13/04/2024
EPÍSTOLAS DOS OSSOS BRANCOS
HAKKOTSU NO SHO
Considerando atentamente a condição efêmera da vida humana percebe-se que nada é mais passageira do que a nossa existência - do começo ao fim ela desvanece tal qual uma miragem.
Nunca se ouviu falar de alguém que tenha vivido dez mil anos. A vida é tão fugaz. Quantos neste mundo chegam a viver cem anos? Serei o primeiro a partir, ou serão os outros? Nunca se sabe se partiremos hoje ou amanha. Aqueles que deixamos para trás e os que partem antes de nós são mais numerosos do que as gotas da chuva que escorrem pelos troncos e pelas folhas.
E assim o semblante saudável da manhã pode transformar-se em cinzas ao entardecer. Surpreendidos pelo vento da inconstância, nossos olhos se fecharão imediatamente e quando o último suspiro for interrompido para sempre, a cor rosada do rosto desvanecerá perdendo o brilho. Mesmo que a família e os parentes se juntem e chorem inconsolavelmente, tudo será em vão.
Não havendo mais nada a fazer, o corpo é levado e ao ser cremado desvanecerá com a fumaça no meio da noite. Nada restará a não ser as cinzas. É deveras triste e lamentável. A efemeridade do ser humano consiste na incerteza de quem morrerá primeiro, o idoso ou o jovem. Por isso, devemos solucionar com a máxima urgência a grande questão da vida após a morte, obtendo a salvação pelo Buda Amida e recitar o Nembutsu.
Respeitosamente.
Rennyo Shonin.
Revitalizador da Escola Jôdo Shinshu
Gobunsho, fascículo 5, carta 16