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31/08/2026

Ficou de fora uma palavra que o brasileiro evita em inglês: lobby.

Em português, lobby lembra escândalo. Na matriz, “I’ve been lobbying Finance for weeks” é relatório de trabalho.

Quem não diz a palavra, não faz o trabalho. E a decisão passa por quem fez.

Outra que vale guardar: kick the can down the road, chutar a lata pela rua. É o nome do adiamento que todo mundo vê e ninguém nomeia.

Vinte anos ouvindo executivos me ensinaram isto: o competente que trava em inglês quase sempre trava antes, ao traduzir o jogo como sujeira.

Ler o vocabulário do poder não é virar político. É parar de entrar na sala sem saber em que idioma a decisão foi tomada.

Tem uma quinta frase que não coube nos slides: I hear you.Traduzida, é “te ouvi”. Na sala, quase sempre signif**a: enten...
31/08/2026

Tem uma quinta frase que não coube nos slides: I hear you.

Traduzida, é “te ouvi”. Na sala, quase sempre signif**a: entendi, e vou seguir do meu jeito.

É a forma mais educada de encerrar uma discussão em inglês. Quem traduz sai da call achando que convenceu.

O bloqueio raramente é de vocabulário. Diante de quem tem poder de avaliar, o cérebro adulto recua e a fala vira tradução.

Em 20 anos ouvindo executivos, é o padrão que mais se repete.

Decorar as quatro frases não resolve: sob pressão, o decorado some.

O que resolve é treinar cada momento da reunião até a intenção sair antes da tradução.

É isso que separa quem fala inglês de quem comanda a sala em inglês.

Domingo à noite tem uma trilha própria: a agenda de amanhã abrindo sozinha na cabeça.Se existe inglês nessa agenda, o en...
30/08/2026

Domingo à noite tem uma trilha própria: a agenda de amanhã abrindo sozinha na cabeça.
Se existe inglês nessa agenda, o ensaio já começou. Você revisa a frase, prevê a pergunta, escolhe a palavra mais segura.
Faz sentido: esse juiz só abre expediente quando alguém tem poder de te avaliar. Diante dele, seu cérebro prefere proteger a arriscar.
Por isso mais curso não resolve. Curso entrega mais matéria pro mesmo juiz cobrar.
O caminho é outro: treinar a fala exatamente sob o olhar que trava, até o meio segundo do medo devolver a vez pra você.
É o que eu conduzo com executivos há mais de 20 anos, unindo psicanálise e neurociência. Tribunal nenhum fecha sozinho. Mas fecha.

29/08/2026
Existe um princípio nas empresas globais que quase nenhum executivo brasileiro conhece: disagree and commit. Discorde e ...
27/08/2026

Existe um princípio nas empresas globais que quase nenhum executivo brasileiro conhece: disagree and commit. Discorde e se comprometa.
A cultura espera a sua divergência antes da decisão. Depois dela, espera alinhamento total.
Traduzindo: o chefe global não lê o seu silêncio como respeito. Lê como ausência. Quem nunca diverge não parece leal, parece dispensável.
O inglês corporativo já nasceu desenhado pra isso: fair point, I see it differently, let me push back. Os amortecedores existem porque divergir faz parte do jogo.
Em português, você sempre soube discordar com elegância. O que faltava não era caráter, nem vocabulário: era o mapa de como essa cultura diverge.
Agora ele f**a guardado com você

27/08/2026

Existe um roteiro invisível que muito executivo carrega pra reunião em inglês: a frase de abertura ensaiada, a resposta pronta, a saída de emergência.

Funciona até funcionar. Porque reunião de verdade não segue roteiro. Basta uma pergunta fora do previsto e o texto decorado vira silêncio.

Na psicanálise, isso tem nome: defesa. A mente cria uma proteção pra você não encostar no que dói. E o que dói não é o inglês. É não saber, na frente de quem tem poder de avaliar.

O detalhe é que essa proteção cobra caro: enquanto você recita, a conversa acontece sem você. Sua competência f**a presa no papel.

Fluência sob pressão não nasce de mais frases decoradas. Nasce de uma mente treinada pra sustentar o imprevisto sem perder a autoridade que você já tem em português.

Na sua opinião: decorar frases ajuda ou atrapalha na hora da pressão? Me responde nos comentários.

26/08/2026

Stanford, 2005. O discurso já foi visto por milhões de pessoas. O silêncio entre as frases, quase ninguém estudou.

Prosódia é isso: ritmo, ênfase, pausa. O cérebro de quem escuta lê o tempo da fala antes de processar o vocabulário. Por isso a pausa sustentada soa como poder, e a fala acelerada soa como pedido de aprovação.

Em português, você pausa sem pensar. Em inglês, sob avaliação, o silêncio parece te expor: então você corre, emenda, preenche. E a pressa entrega exatamente a insegurança que você tentava esconder.

O ponto nunca foi aprender palavras novas. É devolver ao seu inglês o tempo que a sua autoridade já tem em português.

25/08/2026

Marlon Brando decidiu que Don Corleone falaria baixo. No teste, pôs algodão nas bochechas e sussurrou: queria um homem que não precisasse convencer ninguém.

O raciocínio é uma aula de poder: quem manda não disputa o volume da sala. A sala é que se ajusta pra ouvir.

No inglês, o executivo brasileiro faz o contrário. Acelera, sobe o tom, preenche toda pausa, como quem pede licença pra ocupar o próprio cargo.

Autoridade não mora no sotaque nem na velocidade. Mora na prosódia: ritmo, pausa, ênfase. O como carrega mais status que o quê.

Corleone não pede, oferece. E numa reunião em inglês, a diferença entre pedir e oferecer é a que o cargo sente.

Fluência de comando é isso: falar devagar o suficiente pra sala entender quem decide.

23/08/2026

A voz é o primeiro lugar onde o medo aparece. Antes do vocabulário, antes da gramática.

Repara nos sinais: o volume cai, as frases encurtam, você termina falando rápido pra devolver a palavra logo. Em português, isso nunca acontece com você.

O detalhe é que a sala não ouve insegurança no idioma. Ouve insegurança na ideia. E aí o seu projeto vale menos do que vale.

A boa notícia vem da prosódia: voz é comportamento, não talento. Volta inteira quando o julgamento sai de cena. Eu vejo isso acontecer toda semana.

Me responde uma coisa: quem é você quando fala inglês?

22/08/2026

Conselho ruim desmontado: pense em inglês
Esse conselho costuma vir de quem já fala. E quem já fala descreve o resultado achando que descreveu o caminho.
Pensar em inglês é consequência da fluência, não o comando que chega antes dela. Ninguém decide o idioma do próprio pensamento.
Pior: quando você tenta, cria duas tarefas onde havia uma. Falar e se vigiar falando. A atenção divide, a frase engasga, e você conclui que o problema é você.
Não é. O problema é receber ordem de resultado no lugar de caminho.
A boa notícia: seu cérebro pensa no idioma que estiver mais automático. O trabalho é automatizar. O pensamento muda sozinho, sem pedir licença.

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