20/08/2022
“A única coisa que temo é minha futura senhora sogrinha, que, segundo o querido papai, dizem ser desleixada, intrigante”, assim escreveu a arquiduquesa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, referindo-se pela primeira vez à mãe de seu futuro marido, o príncipe D. Pedro de Portugal, Brasil e Algarve. É curioso para muitos de nós imaginar o relacionamento entre essas duas personalidades da história brasileira, tão diferentes em caráter, quanto nos modos e costumes. No ano de 1816, quando Leopoldina escreveu essa carta para a sua irmã, Maria Luísa, a fama da esposa de D. João VI não era das melhores. O imperador Francisco I da Áustria, que era primo de Dona Carlota, havia alertado a filha sobre as intrigas que esta provocava na corte, aconselhando-a a agir com indiferença a boatos e fofocas, obedecer ao rei e ao príncipe, além de respeitar a sogra. Mas, até aportar na baía de Guanabara em 5 de novembro de 1817, a nova princesa real não tinha ideia dos dissabores pelos quais iria passar ao lado da nova família.
Porém, foi com Maria Luísa, em carta datada de 18 de abril de 1818, que ela se arriscou a deixar um retrato mais franco de seu marido e da família real, especialmente da sogra:
"Respeitarei minha sogra como mãe de meu esposo, mas seu temperamento é vergonhoso, e infelizmente se vêm as tristes consequências em seus filhos menores, que têm péssima educação e com dez anos já sabem tudo como gente casada"
Carlota Joaquina tinha o costume de ralhar em público com Pedro e de lhe dar alguns tabefes, o que certamente causou horror à arquiduquesa. Quando a corte finalmente partiu para Portugal em 21 de abril de 1821 e Leopoldina e Pedro f**aram no Brasil como regentes, a população do Rio de Janeiro pode então comparar os hábitos da princesa aos de sua sogra. Carlota Joaquina nunca foi bem quista pelo povo, enquanto a esposa de D. Pedro passou a ser saudada por todos e reconhecida pela sua caridade e dedicação à causa da independência.
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