencionam definir/fabricar corpos e vidas que importam. Convidamos, com este Dossiê, pesquisadores/as a problematizações que nos ajudem a melhor compreender o que temos feito com os processos formativos em meio aos espaços-tempos que buscam nos (con)formar no interior das normas hegemônicas de sexualidades, de gênero e de raça. Se por um lado, as instituições educativas, com suas narrativas e projetos políticos de curta e longa duração, disputam as vidas que por ali interagem experiências e aprendizagens; por outro, suas práticas, que afinam e desafinam políticas, não renunciam as estratégias de fabricação de corpos racializados, sexualizados, generificados e marcados pela conformada mesmidade. Por dentro das muitas instituições da saúde, educativas e práticas pedagógicas bonitas, são tecidas as políticas de alianças interseccionadas de amizades que permitem atos resistentes e a coprodução de saberes que fazem ruir projetos normativos. As reivindicações mobilizadas pelas pautas etnicorraciais, de gênero e sexualidades têm, insistentemente, por dentro das instituições, inventado práticas de resistências e firmando alianças, porque delas não podem abrir mão, fomentado a produção de saberes e políticas que nos permitem acolher a novidade da existência com a educação e a saúde. E por essa via, da denúncia e dos anúncios, que a educação que luta pelo acesso e permanência da vida no sistema único de saúde e nas escolas brasileiras que nos propomos a debater com as políticas de alianças cotidianas dos/as praticantes.
07/02/2022
REVISTA ACENO - CHAMADA DE ARTIGOS
DOSSIÊ TEMÁTICO
Educação, Políticas Públicas, Processos Formativos e Direito à Diferença
(v. 9, n. 21, set./dez., 2022)
COORDENADORES:
Prof. Dr. Alexsandro Rodrigues (UFES)
Prof. Dr. Marcio Caetano (UFPEL)
Prof. Dr. Pablo Cardozo Rocon (UFMT)
A Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste (ISSN: 2358-5587– Qualis A3), publicação eletrônica semestral de caráter público, ligada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Mato Grosso, convida membros da comunidade acadêmica e pesquisadores a apresentarem artigos ao dossiê temático Educação, Políticas Públicas, Processos Formativos e Direito à Diferença, a ser publicado em sua edição de número 21 (v. 9, set./dez., 2022), conforme proposta abaixo.
PRAZO FINAL DE SUBMISSÃO: 30 DE ABRIL DE 2022
EMENTA: Buscamos com este Dossiê congregar pesquisas e problematizações que envolvam os processos formativos, o direito à diferença e os efeitos das políticas públicas na saúde e na educação. Com isso objetivamos diálogos com os/as praticantes no cotidiano das instituições em sua relação com as artes do fazer com o/a outro/a. Neste Dossiê tomamos os campos da Saúde e Educação numa perspectiva ampliada e implicada com os processos formativos tramados pelas invenções, criações, resistências e negociações daqueles/as praticantes que não desistem da vida diante das forças que buscam silenciá-lo/a, enfraquecê-lo/a e/ou exterminá-lo/a. Compreendemos que os processos formativos, como suas tecnologias políticas, afirmam modos de existir e intencionam definir/fabricar corpos e vidas que importam. Convidamos, com este Dossiê, pesquisadores/as a problematizações que nos ajudem a melhor compreender o que temos feito com os processos formativos em meio aos espaços-tempos que buscam nos (con)formar no interior das normas hegemônicas de sexualidades, de gênero e de raça. Se por um lado, as instituições educativas, com suas narrativas e projetos políticos de curta e longa duração, disputam as vidas que por ali interagem experiências e aprendizagens; por outro, suas práticas, que afinam e desafinam políticas, não renunciam as estratégias de fabricação de corpos racializados, sexualizados, generificados e marcados pela conformada mesmidade. Por dentro das muitas instituições da saúde, educativas e práticas pedagógicas bonitas, são tecidas as políticas de alianças interseccionadas de amizades que permitem atos resistentes e a coprodução de saberes que fazem ruir projetos normativos. As reivindicações mobilizadas pelas pautas etnicorraciais, de gênero e sexualidades têm, insistentemente, por dentro das instituições, inventado práticas de resistências e firmando alianças, porque delas não podem abrir mão, fomentado a produção de saberes e políticas que nos permitem acolher a novidade da existência com a educação e a saúde. E por essa via, da denúncia e dos anúncios, que a educação que luta pelo acesso e permanência da vida no sistema único de saúde e nas escolas brasileiras que nos propomos a debater com as políticas de alianças cotidianas dos/as praticantes.
https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/aceno/index
14/09/2021
Dossiê Masculinidades contemporâneas: cruzando temas e perspectivas Revista de Antropologia
22/03/2021
A maior edição de todos os tempos da Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste está no ar com o maior número de artigos e páginas já publicados em suas edições: 27 trabalhos em 404 páginas compõem esta décima quinta edição, entre artigos, ensaios, resenhas e ensaios fotográficos. O periódico científico on-line do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), da Universidade Federal de Mato Grosso, dá continuidade a seu projeto de se tornar um espaço de difusão científica da Antropologia e das Ciências Humanas, apresentando pela primeira vez seu terceiro número em um mesmo ano – consolidando seu projeto de tornar-se quadrimestral.
O dossiê temático desta edição tem como título Formas de habitar, vizinhança e ação política e conta com 16 artigos que trazem ótimas etnografias sobre coletividades das mais diferentes regiões brasileiras. O dossiê coordenado por Flávia Carolina da Costa (UFMT) e João Vicente Marques Lagüéns (UFRJ) mostra a vitalidade do tema da vizinhança e como ele permeia tanto as antropologias urbana e rural quanto as etnologias indígenas e quilombolas, tornando-se uma arena para se pensar nas políticas do habitar no mundo contemporâneo.
Na sessão de Artigos Livres, três trabalhos de áreas distintas trazem tanto uma reflexão de cunho bibliográfico, como em “Subalternidade nas sociologias brasileira e indiana: um estudo comparativo da obra de Jessé Souza e Gayatri Spivak”, de Fabio Alves Ferreira, quanto dois trabalhos etnográficos: um sobre uma forma de violência de gênero – “Visibilidade compulsória e moralidade feminina: reflexões sobre gênero a partir das práticas de pornografia de vingança”, de Roberta de Sousa Mélo et al.; e outro um trabalho de antropologia visual que analisa uma produção do projeto Vídeo nas Aldeias – “Caminhos, abelhas e passarinhos: um estudo da mise en scène no documentário Duas aldeias, uma caminhada”, de José Francisco Serafim e Francisco Gabriel Rêgo.
Na sessão Ensaios, onde passamos a publicar trabalhos dos integrantes do PPGAS/UFMT, Marcos Aurélio da Silva e Susana Sandim Borges apresentam o trabalho “Corporalidades, bem viver e saberes urbanos: entre paradas LGBTs e ‘cracolândias’, a quem pertence a cidade?”, em que elaboram uma inusitada comparação entre coletividades urbanas e seu direito à cidade. Já o ensaio “Jogos eróticos de sedução? Simmel, Freud e um ensaio sobre coquetismo e histeria”, de Clark Mangabeira, elabora uma interessante reflexão crítica sobre temas bastante caros à sociologia e à psicanálise.
Continuamos com a sessão Memória: Série Antropologia, com a reedição de mais um artigo publicado, no ano de 2002, pelo Departamento de Antropologia da UFMT. Dessa vez, “O imaginário da fronteira no Guaporé lusitano no século XVIII”, de Suelme Evangelista Fernandes, mostra-se atemporal ao trazer interessantes reflexões sobre a colonização de Mato Grosso que servem para pensarmos no contexto atual.
A sessão de Ensaios Fotográficos conta, pela primeira vez com dois trabalhos de belíssimas imagens: “Os Avá Guarani/Ñandeva de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu: terra, território e palavras guardadas”, de Yan Leite Chaparro, traz a poesia da relação com a terra de grupos indígenas que lutam pelo direito à existência; já “Tornando visíveis os atores sociais que lutam contra o invisível”, de Marina Garcia Lara, busca dar visibilidade ao cotidiano da pandemia de 2020 e suas “novas normalidades”.
A sessão Resenhas nunca contou com tantos trabalhos e traz quatro obras de peso nas produções recentes do campo das humanidades. Before Brasília: frontier in Central Brazil, de Mary Karasch; O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos, de Alberto Acosta; Feminismo para os 99%: um manifesto, de Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser; Política Nacional de Atenção à Saúde Indígena no Brasil: dilemas, conflitos e alianças a partir da experiência do Distrito Sanitário especial indígena do Xingu, de Reginaldo Araújo, foram resenhados por Felipe Vander Velden, Kesley Gabriel Bezerra Coutinho, Isabela Alves Mercuri e Ana Carolina Magalhães Rocha, respectivamente.
A Aceno se sente honrada por contribuir no fortalecimento da Antropologia brasileira e agradece a todos os colaboradores que fazem parte deste número.
Boa leitura!
Os editores
https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/aceno/issue/view/583
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