08/03/2026
Mais do que um discurso bonito, respeito.
Por muitas vezes acreditamos que violência é apenas a física — aquela que deixa marcas na pele, hematomas visíveis, feridas que todos podem ver.
Mas existem marcas que não aparecem no corpo.
E ainda assim, machucam profundamente.
Quando um namorado diz viver uma relação monogâmica, mas te trai repetidas vezes e, ao ser confrontado, te chama de louca —
isso também é violência.
Quando homens ao seu redor não te deixam terminar uma frase, te interrompem, diminuem sua voz ou repetem o que você acabou de dizer como se a ideia fosse deles —
isso também é violência.
Quando ele ri de você, do seu corpo, da forma como você se veste, e chama de “brincadeira” aquilo que te envergonha e te diminui —
isso também é violência.
Quando ele tenta decidir como você deve se vestir, como deve rir, como deve existir —
isso também é violência.
Quando ele controla o dinheiro, as escolhas, os caminhos, e te priva do acesso ao que também é seu —
isso também é violência.
Eu poderia passar horas nomeando pequenas feridas do cotidiano.
E tenho certeza de que você, assim como eu, já sentiu alguma delas.
E talvez, por muito tempo, tenha carregado junto a culpa.
Como se fosse sua responsabilidade suportar.
Como se fosse exagero sentir dor.
Mas não é.
O abuso nem sempre grita.
Às vezes ele sussurra, sorri e vem disfarçado de cuidado, de piada, de amor.
Mas ainda assim, fere.
Hoje, mais do que flores, homenagens ou palavras bonitas,
o que eu desejo para nós é algo muito maior:
Que tenhamos olhos para enxergar o que antes foi normalizado.
Voz para dizer o que por tanto tempo foi silenciado.
Ouvidos que nos escutem de verdade.
E justiça para todas nós.
Happy Women’s Day.