18/08/2026
Wall Street derreteu. O Bitcoin, não. E isso diz muita coisa.
O mercado americano abriu sob forte pressão porque três problemas bateram ao mesmo tempo: petróleo subindo, juros longos disparando e tensão geopolítica voltando ao centro do jogo. O Brent passou de US$ 91 com o impasse entre Estados Unidos e Irã aumentando novamente o risco sobre o Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o Treasury de 30 anos chegou perto de 5,33%, maior nível desde 2007. Petróleo caro alimenta inflação. Inflação persistente reduz espaço para juros menores. Juros altos comprimem o preço das ações, principalmente das empresas de tecnologia.
Por isso Nvidia, Meta, Amazon, Broadcom, Micron e outras empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial aparecem entre as mais pressionadas. O mercado vinha negociando essas empresas com expectativas extremamente altas. Quando o custo do dinheiro sobe, investidores começam a questionar quanto estão dispostos a pagar hoje por lucros projetados para muitos anos à frente. O resultado é realização de lucro, redução de risco e uma correção muito mais agressiva no Nasdaq.
E aqui aparece o ponto mais interessante: enquanto as ações caíam, o Bitcoin permanecia próximo dos US$ 64 mil e chegou a operar positivo no dia. Isso não signif**a que o Bitcoin virou um porto seguro ou que deixou de responder ao macro. Signif**a que, neste momento, existe comprador absorvendo a pressão. A região dos US$ 64 mil também coincide praticamente com a média móvel de 200 semanas, uma zona estrutural extremamente importante, enquanto sinais de demanda institucional voltaram a aparecer no mercado.
Se essa divergência continuar, teremos algo relevante acontecendo: Wall Street precif**ando inflação, petróleo, guerra e juros mais altos, enquanto o Bitcoin começa a mostrar força relativa diante do mesmo cenário. Mas cuidado com uma conclusão precoce. Se o petróleo caminhar para US$ 100 e os yields continuarem subindo, essa resistência será testada de verdade. O que estamos vendo agora não é imunidade. É resistência. E, em mercado financeiro, resistência diante do caos merece atenção.