23/04/2025
Eles surgem logo cedo, antes do barulho da britadeira. Encostam-se na cerca, mãos para trás, olhar atento. Não vestem uniforme, não assinam ponto, não ganham salário. Mas se alguém perguntar quem manda ali… eles apontam.
Com os olhos. Com o queixo. Com a experiência.
Na Itália, principalmente no norte do país, esses senhores são conhecidos como Umarells — termo vindo do dialeto bolonhês, que significa algo como “homenzinho”, dito com um sorriso no canto da boca.
São, em sua maioria, aposentados, que encontraram nas obras urbanas um novo passatempo, uma rotina, um sentido. Observam tudo. Comentam entre si. Às vezes, oferecem sugestões — mesmo que ninguém tenha pedido.
“Isso vai dar problema na fundação.”
“Esse caminhão vai ter que manobrar duas vezes.”
E, curiosamente, muitas vezes… estão certos.
O fenômeno se tornou tão comum que passou de piada de bar para símbolo cultural. Em Bolonha, a prefeitura criou uma praça chamada “Piazzetta degli Umarells”. Em Riccione, chegaram a pagar senhores para vigiar obras públicas — contavam caminhões, anotavam horários, ajudavam de verdade.
Há até um aplicativo chamado “Umarells”, que mostra onde há canteiros em atividade, como se fossem pontos turísticos vivos de concreto e poeira.
Mas por que isso encanta tanto?
Porque o Umarell não está só olhando uma obra.
Ele está assistindo o tempo passar devagar.
Está tentando fazer parte de algo que ainda se move. É como se dissesse:
“Meu trabalho acabou, mas meu interesse pela construção do mundo continua.”
Em um mundo que valoriza pressa, produtividade e juventude, o Umarell é uma rebeldia silenciosa.
Ele para. Observa. E encontra propósito no que os outros chamam de nada.
Créditos: História em Imagens