19/08/2026
Aos 44 anos, eu fiz meus 15.
Era fevereiro de 2003. Eu completava 44 anos.
Pouco antes, minha filha, então com 14 anos, me pediu pra pensarmos em sua festa de 15 anos.
Enquanto ela falava, uma lembrança me atravessou:
eu não tinha tido festa de debutante. Nem eu, nem minhas duas irmãs.
E foi aí que uma ideia começou a nascer: por que não fazer uma festa de 15 anos para mim, para nós?
Aquela ideia me encantava e ganhava cada vez mais força dentro de mim.
Ela me dava a permissão para ser a menina que ainda existia dentro de mim.
Meu marido embarcou na ideia. E eu comecei a planejar.
Convidei pessoas importantes de diferentes fases da minha vida. Amigas do ensino médio, primas, amigas do trabalho, do prédio…mas mantinha em segredo o tema da festa.
No dia marcado, a celebração seguia normal: música, conversa, comida, alegria.
Até que, perto das 10 da noite, uma das minhas irmãs perguntou:
- E aí, vamos servir o jantar?
E eu respondi:
- Não. Agora é que a festa vai começar.
Levei meus pais, irmãs, cunhados, irmão para um quarto da chácara. Lá estavam as roupas e os acessórios que eu havia preparado em segredo.
A surpresa foi revelada: nós iríamos viver nossa festa de debutantes.
Minha filha foi a mestre de cerimônias. Meu pai participou das entradas. E uma a uma fomos entrando no salão, recebidas por aplausos e emoção.
Quando chegou a minha vez… ah, houve uma explosão de emoções, vibração total.
Eu não estava apenas comemorando 44 anos.
Estava celebrando um sonho que tinha ficado guardado.
Essa festa traz muitas boas lembranças até hoje.
“Neide, nunca fui a uma festa tão especial como aquela”, as pessoas dizem.
E talvez tenha sido tão especial justamente porque não era uma festa sobre idade.
Era sobre vida. Sobre permitir-se sonhar, celebrar histórias. E a mulher de 44 deu lugar à menina de 15, que viveu com intensidade aquele momento.