20/08/2026
Abrir um chão não é simplesmente abrir as portas de um terreiro.
É fazer nascer uma história naquele lugar.
Quando chegamos aqui, existia uma casa, existia terra, existiam paredes, portões. Mas ainda não existia a Kanda Almas da Kalunga neste chão.
Um terreiro não nasce porque colocamos um nome na entrada.
Ele nasce quando aquele espaço começa a receber fundamento, quando Exu come naquele chão, quando os primeiros trabalhos são feitos, quando o tambor toca, quando as entidades chegam, quando uma comunidade se reúne e passa a reconhecer aquele lugar como seu.
Dia 22 de agosto tem um significado muito maior para nós justamente por isso.
A Kizomba de Maria Mulambo será o nosso primeiro Toque aberto em Boituva.
Pela primeira vez, vamos abrir os portões desta nova casa para receber aqueles que caminham conosco.
E isso significa inaugurar uma nova etapa da história da Kanda.
Nós viemos de outro chão. Temos história, temos fundamento, temos uma caminhada construída antes daqui. Mas agora existe um novo lugar que precisa receber nossas histórias, nossos passos, nossos cantos, nossos tambores e tudo aquilo que ainda vamos construir juntos.
Porque Kanda significa clã, comunidade, aqueles que andam juntos.
E um chão só se torna verdadeiramente nosso quando nossa comunidade começa a viver nele.
No dia 22, quando o primeiro tambor tocar e os portões se abrirem, não estaremos apenas realizando mais uma Kizomba.
Estaremos começando a escrever a história da Kanda Almas da Kalunga neste novo chão.
E muitos anos depois, quando lembrarmos de tudo aquilo que aconteceu aqui, vamos poder dizer:
foi naquela noite que começou.