16/09/2020
Neste texto (abaixo e na imagem), você pode saber mais sobre o que nos move e sobre como nos organizamos.
"Coletivo Educação Pública Caraguá
Começamos a nos aproximar em um momento muito grave da nossa história recente: o início da pandemia da Covid-19, quando a destruição promovida por políticas públicas genocidas começou a se espalhar, construindo um cenário de luto, precariedades e perda de direitos, como extensão da nossa realidade, já tão plena de desigualdade e injustiça social.
A princípio, nossa proposta era debater questões pedagógicas do ensino remoto, instalado sem nenhuma discussão na rede pública municipal. Escrevemos nossos primeiros manifestos exigindo a construção desse diálogo, o olhar para a condição concreta das comunidades escolares.
Mas, diante da ameaça do retorno das aulas presenciais sem vacina ou qualquer outra condição estrutural e de segurança, precisamos nos voltar mais concentradamente para a luta direta pela preservação da vida, construindo atos públicos e nos articulando a outros movimentos, a fim de nos opormos a medidas que somente multiplicariam, ainda mais, as mortes no município.
Desde o primeiro momento, sabíamos que defender a educação pública justa e de qualidade é defender a vida. E assim seguimos, conscientes de que, para mudar o cenário construído ao longo dos anos no serviço público em Caraguatatuba, de perseguição e cooptação daqueles/as que ousaram falar, era preciso permanecer, construir coletivamente.
Temos como método a ação direta, não nos apoiamos nas eleições municipais e, consequentemente, não apoiamos nenhum/a futuro/a candidato/a. Entendemos que apostar em um representante na câmara municipal ou no poder executivo não irá fortalecer nossa luta, ao contrário, só irá criar ilusões e enfraquecer o movimento.
Somos um grupo plural, de organização horizontal, autogestionado, formado por servidores/as da Educação no município, independente, que se reconhece essencialmente político – porque toda ação social, especialmente as de luta, são políticas em sua essência –, mas não partidário.
Permanecemos e permaneceremos pela mesma razão: a defesa da educação pública justa e de qualidade. Construir essa luta é dever de todo/a educador/a e requer saber que não é possível aceitar:
- a gestão autoritária e opressora do poder público municipal;
- cargos providos por indicação política (comissionados) nas gestões das unidades;
- a precarização do trabalho;
- a terceirização e o desemprego;
- a desvalorização do funcionalismo público;
- o imobilismo sindical histórico na região.
Ao contrário, requer agir para que os direitos de todos e todas sejam ampliados.
Por uma educação pública justa e de qualidade, em defesa da vida!
Justiça, democracia e direitos!"