19/10/2022
🙋🏼♂️🙋🏿🙋♀️ A CRISE DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA 👵🏾🧑🏿👨🏻
O desligamento cada vez maior dos indivíduos das “obrigações e identidades costumeiras, corporativas, normativas e comunitárias” foi uma das marcas da ascensão do capitalismo. “A desvalorização da cidadania decorrente das relações sociais capitalistas é atributo essencial da democracia moderna” (Wood, 2003, p.180-183).
O princípio da democracia representativa foi enunciado pelo advogado americano Alexander Hamilton, e, de acordo com Wood (2003, p. 186), foi “uma invenção americana”. Hamilton partiu da premissa que a “multidão trabalhadora” busque em seus “superiores sociais” a sua voz política. Na visão federalista esse era o meio de evitar ou contornar “parcialmente” a democracia, criando uma cidadania passiva.
A alienação é uma das características da democracia representativa. Alienação que representa a perda do homem, de sua transformação em objeto, e cujo pensamento marxista protesta contrariamente.
“Marx está fundamentalmente interessado na emancipação do homem como indivíduo, na superação da alienação, na restauração da capacidade dele para relacionar-se inteiramente com seus semelhantes e com a natureza” (Fromm, 1983, p. 16).
O Estado Americano estabeleceu, então, essa definição de “democracia”, onde a transferência do poder do povo para seus representantes constitui sua própria essência, ou seja, a identif**ação da representação com a alienação do poder. A discussão, porém, não deve se dar apenas em torno da questão da representatividade como forma de distanciar o povo, e sim, também, pelo fato dela, neste modelo, favorecer as classes proprietárias. O modelo de democracia representativa considera que há uma grande distância entre o “bem público” e a vontade dos cidadãos, mudando o foco da política da localidade para o centro federal, criando “um esvaziamento completo de todo conteúdo social do conceito de democracia” (Wood, 2003, p. 187-190).
Os movimentos sociais sempre buscaram, na maioria das vezes, compensar essa lacuna e expressar em seus atos a condução para uma sociedade mais justa, igualitária e democrática, questionando as desigualdades e as explorações socioeconômicas características de uma sociedade capitalista. São movimentos que, através de suas lutas, opõe interesses, “criando assim uma arena de conflito sobre questões nas quais os ganhos de alguns são necessariamente casados com as perdas de outros” (Eder, 2001, p. 06). Os movimentos sociais são ações coletivas nas quais se baseiam a solidariedade, interesses em comum, normas e valores racionais motivando “um conflito social que opõe formas sociais contrárias de utilização dos recursos e dos valores culturais”, buscando “intervir na formação das políticas gerais de organização ou de transformação da vida social” (Touraine appud Scherer-Warren, 1996, p. 116).
📄 MARTINS, Rubens Ahyrton Ragone. Estudo da transferência de informações no orçamento participativo do município de Juiz de Fora utilizando analise de redes sociais. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2005.
📄 WOOD, Ellen Meiksins: DEMOCRACIA CONTRA CAPITALISMO. São Paulo: Ed. Boitempo, 2003.