Esperanç -AR- de uma Professora

Esperanç -AR- de uma Professora

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Um espaço de reflexão e conexão com o ato de ser professora

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 18/11/2022

Hoje uma borboleta apareceu no pátio "amoreirinha" e claro, as crianças perceberam sua presença...

Flutuando no ar e com sua cor amarela desbotada se fez perceber, parecendo br**car de pega pega com as crianças, que prontamente aceitaram o convite e saíram correndo para alcancá-la...

A danada passou entre os buraquinhos da cerca e os deixou do outro lado, tentando captar por onde estava, onde tinha ido parar...

E assim contemplamos os ser vivos, suas habilidades, o fato de estarem no ar ou na terra, se há pezinhos ou antenas, se conseguem se proteger, se podem fazer algo nocivo aos ser humanos... e esse último nos rende boas conversas e desperta o sentimento de respeito, de compressão da dinâmica da natureza e que há lugar pra todos nesse mundão!

17/11/2022

Fofurice Master passando por aqui!!! 🥰

Algo que prezo por investir, tanto como mãe quanto professora, é na aquisição de literatura infantil de boa qualidade!

Qualidade na ilustração que enche os olhos, que desperta curiosidade, que suscita a dúvida, o desejo em pegar, tocar, manusear e sentir...

Qualidade na literatura, no texto bem escrito e fluído, na história que se conta, que se quer mais, que pausa, que segue, que desperta todos os tipos de sentimento, que cativa, que se quer entrar e viver tudo aquilo com o próprio corpo...

Quando aluna da Universidade Federal tive uma cadeira de Literatura com a musa Gladis Kaercher, ela carregava pra sala uma mala cheia de livros, dos mais belíssimos e encantadores. Livros de diferentes formas, tamanhos, cores, histórias... E eu pensava "um dia vou ter uma mala assim!!!"

E cá estou eu, tentando criar (Quando meus filhos não rasgam 😅) a minha própria mala!!!
Na estante alguns ficam disponíveis e o Henrique, mesmo tão pequeno, já demonstra muito apreço por manusear e ler as imagens. Nesse vídeo ele interage com a história quando faz som de bicho em menção ao desenho de um animal que viu; quando folheia cada página, de trás para frente, fazendo movimento de pinça; quando permence por mais de 5 minutos sentado, compenetrado, observando...

Nem tudo é perfeito e longe de mim romantizar qualquer questão da maternidade, mas para chegar até aqui muitos livros foram rasgados, inclusive o preferido do Vicente e que o Henrique não teve dó em detonar. Aliás, minutos depois de gravar esse vídeo lá estava ele rasgando uma página inteira de um dos livros da estante.

E o que cabe a mim?

Mediar, selecionar o que pode vir a ser rasgado, mostrar como ler, como cuidar, como manusear... apenas dessa forma, pela experiência, vivência, amadurecimento físico e intelectual e fundamentalmente pelo exemplo é que as habilidades vão se desenvolvendo e o apreço pelos livros vai se tornando presente e real

E por aí, como andam as histórias? Qual livro é o preferido?

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 08/11/2022

Sábado foi dia de uma iniciativa super bacana do Infância Natureza Sustentável, o troca troca de brinquedos!

Levamos o Vicente e o Henrique, acompanhados dos amigos Laura e Léo.

Em casa o processo iniciou de busca por aqueles brinquedos que já não br**cam mais e que o interesse já passou. Em especial, encorajei o Vicente a escolher alguns carrinhos hotwells, já que tem uma caixa deles e ama cada um. Para mim surpresa não foi muito difícil, de tantos, conseguiu escolher três para trocar, o que já considero um grande passo.

Brinquedos escolhidos, fomos para o Jardim Botânico, Porto Alegre.

Chegando lá fomos recepcionados com uma plaquinha onde tínhamos que dar um "nome" para a nossa "banquinha" e Laura, a criança alfabetizada entre os quatro, escreveu: Vicente, Henrique, Laura e Léo; seguido de um sol amarelo que aquecia nossa tarde!

Colocamos nosso pano no chão e as crianças começaram a organizar os brinquedos. E o primeiro "instinto" do Vicente foi sentar pra br**car com que haviamos trazido 😅🤭

Léo havia entendido o propósito e super entusiasmado mostrava em suas mãos pequenas o que havia trazido e dizia, para todo mundo que passava por seus olhos: "olha, trouxe pra doar" 😍

Explicamos para as crianças a dinâmica de olhar o que os demais tinham e então tentar negociar o que queriam. Aos poucos, outras crianças chegavam até nossa banquinha e espontaneamente olhavam, perguntavam e negociavam. Uma criança bem pequena chega com um urso gigante que mal cabia em seu colo, olha pra gente, aponta e pergunta "quer esse urso por aquele carrinho?" Achamos graça, os adultos, pela troca tão simbólica e o Henrique "aceitou" a negociação, ficou faceiro com o senhor Urso 🤭

Vicente permaneceu mais introspectivo, envergonhado. Precisou ser conduzido por mim ou pelo Allan, mas depois de passar por alguns lugares quis fazer uma troca por uma massinha de modelar. Num primeiro instante brincou, mas já perdeu o interesse, então colocamos novamente para troca. Posteriormente se interessou por um carrinho de bombeiros. Pegou, de forma convicta e decidido, dois carros maiores e levou até a outra banca. O "dono da banca", como as crianças falavam entre si, não estava por lá. Então Vicente imaginou que poderia só deixar seus dois carros ali, pegar o que queria e ir embora. Expliquei que não podíamos fazer assim, que tínhamos que esperar, ao que logo o "dono" apareceu. Encorajamos Vicente a conversar, negociar; mas com vergonha olhava para baixo e simplesmente "toca" os dois carrinhos no chão, em cima dos demais para a troca. Novamente explicamos que não é dessa forma a troca, que deve ser na mão do outro pequeno e SE aceitar. Permaneceu envergonhado, escondido em mim, falava o que era perguntado; mas conseguindo, da sua forma, realizar a troca. Saiu realizado com o caminhão.

Léo e Laura olhavam tudo. Laura se encontrou enquanto negociadora e desde que chegamos tinha colocado os olhos em uma corda. Depois de se sentir mais segura e confiante, buscou na nossa banquinha algo para trocar e sua proposta foi aceita.

Léo ainda tinha uma boneca "Docinho" em mãos e quando falamos que precisávamos ir embora falou "mas tenho que trocar essa boneca" 🤭 Esse era seu último objetivo, então Laura tomou ele pela mão e começaram a buscar alguém que quisesse fazer negócio. Logo ele se achou e conseguiu levar para casa um Dino, faceiro veio mostrar sua grande conquista.

E assim foi um dia cheio de aprendizados, experiência com o outro, vivência com o desconhecido, enfrantamento de medos e vergonhas... dia de consciência, de freamento ao consumismo, de natureza, de retorno a nós mesmos, da experiência primária de escambo.

Para os adultos foi um processo muito rico. Saímos de foco, demos lugar e espaço às crianças que negociavam, tentamos não fazer juízo de valores, o mais difícil, no meu ponto de vista e nos seguramos para não falar por eles, mesmo quando a vergonha calava.

E depois?

Curtimos, br**camos e imaginamos com tudo que a natureza do Jardim Botânico tem a oferecer!!!

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 04/11/2022

Mãos sobrepostas

Corpos que sentam, que ficam de joelhos, em pé

Dedos que fazem menção de pegar, aconchegar, tocar

Gravetos em punho para fazer um círculo que foi desfeito em meio à tanta euforia

Olhos que vibram a cada movimento das mãos e por consequência das bolinhas

Um grupo sentado de forma circular, espontaneamente ao entorno do círculo para br**car com círculos

A conexão com a terra pura, que marca as roupas, que suja as mãos

A parada para olhar o bichinho que passa mas que não é uma ar**ha, "é o que profe?"

O retorno à atividade que faziam...

A circularidade que há na escola, na rotina, na natureza, nas crianças...

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 03/11/2022

Mãe, vem, senta aqui

Sentei e ele foi dizendo "vamos ver..."

Entendi, então, que ele estava br**cando de roda de conversa, algo que faz parte do seu cotidiano na escola. Antes disso br**camos pelo gramado de "chão que é lava" e de "caçar ovos" (as pinhas que ele me ajudava a recolher em uma sacola para trazer para a escola 🤭)

Na roda cada um de nós tinha vez de fala e tirava um "ovo" de dentro da sacola e "abria", de onde saía algum "brinquedo". Disso, compreendi que se tratava de alguns vídeos que gosta de assistir na casa da vó (quando o celular é liberado 😑😅)

Com alguns galhos de Pinheiro brincou que era peças de quebra cabeça e juntava um a um...

Vicente brincou usando vários repertório que aparecem no seu dia a dia, nas suas experiências, no seu modo de enxergar o mundo. No simples ato de br**car uniu a escola, nossa casa, seus vídeos e a natureza.

Representou, encenou, interagiu, imaginou...

E tudo isso "só" br**cando!!!

Photos from Pedagogia Subjetividade's post 02/11/2022

!!!

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 01/11/2022

Chegamos no nosso pequeno Oasis e uma surpresa nos esperava:

A chuva havia preparado um contexto investigativo!!!!

Quando a natureza se encarrega de criar esses espaços e essa provocações a surpresa e encatamento é tamanho tanto para as crianças quanto para o adulto, como foi comigo.

Encantada observei as crianças br**carem, interagirem, experenciarem aqueles potes cheios de areia e de água.

Questionei "de onde veio essa água?" E a resposta foi alta e bem colocada "a chuva, profe!"

Misturaram mais areia, fizeram buracos para colocar a água dos potes, transferiram de um recipiente para outro usando colheres e as próprias mãos.

Aos poucos a água foi sumindo, os potes foram ficando vazios e então questionei novamente o que havia acontecido com a água que estava ali

Leticia diz apontando para a areia "está aqui embaixo, profe"

"Então me mostra"

Começaram a fazer grandes buracos, mas sem encontrar a água

Augusto logo diz, entristecido, "misturaram a minha água com areia"

Novamente questiono o que aconteceu com a água

Isabella resoluta e firme diz, "ela morreu"

Pergunto o que ela queria dizer com isso e Caio responder "ela morre quando bota embaixo da areia, da terra"

E Isabella complementa "ela tá molhadinha", apertando entre os dedos um pouco do barro.

Foi um dos diálogos mais encantadores que já tivemos ao longo do ano, pois ali, no livre br**car, na experimentação e relação com o natural, os pequenos formularam uma hipótese complexa e cheia de sentidos, onde tudo que conversamos e refletimos apareceu de uma forma tão fluída...

A chuva de ontem rendeu tanto, tanto e tanto! E desta forma temos aprendido a ser gratos e felizes pelo o que a mãe natureza tem a nos ofertar!

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 01/11/2022

O processo do desenhar das crianças...

Iniciamos o ano com alguns desenhos um tanto estereotipados. Aos poucos, a medida que me mostravam o que desenhavam, questionava o que estavam representando e fazia algumas provocações como "qual objetivo de tantos corações no teu desenho?"; "como que essa pessoa que tu está representando enxerga ou fala?" (Quando não tinham uma estrutura humana); "pq tu usou apenas uma cor?" E assim por diante...

E hoje, aproveitando o dia que se passa de forma mais lenta e devagar, em que as crianças conseguiram sentir os minutos passando, as horas que chegavam numa pequena transição; aproveitamos a manhã para desenhar e se aventurar através de "desafios" que prontamente foram aceitos pelo grupo de forma entusiasmada. Um a um, vinham até mim e perguntavam "qual meu desafio, profe?" E tive que rapidamente parar, relembrar os seus desenhos, suas características e no que precisavam ser desafiados.

E assim surgiram os desafios:
- desenho sem corações;
- desenhar pessoas, sem envolver personagens de vídeo-game;
- desenhar a forma humana;
- desenhar o chão;
- desenhar elementos naturais;
- desenhar o espaço preferido dentro da escola

Aos poucos foram apresentando suas produções:

Isa, apontando para o desenho disse "desenhei uma praça sem pracinha" em que desenhou duas árvores: uma de maçãs (e sim, sempre questionou se já viram uma macieira e eles dizem que sim; eu nunca vi uma 😅) e outra de ameixas, comentando que na casa do vô há uma ameixeira. Compreendi que ela se referia a "praça sem pracinha" como um espaço sem brinquedos de playgroud e achei de um valor simbólico sem tamanho e que cabe uma outra reflexão.

O próximo desafio, ainda envolvendo esse desenho, era representar crianças br**cando nesse espaço ao que logo surgiram uma multidão de pequenas pessoinhas que, segundo ela, br**cavam de "caçar tatu bola" e de "tesouro", não por acaso essas são br**cadeiras que fazem parte de seu repertório diário.

Chico, em um desenho abstrato, desenhou a sua "senha do celular" e um "humano arco-iris"

Laura, o chão laranja e "duas pessoas de um olho só saindo do chão"

Foi uma rica manhã, prazerosa e cheia de desafios significativos.

Photos from Esperanç -AR- de uma Professora's post 31/10/2022

"desenhei uma praça sem pracinha"

Assim Isabella narra o seu desenho no qual representava duas árvores: uma de maçãs e outra de ameixas, afirmando ter um pé da última na casa de seu avô.

Essa fala me encantou. Foi a manifestação de uma grandeza e de um significado que me tomou, pois automaticamente remeti ao espaço que diariamente temos ocupado ao lado da escola. Um lugar que quando chegamos era um pátio pequeno e comprido, com grama alta e pouco habitado. Aos poucos e fugindo do horário regrado e curto que tínhamos no pátio fomos dando a nossa cara: capinando, plantando, cuidando...

Assim as crianças tem passado dias prazerosos, livres da rigidez do relógio e cheios de imaginação nesse pequeno Oasis. Com os corpos livre do vigiar cauteloso dos adultos podem experimentar os limites de seus corpos, se aventurar em seus medos, e fazer descobertas importantes.

O contato direto com o natural e livre dos brinquedos estruturados tem proporcionado experiências mais ricas, experimentações mais singulares dos cinco sentidos e um movimento mais consciente de seus próprios corpos.

A amoreira foi generosa conosco quando ofereceu uma infinitude de frutinhas, num primeiro momento verdes e que observamos, no decorrer do tempo sua troca de cores. Generosa quando permite que as crianças a escalem, mesmo tendo troncos tão finos...

O manjericão pequeno vem se transformando em um arbusto e sentir seu aroma traz ao mesmo tempo estranhamento e beleza ao olfato

A cenoura aos poucos vai saindo da terra, exibindo sua cor alaranjada, manifestando a grandeza por debaixo da terra

As relações também se tornam mais complexas, pedindo por mais cuidado e exercendo mais empatia. Em um dia com poucas crianças, duas se aproximaram mais e passaram a ter uma amizade mais sólida, inclusive no cuidado, expressado através do simples ato de colher uma amora e ofertar direto na boca do colega.

E assim temos observado o movimento de vida que há nos detalhes pequenos da natureza e das relações: da habilidade da formiga em carregar folhinha a habilidade das crianças em construir grandes castelos de areia de forma colaborativa

O resultado?

Uma turma que tinha como característica a "agitação" vem se tornando mais tranquila, imaginativa, companheira e tanto mais colaborativa.

A imaginação voa, os olhos brilham e o corpo fala sem parar!

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