25/12/2025
"HAVERÁ NATAL?"
A pergunta parece absurda e, no entanto, nunca foi tão necessária.
Não se trata de saber se as ruas estarão iluminadas, se as lojas venderão mais, se os homens trocarão presentes.
Tudo isso pode acontecer e, ainda assim, não haver Natal algum, porque o Natal não é uma festa garantida, ele não se impõe, ele pode ser recusado.
O Natal só acontece onde o homem aceita que Deus venha até ele, sem poder, sem defesa, sem glória, como uma criança pobre.
E isso exige uma conversão que o mundo moderno detesta. O mundo quer um Deus útil, forte, adaptável. Não quer um Deus frágil, não quer um Deus que peça lugar no coração. O Menino de Belém não vem para tranquilizar consciências, mas para julgá-las.
Ele nasce para separar entre os que aceitam ser salvos e os que preferem salvar-se sozinhos.
Nunca houve tanto barulho em torno do Natal e nunca houve tanto silêncio diante do seu mistério. Fala-se da paz, mas rejeita-se aquele que é a paz.
Celebra-se a infância, mas recusa-se a dependência. Louva-se a luz, mas teme-se o fogo que ela acende.
O Natal não é sentimental, ele é trágico, porque aquele Menino já traz consigo a cruz.
Quem o acolhe deve aceitar não apenas o co***lo, mas também o sacrifício. Não apenas a ternura, mas a verdade.
Haverá Natal?
Haverá se ainda houver homens capazes de se ajoelhar, se ainda houver silêncio suficiente para ouvir um choro, se ainda houver liberdade bastante para dizer sim a um Deus que não força a porta.
Caso contrário, haverá festas, haverá ruídos, haverá luzes, mas não haverá Natal.
Georges Bernanos - Publicado em 25 de dezembro de 1947.